Vou mudar minha maneira de investir; sigo conselho da minha gerente?

Francisco Cardoso, CFP, planejador financeiro certificado pelo IBCPF, responde a pergunta de leitor do InfoMoney

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Pergunta:

Gostaria de mudar a forma de investir parte das minhas economias. E conversando sobre isso com a gerente do meu banco, ela me indicou Tesouro Direto e LCA.

O investimento seria em aproximadamente 30% das minhas economias, pois pretendo adquirir um imóvel maior a curto prazo. Já possuo um apartamento de 2 dormitórios quitado.

Oportunidade com segurança!

As indicações da minha gerente seriam uma boa opção?

Leitor: Eduardo

Resposta de Francisco Cardoso, CFP, planejador financeiro certificado pelo IBCPF:

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Eduardo,

Começar um novo investimento ou decidir por mudanças na sua carteira envolve alguns fatores que você deverá decidir juntamente com um seu gerente ou seu consultor financeiro. É importante conhecer seu perfil de investidor, analisar os riscos envolvidos de cada ativo, custos, tributação, rentabilidade e como cada ativo contribui no global de seu portfólio.

Antes de começar, planeje-se, estipule seus objetivos, crie metas financeiras, como chegar lá e prazo de realização. Não esqueça que eventos imprevisto acontecem, atente para isto, uma parte do seu dinheiro deve permanecer líquidos a qualquer hora.

O momento da renda fixa no Brasil é excelente, com as últimas altas da taxa básica de juros, o investidor voltou-se para títulos públicos e produtos isentos de imposto de renda. Buscando aumentar o ganho real de sua carteira.

Uma das maneiras que o governo tem de captar recursos para financiar a dívida pública é através de títulos do Tesouro, que são papéis emitidos pelo governo federal. As instituições financeiras compram estes papéis em leilão e os vendem no mercado financeiro para o público. Desta forma quando o investidor compra um título público está emprestando seu dinheiro ao governo.

Para comprá-los conta com duas maneiras, uma através de um fundo de investimento, onde um gestor profissional administra este fundo, onde contém uma cesta de títulos ou diretamente através do sistema chamado Tesouro Direto.

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Para entrar no Tesouro Direto basta ter um CPF e conta corrente em alguma instituição financeira e realizar o cadastro em um agente de custodia devidamente habilitado a operar. No site do Tesouro Direto você encontra a lista completa dos agentes, escolha um e cadastre-se, você receberá uma senha para acesso direto ao site do Tesouro. A instituição poderá oferecer uma plataforma de compra e venda de títulos, porém você terá acesso direto ao site do Tesouro para outras consultas como saldos e extratos.

Você encontrará muitos títulos, que parece ser uma coisa confusa de letras e números, acostume-se cada título possui uma característica de rentabilidade que pode ser decisiva para seus objetivos.

São títulos prefixados (LTN e NTN-F ), pós fixados ( LFT e NTN-B, NTN-C), com pagamentos de cupons semestral ou juros no vencimento do título. As taxas já são pactuadas antes mesmo da compra do papel. A decisão por prefixada ou pós fixada vai depender do momento em que se encontra a economia, geralmente as pós fixadas são atreladas a algum índice de preço como IPCA ( inflação ) mais juros definidos na hora da compra, são as NTN-B, ou NTN-C onde rende IGP-M mais juros definidos na hora da compra e as LFTs atrelados a taxa Selic.

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O que vai determinar é o momento da economia brasileira. Se o cenário for de alta da taxa de juros então, recomenda-se pós fixados. Se a tendência é de queda da taxa, os prefixados são os mais indicados. Assim, você já garante a rentabilidade por um certo prazo.

