Verde, de Stuhlberger, aproveita correção e volta a comprar bolsa brasileira

Gestora de Stuhlberger vinha reduzindo exposição a ações locais e aproveitou correção para ir às compras

Paulo Barros

Luis Stuhlberger (Foto: Germano Lüders)
Luis Stuhlberger (Foto: Germano Lüders)

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No último dia de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram os ataques ao Irã e o mercado brasileiro despencava junto com os demais ativos de risco globais, a Verde Asset, de Luis Stuhlberger reduziu ainda mais sua exposição à bolsa local. Mas só para voltar mais tarde. Já com a turbulência instalada e os ativos brasileiros pressionados, a gestora voltou às compras.

O pano de fundo da decisão é um mercado que, na avaliação da própria gestora, sofreu uma correção “majoritariamente técnica, com redução de fluxos.” Em outras palavras: a queda não refletia uma deterioração dos fundamentos, mas um ajuste de posições num momento de incerteza. Para a Verde, isso significou um ponto de entrada.

A janela surgiu após o fechamento do Estreito de Ormuz para petroleiros fazer o barril do petróleo disparar como “poucas vezes visto na história”, disse a Verde em carta mensal. O choque derrubou ações, pressionou câmbio e jogou os juros futuros para cima no mundo todo.

No Brasil, o efeito foi amplificado pelo fato de que os ativos vinham sem gordura. Ações, câmbio e taxas de juros estavam precificados sem margem para absorver surpresas. A correção veio rápida e intensa.

A visão da Verde sobre o Brasil não ignora os riscos. A casa reforça que escândalos políticos trazem “preocupação com deterioração institucional” e aponta que o ciclo eleitoral “começa, para valer, em breve.” Os ventos externos ditam a direção de curto prazo, mas o ambiente doméstico adiciona uma camada de incerteza que a gestora não descarta.

A aposta na bolsa brasileira, feita no meio da turbulência, ainda vai se provar ou não. Mas o movimento já está registrado, e o timing, por ora, parece ter sido favorável: no fechamento desta segunda, o Ibovespa saltava mais de 1,3%, passando dos 181.800 pontos, após Trump afirmar à CBS que a guerra contra o Irã “está praticamente concluída.”

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A volta à bolsa brasileira não foi o único ajuste. A Verde ajustou o portfólio contando uma história coerente sobre o momento do mundo: o dólar perde força, os emergentes ganham espaço, e o Brasil, apesar do ruído, faz parte dessa equação.

No livro de moedas, a gestora manteve o renminbi chinês, incluiu o iene japonês na cesta contra o dólar, reduziu o euro e manteve opções de compra no real. Na renda fixa local, seguiu comprada em juro real. Nos EUA, manteve aplicação em juro real e posição comprada em inflação implícita. A posição em ouro foi mantida, assim como a alocação de crédito.

O fundo encerrou fevereiro com alta de 1,44%, contra 1,00% do CDI no período. No acumulado do ano, 4,51% ante 2,17% do benchmark. O book de ações foi responsável por 1,62 ponto percentual do resultado acumulado em 2026, o maior contribuidor individual do fundo no período. As perdas vieram de crédito, que subtraiu 0,40 ponto percentual no acumulado do ano.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)