Vale investir em Bitcoin em 2026? Mercado vê menos retorno, mas mais segurança

Gestoras e bancos veem mercado mais institucional, volatilidade menor e oportunidades seletivas

Paulo Barros

 REUTERS/Dado Ruvic
REUTERS/Dado Ruvic

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O mercado de criptomoedas entra em 2026 com um perfil diferente daquele que atraiu investidores nos ciclos anteriores. Após um 2025 que terminou na primeira queda em três anos, apesar de fluxos elevados e maior adoção institucional, casas globais avaliam que o Bitcoin (BTC) se tornou um ativo mais previsível, com menor volatilidade e retornos potencialmente menos explosivos, mas também com riscos mais controlados.

A gestora 21Shares afirma que o ciclo clássico de quatro anos perdeu protagonismo. “O halving ainda importa como roteiro monetário transparente do Bitcoin, mas seu impacto marginal está diminuindo”, diz a casa. Com a emissão anual abaixo de 1%, inferior à inflação do ouro, o Bitcoin estaria migrando “de ciclos de boom e colapso para um comportamento mais maduro, como ativo macro”.

A Hashdex segue leitura semelhante ao afirmar que o mercado passou a ser ancorado por fluxos estruturais. Para a gestora, “o ciclo de quatro anos já não define mais o ritmo”, à medida que entradas institucionais, maior clareza regulatória e integração ao sistema financeiro tradicional ganharam peso.

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Menos volatilidade, mais disciplina

A Coinbase aponta que a entrada de investidores institucionais alterou profundamente a dinâmica do mercado. Em 2025, os ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos acumularam cerca de US$ 58 bilhões em entradas líquidas desde o lançamento. “Esse capital é estruturalmente mais paciente”, destaca a corretora.

Como resultado, a volatilidade caiu. No fim de 2025, a volatilidade histórica de 90 dias do Bitcoin ficou entre 35% e 40%, patamar semelhante ao de ações de tecnologia de alto crescimento. Segundo a Coinbase, o ativo passou a responder menos a eventos programados, como o halving, e mais a “liquidez global, política monetária e fluxo institucional”.

Para o investidor, isso muda o foco da decisão: em vez de buscar o próximo rali, a discussão passa a ser qual papel o Bitcoin e os criptoativos devem ocupar em uma carteira diversificada.

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O que esperar para 2026 – e quanto investir?

O pano de fundo macroeconômico continua central para a tese de investimento. O JPMorgan avalia que o dólar seguirá como principal moeda de reserva global, mas reconhece que a busca por alternativas ganhou força. “A instrumentalização do dólar incentiva a diversificação. Os bancos centrais compraram volumes recordes de ouro em busca de alternativas independentes”, diz o JPMorgan, que vê espaço para nova valorização do metal em 2026, e observa que as criptomoedas passaram a integrar essa discussão.

Para o Mercado Bitcoin, esse movimento abre espaço para uma mudança estrutural. A plataforma projeta que o Bitcoin alcance ao menos 14% da capitalização do ouro até 2026, mais que o dobro da fatia atual. “O Bitcoin avança justamente onde o ouro encontra limitações”, afirma, citando a facilidade de custódia, liquidação e transferência global do ativo digital.

A VanEck avalia que 2026 deve ser um ano de consolidação, não de euforia nem de colapso. “Em ciclos anteriores, o Bitcoin chegou a cair cerca de 80%. Com a volatilidade realizada hoje aproximadamente pela metade, isso implicaria um drawdown proporcional mais próximo de 40%”, afirma a gestora, acrescentando que o mercado já absorveu cerca de 35% desse ajuste.

Na segunda-feira (5), a criptomoeda era negociada em alta, novamente acima do patamar de US$ 90 mil.

Nesse cenário, a VanEck defende uma exposição disciplinada. “Favorecemos uma alocação de 1% a 3% em Bitcoin, construída gradualmente, com adições durante desalavancagens e redução em momentos de excesso especulativo”, afirma.

A Hashdex vai além, e defende uma alocação de 5% na criptomoeda.

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Onde estão as oportunidades além do Bitcoin

Segundo a VanEck, as oportunidades mais claras em 2026 estão fora da simples aposta direcional no bitcoin. A gestora destaca a reestruturação do setor de mineração. “Os operadores estão tentando financiar expansão de hash rate e infraestrutura de IA ao mesmo tempo, pressionando balanços e ampliando a diferença no custo de capital”, diz.

A Hashdex observa movimento complementar ao apontar que a convergência entre cripto e inteligência artificial tende a ganhar relevância. Para a casa, “redes descentralizadas estão sendo usadas para resolver gargalos de verificação, coordenação e custo na infraestrutura de IA”, criando novos modelos baseados em staking, provas criptográficas e mercados descentralizados de computação.

Outro vetor citado é o avanço das stablecoins em pagamentos corporativos. “As stablecoins estão entrando em fluxos reais de pagamentos entre empresas”, afirma a VanEck, ao destacar ganhos de eficiência e redução de custos de liquidação internacional. A Hashdex acrescenta que a adoção tende a ser impulsionada por melhorias regulatórias e maior integração com plataformas financeiras tradicionais.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)