UBS calibra projeções após Copom, mas ainda vê real forte e janela em juros

Banco revisa ritmo do ciclo de afrouxamento para 25 pontos por reunião diante do petróleo alto, mas mantém real como principal aposta na América Latina e vê chance de queda do juro longo

Paulo Barros

Logo do UBS em escritório do banco, em Zurique, na Suíça
25/10/2022
REUTERS/Arnd Wiegmann
Logo do UBS em escritório do banco, em Zurique, na Suíça 25/10/2022 REUTERS/Arnd Wiegmann

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O UBS BB recalibrou suas projeções para os próximos meses, reduzindo a expectativa de cortes futuros da Selic após o Banco Central cortar a taxa básica em 0,25 ponto percentual, mas ressaltando cautela mais à frente. Por outro lado, o banco suíço reforçou sua aposta no real e nos títulos longos brasileiros.

Nas próximas duas reuniões, em junho e agosto, os analistas passaram a esperar redução de 0,25 ponto percentual em cada, em vez do 0,50 ponto esperado anteriormente. O motivo é o preço elevado do petróleo: a avaliação do UBS BB é de que, enquanto o barril de Brent não recuar de forma consistente abaixo de US$ 90, o BC deve manter esse ritmo mais gradual de cortes.

Para setembro, o banco ainda projeta uma redução maior, de 0,50 ponto, mas ressalva que, a partir daí, o total de cortes dependerá da situação fiscal do país e de seus efeitos sobre a inflação, especialmente com as eleições de outubro no horizonte.

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Com a taxa de juro real brasileira em torno de 10% ao ano e a taxa considerada neutra estimada em 6%, o UBS BB entende que a política monetária ainda está bastante restritiva, o que sustenta a aposta de que o ciclo de cortes, mesmo que gradual, tem espaço considerável pela frente.

Real forte e oportunidade em juros

Um elemento do comunicado do Copom reforça essa leitura. Ao descrever os próximos passos, o BC deixou claro que pode ajustar não apenas a velocidade dos cortes, mas também o tamanho total do ciclo de afrouxamento, tanto para mais quanto para menos, dependendo de como a economia e a inflação evoluírem.

Apesar de um ciclo de cortes mais lento, o UBS BB mantém o real como sua principal aposta na região, posicionado contra o peso mexicano e o peso chileno. Para o banco, a combinação de um BC cauteloso com petróleo em alta favorece a moeda brasileira, que também se beneficia do perfil exportador do país: o Brasil ganha tanto quando a energia sobe quanto quando as tensões globais arrefecem e o apetite por risco melhora.

Nos títulos longos, o banco mantém posição comprada em papéis de dez anos. Mesmo após o movimento recente das taxas, avaliam os analistas, os juros longos ainda estão em níveis historicamente atrativos, o risco fiscal de curto prazo é considerado limitado e as eleições de 2026 criam uma janela favorável.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)