Todos os títulos do tesouro possuem um prazo de vencimento, podendo ser de 3, 5, 10, 20 anos ou mais. Este é um dos pontos críticos da modalidade, pois o título é precificado com o que chamamos de marcação a mercado. O investidor que adquirir um título no tesouro direto deve ter consciência que o montante aplicado permanecerá até seu vencimento pois, como comentado acima, o preço flutua de acordo com a taxa de juros e, se em algum momento o investidor precisar vender o título para fazer caixa e a taxa de juros estiver superior ao momento de sua compra, o investidor perderá parte do investido. Outro risco associado a este título é a inflação, como a rentabilidade é prefixada e se a tendência da inflação for de alta o ganho real diminui.

Uma vez adquirido um título do Tesouro é muito importante predispor-se a permanecer no mesmo até o vencimento. Por exemplo, as LTNs são vendidas com desconto sobre o valor de face (R$ 1 mil), portanto a rentabilidade deste título vai depender do deságio sobre seu valor de face e do prazo de vencimento. O deságio dá-se devido a expectativa da taxa básica de juros futura ( Selic ). Se a expectativa for de alta da taxa o título fica mais barato, pois deve compensar o mercado com rentabilidade, então passa a ser vendido com maior desconto. Ao contrário, se a expectativa for de queda na taxa de juros, o título aumenta de preço, diminuindo o desconto. Por exemplo: você compra uma LTN 01012017 por R$ 740,00. Isto quer dizer que o investidor comprará por este preço e receberá em primeiro de janeiro de 2017 o valor de R$ 1.000,00. A rentabilidade bruta será de 35,13% em 3 anos , ou 10,6% ao ano pagos somente na data do vencimento do título.

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Fatores que deve-se levar em consideração na hora da aquisição deste títulos são os custos, impostos e a inflação. Os custos são dois, um cobrado pela BMeF Bovespa chamado de taxa de custódia de 0,30% ao ano sobre o valor do título e o outro é a taxa de administração cobrado pelo agente de custódia (instituição financeira ), este custo pode ser de zero a uma porcentagem estipulada por cada agente ou por operação de compra e venda. As taxas cobradas pelas instituições estão no site do Tesouro Direto.

O imposto de renda atua com o em qualquer outra renda fixa, depende do prazo de vencimento ou do momento da venda. No caso do exemplo acima, a LTN com vencimento para 2017, como ultrapassa os 720 dias a tributação seria de 15%. Mas, o investidor poderia vender este papel em 360 dias. Nesse caso, o imposto seria de 20%. A tributação segue a tabela regressiva de imposto de renda fixa.

Nas Letras de Crédito do Agronegócio encontramos um outro cenário. As LCAs tem por objetivo financiar recursos aos produtores rurais como café , soja, milho entre outros. Os produtores solicitam empréstimos aos bancos e como garantia da negociação lastreiam seus ativos reais ( seus produtos ). A instituição registra este empréstimo e o lastro, transformando em um título. O investidor compra este título com todas as características já definidas. Pode-se pensar como um empréstimo que o investidor faz ao banco, assim aumentando a linha de crédito no setor. A LCA possui algumas características bem interessantes. Sua emissão é feita por instituições públicas e privadas, sua rentabilidade pode ser prefixada e pós-fixada sobre um percentual da taxa DI. Toda a LCA tem uma data de vencimento de 60 a 720 dias após seu lançamento. O investidor que aloca seus recursos em uma LCA conta com a garantia primária do emissor, e com a garantia real do lastro da operação do crédito rural que a letra pertence. Conta ainda com o fundo garantidor de crédito no valor de até R$ 250 mil por CPF, mesma proteção da poupança e CDB. Sua rentabilidade é isenta de imposto de renda, portando uma LCA com rendimento de 92% da Taxa DI vencendo em 360 dias é o equivalente a 115% de um título de renda fixa, pois o mesmo paga IR de 20%, se o prazo for de 720 dias, seria o equivalente a 111,5% do título de renda fixa. Cada LCA tem um valor mínimo de aplicação, dependendo da negociação e do banco o valor parte de R$ 10 mil, R$ 50 mil, R$ 250 mil ou mais.

