Buffett se despede do mercado: quanto ele teria lucrado no Brasil? Veja simulação

Aplicação de princípios do "oráculo de Omaha" em carteira com ações nacionais traria rendimento muito superior ao CDI, ao Ibovespa e ao IDIV ao longo dos anos

Paulo Barros

Ativos mencionados na matéria

Presidente da Berkshire Hathaway, Warren Buffett, participa da reunião anual de acionistas da Berkshire Hathaway Inc. em Omaha, Nebraska, EUA, em 2024. (Foto: REUTERS/Scott Morgan)
Presidente da Berkshire Hathaway, Warren Buffett, participa da reunião anual de acionistas da Berkshire Hathaway Inc. em Omaha, Nebraska, EUA, em 2024. (Foto: REUTERS/Scott Morgan)

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Warren Buffett divulgou nesta segunda-feira (10) uma carta de despedida como CEO da Berkshire Hathaway. Aos 95 anos, o investidor deixará o cargo no fim do ano, após mais de meio século à frente da companhia, e permanecerá como presidente do conselho.

A partir de 2026, o vice-chairman Greg Abel assumirá a função de CEO e passará a assinar a tradicional carta anual aos acionistas.

A despedida do investidor que moldou gerações de acionistas inspirou a XP a testar uma hipótese: o que aconteceria se a filosofia de Buffett fosse aplicada à Bolsa brasileira?

O resultado, apresentado em um relatório divulgado na última semana, faz jus ao “oráculo de Omaha”: segundo a simulação, uma carteira de ações brasileiras que aplicasse os princípios de Buffett renderia mais de 1.200%, superando com folga no período analisado o CDI, o Ibovespa e o IDIV, o índice de dividendos da B3.

Adaptando a metodologia Buffett ao Brasil

O estudo sintetiza seis fundamentos centrais do investidor: qualidade, gestão confiável, preço justo, horizonte de longo prazo, disciplina e paciência.

Com base nesses conceitos, a XP estruturou uma triagem quantitativa de empresas, considerando quatro indicadores:

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1. Lucros crescentes por pelo menos três anos consecutivos;
2. Margem líquida acima de 10%;
3. Retorno sobre o patrimônio (ROE) acima de 15%;
4. Baixo endividamento em relação ao patrimônio líquido.

A aplicação dos critérios, ano a ano, resultou em 21 companhias que, em diferentes períodos entre 2005 e 2024, atenderam a todas as condições. Entre elas, Ambev (ABEV3), WEG (WEGE3), Odontoprev (ODPV3), Grendene (GRND3) e Itaúsa (ITSA4).

A simulação levando em conta uma seleção apenas quantitativa teria rendido 798% em 20 anos, o equivalente a 11,9% ao ano.

Carteira hipotética seguindo princípios de Warren Buffett – análise quantitativa (Fonte: Reprodução/XP)

Filtro qualitativo aumenta o retorno

Na segunda etapa, a XP aplicou um filtro qualitativo, retirando setores que Buffett costuma evitar: aviação, moda e lifestyle e produtos considerados controversos. Com isso, o retorno da carteira simulada subiu ainda mais.

Com esses parâmetros, a carteira simulada com base nos princípios de Buffett teria acumulado alta de 1.213% em 20 anos.

O desempenho seria equivalente a 14,18% ao ano, superando o CDI (574%), o Ibovespa (329%) e o IDIV (950%).

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Carteira hipotética seguindo princípios de Warren Buffett – análise qualitativa (Fonte: Reprodução/XP)

“A remoção de empresas desalinhadas à sua filosofia reforça uma das regras mais conhecidas de Buffett: ‘Regra nº 1: nunca perca dinheiro. Regra nº 2: nunca esqueça a regra nº 1′”, diz o relatório.

Como aplicar os princípios na prática

O estudo observa que o ambiente de negócios no Brasil, com juros historicamente elevados, instabilidade regulatória e menor previsibilidade em relação a mercados mais maduros, exige ainda mais disciplina e paciência. Essas condições, segundo a XP, tornam a seleção de empresas sólidas e o horizonte de longo prazo ainda mais relevantes.

A XP ressalta que o exercício é apenas ilustrativo e não constitui recomendação de investimento. Porém, aponta caminhos para quem deseja seguir a filosofia de Buffett, entre eles delegar a gestão a profissionais com governança sólida e histórico consistente e investir via ETFs ou fundos indexados que sigam fatores de valor e qualidade.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)