VGBLs devem competir com a caderneta de poupança

Perfil do investidor que compra planos de previdência privada no Brasil está mudando com os VGBLs, mulheres já tem 40% do mercado de previdência

Publicidade

SÃO PAULO – Contrariando tendência registrada no mercado internacional, as seguradoras brasileiras têm motivos suficientes para comemorar, uma vez que o sucesso de vendas dos planos de previdência tem contribuído para o bom resultado das empresas. Se o perfil das pessoas que investem em previdência tem mudado ao longo do tempo, a entrada no mercado dos novos seguros de vida resgatáveis, os VGBLs (Vida Gerador de Benefício Livre) certamente tem muito a ver com isto.

Competindo com a caderneta de poupança

Os novos seguros foram aprovados no início do ano, mas sua venda só começou mesmo em março deste ano, e desde então o sucesso tem sido absoluto. As vendas superam todas as expectativas e levam muitos especialistas do setor a acreditar que o produto pode, em algum tempo, passar a competir inclusive com a caderneta de poupança.

Depois de anos na liderança absoluta da preferência entre os investidores brasileiros, a caderneta de poupança finalmente tem um produto que pode competir com ela em termos de captações de recursos. O grande atrativo da poupança é, sem dúvida, o tratamento tributário, pois a poupança está isenta de pagamento de imposto de renda sobre os rendimentos.

Além disto, como não existem restrições quanto ao valor mínimo aplicado acaba atraindo o pequeno investidor que não tem outra alternativa de investimento. Nos investimentos em fundos de investimento, a combinação de taxas e impostos torna a aplicação atrativa apenas para quem tem pelo menos R$ 1 mil para investir por um prazo maior de três meses.

Ao optar pela caderneta o pequeno investidor acaba abrindo mão da rentabilidade, pois o rendimento da poupança é de apenas TR+0,5% ao mês, ou cerca de 0,70%. A entrada dos VGBLs pode mudar esta situação, pois além de aceitar aplicações mínimas a partir de R$ 15, o VGBL também oferece um tratamento fiscal atrativo, pois é possível adiar o pagamento do imposto de renda até a data de resgate, isto sem falar que o imposto é calculado somente com base nos rendimentos e não sobre o total acumulado. Por último, os novos produtos permitem que o interessados escolham uma opção de acordo com o seu perfil de risco, e na maioria das vezes oferece retornos mais atrativos que os da poupança, principalmente em um horizonte de investimento de médio prazo.

Na visão de alguns especialistas do setor o VGBL veio ameaçar a hegemonia da poupança como
alternativa de investimento entre os pequenos investidores.

Continua depois da publicidade

Perfil do investidor mudou bastante

O presidente da Anapp, Fuad Noman, chegou inclusive a estimar que o potencial do mercado de previdência privada mais do que dobrou com a introdução do novo produto, que deve atrair cerca de 16 milhões de pessoas, pois atende não somente as pessoas que declaram imposto através do formulário completo, mas também os isentos e os que declaram através do formulário simplificado.

Um reflexo do novo produto já pode ser notado, inclusive, no perfil dos investidores interessados em comprar planos de previdência. Se antes o perfil dos interessados neste tipo de produto era de homens, de alta renda com 45 anos, agora um número maior de pessoas jovens com renda entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil já se interessa pelo produto.

Outra mudança que podemos notar é o aumento da presença das mulheres no mercado. Se no início dos anos 90 as mulheres quase não sabiam o que era previdência privada, agora já representam cerca de 40% do mercado. Pelo menos esta é a estimativa do vice-presidente da Anapp, Osvaldo Nascimento.

Continua depois da publicidade

Esta tendência não chega a surpreender, visto que as mulheres em geral são mais preocupadas com o futuro da família, e exatamente por isso os produtos de previdência têm um apelo tão forte entre elas. A possibilidade de garantir uma renda adicional para a família durante sua aposentadoria ou o futuro dos filhos através dos novos produtos direcionados a este segmento certamente são fatores que as mulheres levam em conta na hora de contratar um plano de previdência.

Diante do forte instinto materno da maioria não é de se estranhar que a maior procura entre as mulheres seja pelas chamadas renda para menores, que são produtos voltados para a garantia do futuro dos filhos. Na opinião de Nascimento, outro fator que contribui para o aumento do interesse feminino pelos produtos de previdência é o fato de que além de serem bastante transparentes não é preciso muito para começar a investir.