Verde vê mais incerteza eleitoral com Flávio candidato e amplia proteção na Bolsa

Gestora cita prêmios de risco baixos e uma subestimação do cenário de manutenção do governo Lula; apesar disso, segue apostando no real contra o dólar

Paulo Barros

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A Verde Asset Management afirmou que, após um novembro favorável aos ativos brasileiros, esse quadro se alterou com o fator Flávio Bolsonaro “invocando a primazia da família em liderar o campo à direita” nas eleições e elevou a incerteza sobre 2026, pressionando os preços locais e levando a gestora a reforçar a estratégia com estruturas de opções.

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Com o aumento da incerteza e prêmios de risco mais baixos após a alta de 2025, a gestora de Luis Stuhlberger optou por ampliar a exposição à Bolsa local por meio de estruturas de opções longas. Na leitura da casa, parte dos investidores reconhece o potencial de valorização em caso de mudança de governo, mas tende a minimizar riscos associados à continuidade do atual governo.

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“Assim, preferimos buscar alinhar exposição ao potencial de alta com uma adequada proteção para os cenários mais negativos que nos parecem mal precificados.”

Comprada em dólar fraco

No exterior, a Verde pontua que espera por uma possível manutenção da taxa de juros americana por mais tempo, após parte do Federal Reserve resistir à possibilidade de corte em dezembro, enquanto o presidente Jerome Powell e membros mais inclinados à flexibilização sinalizaram apoio a uma redução de 25 pontos-base.

A Verde vê risco de que o substituto de Powell no Fed adote postura mais alinhada a pressões políticas, com juros reais e nominais abaixo do que os fundamentos sugeririam, ao mesmo tempo em que estímulos fiscais previstos para o início de 2024 podem impulsionar o crescimento americano.

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Diante disso, a casa manteve posição comprada em inflação implícita nos EUA e aplicação em juro real, além da compra de moedas contra o dólar, incluindo renminbi, ouro e real.

Em novembro, o fundo Verde registrou ganhos em ações brasileiras, ouro, crédito e nas posições de juro real local. As perdas vieram de bolsa global, juro real americano e cripto, que teve fatia reduzida pela primeira vez desde que a tradicional gestora se expôs a esse setor.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)