XP alerta para “imposto inflacionário” e lista três riscos de investir só em CDI

Casa volta a falar sobre a possibilidade de repressão financeira nos EUA diante da escalada da dívida, e lembra consequências de achar que ser cauteloso é colocar todo o dinheiro na renda fixa pós-fixada

Paulo Barros

Foto: Unsplash
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Com a dívida pública em alta nas principais economias e déficits persistentes, cresce o risco de governos recorrerem à chamada repressão financeira, um conjunto de políticas que mantém juros artificialmente baixos e permite que a inflação reduza, aos poucos, o valor real das dívidas – ou seja, com custeio da população. Para o investidor, isso pode significar perda silenciosa de poder de compra, mesmo com aplicações rendendo nominalmente.

Quem faz o alerta é a XP, que repete a avaliação de que o cenário global, especialmente nos Estados Unidos, aumenta a probabilidade de juros reais baixos ou negativos por períodos prolongados. Com isso, diz análise, um “imposto inflacionário” poderia corroer aplicações e penalizar principalmente aquele investidor que acha que ser cauteloso é concentrar tudo em renda fixa atrelada ao CDI.

“O CDI atual é atrativo, de fato, mas não é exatamente o que muitos pensam”, diz o time de alocação da casa, liderado pelo CIO Artur Wichmann. “O que parece suficiente hoje pode não preservar poder de compra amanhã; e, pior, pode nos levar a ignorar custos de oportunidade e concentração excessiva.”

A repressão financeira envolve limitar taxas de juros e criar demanda cativa por títulos públicos. Em muitos casos, o ambiente também convive com inflação acima do esperado, reduzindo o valor real da dívida ao longo do tempo. Atualmente, defende a XP, com a impopularidade de medidas de ajuste fiscal, essa é uma saída que pode ser considerada viável por alguns governos para lidar com o déficit público crescente, criando uma armadilha para investidores.

3 riscos de concentrar tudo em CDI

A XP aponta três principais riscos de aplicar tudo na renda fixa pós-fixada.

A alternativa: ativos reais

Diante da perspectiva de juros reais baixos, a XP afirma que ativos reais como imóveis, infraestrutura e ouro, ou seja, ativos que não podem ser “impressos” ou manipulados com a mesma facilidade que títulos nominais, podem ajudar a proteger o patrimônio contra a perda de poder de compra na renda fixa tradicional.

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A casa ressalta, porém, que essa proteção tem custo, já que ativos reais costumam apresentar maior volatilidade.

Para a XP, o CDI continua sendo parte importante da carteira, especialmente como núcleo defensivo, por oferecer liquidez e ajudar a reduzir a volatilidade (a carteira recomendada continua sobrealocada em pós-fixados), “mas não é toda a resposta”.

A recomendação central é “diversificar de verdade”, combinando ativos brasileiros e internacionais, pós-fixados, inflação e prefixados, além de ativos reais e fontes de crescimento.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)