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Ambos os títulos são excelentes para investidores conservadores que não desejam sofrer alguma oscilação de mercado, principalmente passar por momentos de rentabilidade negativa e com horizontes de um a três anos, o que considero muito importante, pois tanto os Títulos do Tesouro quanto as LCAs possuem prazos de vencimentos estipulados. Portanto o resgate será somente nos devidos vencimentos. O montante aplicado em ambos não poderá ser mexido nem para emergência, pois a falta de liquidez é clara. Caso o objetivo for a aquisição de um novo imóvel, estipule o prazo desta aquisição com vencimento destes ativos. Na formação desta reserva, conte com os custos de administração e o imposto de renda no vencimento dos ativos, isto é necessário para saber quanto você precisa.

Francisco Cardoso é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). 

As respostas refletem as opiniões do autor. O IBCPF e o Infomoney não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações. Perguntas devem ser encaminhadas para onde_investir@infomoney.com.br

Prezado Hildebrand, 

Pouco a pouco é possível ver mudanças significativas no perfil de investimento dos brasileiros. Percebemos, por exemplo, o crescimento do numero de jovens que estão disponibilizando parte de sua renda para se planejar financeiramente para a sua aposentadoria. É um movimento que tende a crescer cada vez mais ao longo dos próximos anos, especialmente com a educação financeira em curso em nossa sociedade. 

 Sua iniciativa é digna de receber elogios e servir de exemplo a outros tantos… 

 Como seu planejamento para esse investimento tem um horizonte de 15 anos algumas observações importantes devem ser feitas. Em uma simulação com um investimento inicial de R$ 10.000 e aplicações regulares de R$ 500, com uma rentabilidade anual de 10%, atingiremos após 15 anos um capital de R$ 242.583, sem considerar a inflação no período. Com esse capital investido é possível viver com uma renda de aproximadamente R$ 2 mil/mês, complementando a sua aposentadoria. No entanto, a pergunta magica é como atingir essa rentabilidade para um baixo risco no investimento. 

 Com as informações presentes não é possível identificar qual o seu perfil de investidor, onde seria possível identificar o quanto de risco você esta propenso a aceitar em sua carteira de investimentos (para saber o seu perfil de investidor é aconselhável buscar sua instituição financeira e responder ao questionário “Suitability”). No entanto, podemos considerar que você segue o padrão brasileiro de conservadorismo em seus investimentos, bastante carregado de “renda fixa” , mas propenso a conhecer novos produtos para pequenos investimentos. 

 Sugiro, para você superar a rentabilidade apresentada na simulação, que divida seu patrimônio em 2 partes. 

 A primeira parte é separar R$ 5 mil inicial e 80% de suas aplicações regulares para um fundo de renda fixa com credito privado que supere consistentemente 100% do CDI. Muitos fundos conseguem superar esse benchmark, e possuem aplicações inicias bastante acessíveis. Prefira esse investimento as NTN-Bs e a sua aplicação em imóveis. 

 Para os outros R$ 5 mil iniciais, e 20 % de suas aplicações mensais (R$100,00), podemos ser um pouco mais arrojados, buscando atingir uma rentabilidade superior do que a renda fixa. Como sua disponibilidade atual é pequena para ser investida diretamente em ações (coma na sua atual carteira de ações de Vale e Itau), uma excelente alternativa são os fundos de ações. 

 Os fundos de ações são, para a grande maioria dos investidores, a melhor alternativa para seus investimentos em renda variável. Apresentam vantagens como liquidez, diversificação e uma gestão profissionalizadas dos seus investimentos. Com ele você estará bem atendido para atingir sua meta de longo prazo na aposentadoria. Procure gestoras com comprovada competência em sua equipe de analise, e fundos de ações que sejam considerados “Ibovespa ativo”, com a intenção de superar o bechmark. Prefira esses as ações propriamente ditas. 

 E lembre-se: o resultado do seu sucesso financeiro também depende de você! 

 *Fabiano Pessanha, CFP, planejador financeiro certificado pelo IBCPF