Viraram “mainstream”? Investimentos alternativos ganham espaço nas carteiras

Painel da Expert XP discute expansão dos investimentos alternativos e os cuidados na escolha de ativos, gestores e no horizonte de longo prazo

Vitor Oliveira

(Foto: Fabio Rizzato / InfoMoney)
(Foto: Fabio Rizzato / InfoMoney)

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Investimentos alternativos, como private equity, imóveis e infraestrutura, estão ganhando espaço nas carteiras de investidores individuais, mas a expansão da alocação exige atenção ao risco, ao prazo e à escolha do gestor, afirmaram especialistas durante painel sobre o tema realizado na Expert XP 2026 nesta sexta-feira (24), em São Paulo.

A discussão ocorreu em um momento em que os juros reais elevados tornam a renda fixa mais atraente para os investidores brasileiros. Para os participantes, porém, a concentração em uma única classe de ativos pode limitar a diversificação da carteira e deixar de lado oportunidades ligadas à economia real.

Segundo os especialistas, investimentos alternativos podem ampliar a diversificação de uma carteira, mas exigem mais do que a busca por uma classe de ativos com potencial de retorno. A análise da estratégia, do risco, do prazo e da capacidade do gestor de selecionar e desenvolver os investimentos é parte central da decisão.

Para Thiago Bronzi, sócio e líder de investimentos para rodovias na Pátria Investimentos, o termo “alternativos” vem perdendo parte do sentido original à medida que esses ativos passam a ser acessados por um grupo maior de investidores.

“O alternativo está se tornando mainstream, porque, apesar do risco que é inerente, o private equity e o imobiliário são lastreados em ativos reais, e isso traz uma segurança na volatilidade”, afirmou.

Segundo Bronzi, a diversificação proporcionada por esses investimentos é uma tendência de longo prazo. “É uma tendência irreversível que haja uma alocação para os alternativos em função da complementariedade que essa classe traz para uma carteira”, disse.

A tese também foi defendida por Marcus Valpassos, sócio gestor imobiliário na Icatu Vanguarda. Para ele, o cenário de juros reais elevados no Brasil dificulta a migração de investidores para ativos de maior risco, mas não elimina as oportunidades na economia real.

“É impossível dissociar o patamar atual de juros de um cenário de risco fiscal”, afirmou. Segundo Valpassos, o ambiente atual é “extremamente desafiador”, mas a análise da economia real apresenta um quadro diferente.

O gestor citou a queda do desemprego e o desempenho de setores como imóveis, logística, shopping centers e hotelaria como fatores que podem influenciar a avaliação de investimentos ligados a ativos reais.

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“Se a gente concluir que parte relevante dos juros no Brasil é fruto de um acréscimo de risco, uma carteira bem administrada age como amortecedor de volatilidade”, afirmou.

Para Valpassos, a construção de uma carteira capaz de atravessar diferentes ciclos econômicos é uma das principais oportunidades para os investidores no setor imobiliário. “A oportunidade da década no meu setor é montar uma carteira que tenha essas características de resiliência”, disse.

Longo prazo e criação de valor

Na avaliação de Chu Kong, head de private equity na XP Asset, o investimento em private equity pode ser dividido em três etapas: a definição da tese, a criação de valor e a saída do investimento.

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“O início é a tese de investimento. A gente é criador de teses de investimento, que é como você investe e o que vai proporcionar de retorno ao seu investidor. O meio é a criação de valor. O fim é a saída”, afirmou.

Como exemplo, o executivo citou o investimento na LiveMode, empresa responsável pela operação da CazéTV, canal de conteúdo esportivo criado pelo streamer Casimiro Miguel.

Segundo Guilherme Teixeira, sócio do prive equity da XP Asset e conselheiro da LiveMode, a tese de investimento estava relacionada ao crescimento da oferta de conteúdo esportivo em plataformas de streaming.

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A CazéTV ganhou projeção após a transmissão de partidas de futebol e, posteriormente, ampliou sua presença no mercado de direitos esportivos. “Nosso aporte fez com que a companhia consolidasse esse modelo de negócio”, afirmou Teixeira.

O caso, segundo os participantes, ilustra uma das principais características do private equity: o retorno não depende apenas da compra de um ativo, mas da capacidade do gestor de contribuir para a expansão e a transformação da empresa investida.

Erros estão no curto prazo e na escolha do gestor

Ao final do painel, os especialistas foram questionados sobre os principais erros cometidos por investidores que começam a olhar para os ativos alternativos.

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Para Valpassos, um dos problemas é a concentração excessiva no curto prazo e a subestimação de riscos que se manifestam ao longo do tempo.

“Acho que é pensar muito no curto prazo, ignorar riscos sistêmicos que acontecem ao longo do tempo e abrir mão de oportunidades na economia real que dão segurança quando você consegue fazer uma gestão consciente dos dois ativos”, afirmou.

Bronzi destacou a escolha do gestor como um dos principais pontos de atenção.

“O fundamental para quem está vindo do investimento tradicional para o alternativo é a seleção do gestor. O bom gestor vai conseguir separar, de todos os ativos disponíveis, aqueles que têm valor”, disse.

Para ele, o investidor deve entender quem está responsável pela gestão do recurso. “O primeiro passo é entender com quem está investindo, porque esse vai ser o representante naquela seleção de valor”, afirmou.

Chu concordou. “Para você entrar em alternativos, que representam riscos, comece pela seleção do seu time e seu gestor, com um track record robusto”, disse.