Verde diz que situação fiscal do Brasil é frágil e aposta no “combo inflação + dólar”

Gestores afirmam que "números tendem a melhorar", mas ainda é necessário ter cautela e esperam resultados concretos após governo falar em corte de gastos

Monique Lima

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A combinação de uma posição fiscal frágil com barulho político foi explosiva para o mercado de capitais brasileiro em junho, na análise da Verde Asset Management, gestora do renomado Luis Stuhlberger. Os gestores avaliam que o mês foi marcado por uma deterioração mais aguda dos ativos brasileiros.

“A maioria das variáveis macroeconômicas correntes estão em trajetória decente, não há vulnerabilidades externas relevantes, mas a combinação de posição fiscal frágil com barulho político se tornou explosiva neste último mês, com o Real se desvalorizando 6,6% e as taxas de juros de médio prazo subindo violentamente”, destacou a gestora em carta divulgada nesta segunda-feira (8).

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Na avaliação da Verde, a situação fiscal é sim bastante frágil, mas “os números tendem a melhorar daqui por diante”, devido ao grande volume de despesas adiantadas, como o pagamento de precatórios, entre outros.

O que não minimiza a preocupação dos gestores. Para eles, enquanto o governo não reconhecer que o crescimento dos gastos foi “descontrolado nestes primeiros 18 meses de mandato”, a situação continuará “volátil e difícil”.

Entretanto, a Verde indica algum otimismo ao afirmar que houve sinais de que a percepção do governo mudou nos últimos dias, após anúncios de cortes de despesas. Mas alerta: “o mercado precisará ver resultados concretos nos números, e não comprará apenas promessas”.

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Diante desse cenário, o fundo Verde mantém sua aposta em alta do dólar contra o real, assim como mantém seus 7,5% em Bolsa brasileira. Os gestores também estão comprados em ativos que se beneficiam do aumento da inflação implícita no Brasil, que é a diferença entre as taxas de juros nominal e real (que considera a inflação, usada como principal indicador do nível futuro de preços).

Já ao olhar para o exterior, a gestora destacou que o mês de junho foi benigno, com bolsas em alta e taxas de juros em leve acomodação. Os gestores argumentam que os dados econômicos estão acomodados e esperam um corte de juros pelo Federal Reserve (banco central dos EUA) em setembro.

O cenário político na terra do Tio Sam também já entra no radar: “nos próximos meses a eleição americana deve se tornar fator dominante na precificação dos ativos e seguimos buscando posicionar o portfólio para se beneficiar disso”, diz a carta.

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As escolhas nos EUA têm sido por juro real (taxa nominal “oficial” com desconto da inflação), Bolsa global e crédito privado high yield.

Em junho, o fundo Verde apresentou retorno de 1,66%, contra 0,79% do CDI. No acumulado do ano, os ganhos chegam a 2,40%, contra 5,22% da taxa de referência da classe.