Venda a descoberto: vale a pena operar apostando na baixa?

Neste tipo de operação, o investidor vende uma ação, mesmo sem tê-la em seu portfólio, apostando na desvalorização do papel

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SÃO PAULO – Ganhar com a valorização da bolsa não está fácil ultimamente, já que o mercado acionário segue com muita oscilação e muitas ações estão sendo penalizadas com queda acentuada durante o ano. Neste cenário, alguns investidores começam a buscar formas alternativas de obter lucro com a compra e venda de ações. No caso da venda a descoberto, a ordem muda: a intenção é lucrar com a venda e compra de ações na bolsa de valores.

Isto porque, neste tipo de operação, o investidor vende uma ação, mesmo sem tê-la em seu portfólio, apostando na desvalorização do papel. Se optar pelo day trade, é preciso recomprar a ação até o final do dia. Se o preço da ação cair, como o investidor esperava, ele embolsa o lucro. Caso haja valorização, é preciso arcar com os prejuízos.

“Muitas corretoras disponibilizam uma margem para o investidor fazer venda a descoberto no day trade, e é possível até mesmo operar alavancado (com recursos emprestados)”, afirma o analista da Futura Investimentos, Alan Oliveira. Entretanto, ele lembra que operar vendido no day trade é uma operação bastante arriscada. “Para fazer este tipo de transação você precisa ter um conhecimento avançado, principalmente se for operar alavancado”, afirma.

O estrategista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi, concorda e lembra que este tipo de operação exige bastante cuidado e experiência dos investidores. “Operar vendido no day trade não é para qualquer um, é mais para quem conhece o mercado”, afirma.

Alugar ações
Outra forma de “operar vendido” é alugando ações. Neste caso, o investidor tem um prazo maior para operar com a tendência de queda daquela ação. Funciona da seguinte maneira: O investidor aluga um papel, vende e recompra quando as ações recuarem até o preço que ele esperava.

Para ficar mais claro, vamos dar um exemplo: um investidor aluga 50 ações da empresa X e as vende em seguida por R$ 100 cada, embolsando R$ 5.000. Depois de 10 dias, essas ações desvalorizam e passam a valer R$ 80 cada. O investidor, então, recompra essas ações, gastando R$ 4 mil, para devolve-las ao dono. Os R$ 1 mil de diferença entram como lucro da operação.

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Para o analista da Futura, operar vendido desta maneira é muito parecido com especular com a alta do mercado. “Existe um paradigma de que operar na baixa é mais difícil, mas no caso de quem aluga as ações, as dificuldades são as mesmas com a diferença que se aposta na queda do mercado e não na alta”, afirma.

Para ele, este tipo de transação pode sim valer a pena, desde que o investidor esteja ciente dos riscos e tenha conhecimento de como funciona a venda a descoberto. “É uma maneira de lucrar mesmo com o mercado em queda”, pontua.

Pedro Galdi, da SLW, ressalta que o mais importante é que o investidor tenha ciência do seu perfil de risco. “Operar vendido é para aquele investidor agressivo, que aceita correr riscos mais elevados”, diz.

Análise de gráficos
Quem opera vendido logicamente não está nem um pouco preocupado com o crescimento da empresa, ou com os números divulgados no seu balanço. “Para fazer venda a descoberto é preciso apenas operar na tendência de queda do papel”, ressalta Oliveira. Por isso é necessário ter conhecimento de análise gráfica, para saber o melhor momento de entrada e saída do papel.

“É o humor do mercado que vai definir se a transação vai ou não ser bem sucedida e quem identifica este humor é a análise técnica”, ressalta Soares. Por isso, o ideal é que o investidor procure se especializar com livros e cursos específicos sobre o tema.

Proibição na Europa
Na última segunda-feira (23), os reguladores do mercado de capitais da Espanha e da Itália proibiram a venda de ações a descoberto pelos próximos três meses, com o objetivo de reduzir as especulações na Zona do Euro.

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Segundo a reguladora espanhola CNMV, a medida é necessária para combater a “forte volatilidade” do mercado acionário do país. Já na Itália, o processo envolverá apenas ações de bancos e seguradoras, tendo em vista a recente performance desses setores nas bolsas locais.

O anúncio veio um ano depois da última proibição, em agosto de 2011. Também aderiram à prática, na época, a França e a Bélgica.

Diego Lazzaris Borges

Coordenador de conteúdo educacional do InfoMoney, ganhou 3 vezes o prêmio de jornalismo da Abecip