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Treasuries: como postura do Fed afeta investimento na renda fixa americana?

Banco central dos EUA manteve juros no mesmo patamar, mas sinalizou quedas em 2024

Ana Paula Ribeiro

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O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) manteve a taxa de juros na faixa 5,25% a 5,5% ao ano nesta quarta-feira (13), como esperado, mas indicou um número maior de cortes em relação ao sugerido três meses antes. Investidores podem se perguntar: a sinalização do Fed justifica aportes menores em títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries) em 2024?

Segundo especialistas, a renda fixa em dólar continua atrativa, mas é preciso estar atento para os títulos escolhidos: os ativos de prazo mais curto saem ganhando.

Os rendimentos dos Treasuries de dez anos, considerados referência para a precificação global de ativos, abriram a sessão desta quinta-feira (14) em queda, a 3,93% ao ano. Os papéis de dois anos foram a 4,31% e os mais longos, com vencimento em 30 anos, a 4,10% anuais. E os retornos tendem a cair ainda mais.

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As projeções divulgadas hoje mostram que o Fed espera que os juros cheguem ao final de 2024 em 4,6% ao ano, ante projeção anterior de de 5,1% divulgada em setembro. Para os especialistas, isso significa que a autoridade monetária americana elevou de dois para três os possíveis cortes nas taxas de juros no próximo ano.

Na avaliação de Fábio Zaclis, gestor de fundos macro e renda fixa da Daycoval Asset, essa sinalização do banco central americano reflete a visão de que o aperto monetário está surtindo efeito, desacelerando a economia e levando a inflação para a meta de 2%.

“A nossa avaliação é que os dados de atividade vão mostrar um arrefecimento mais significativo no segundo trimestre, abrindo caminho para o Fed fazer os cortes (nas taxas)”, diz.

A maior parte do mercado apostava que os cortes começariam em maio. Após a reunião desta quarta-feira, os dados do CME mostram que há uma maior probabilidade de o corte começar já em março, na segunda reunião do ano.

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Os dados divulgados pela autoridade monetária americana também mostram que a inflação do consumo pessoal, medida pelo índice PCE, deve terminar o ano em 2,4%, ante 2,5% da projeção anterior. Já a dos juros caiu em uma proporção maior, de 5,1% para 4,6%.

Para Zaclis, isso mostra que há um conforto maior do Fed em relação ao nível de taxa de juros que será suficiente para os preços desacelerarem ainda mais.

“Um juro real menor será suficiente para a inflação de longo prazo convergir para os 2% da meta’, conta.

Treasuries recomendados

Enquanto a queda dos juros não se concretiza, o gestor do Daycoval vê que há espaço para o investidor aproveitar os ganhos da renda fixa americana, mas recomenda cautela na escolha dos prazos. Para ele, há riscos consideráveis na estratégia de garantir um juro alto em títulos de vencimento muito longos.

“Quando falamos de taxas de longo prazo, temos que olhar o nível de equilíbrio dos juros e a situação fiscal americana. Taxas de dez anos passam a depender não só da política monetária, mas também de outros fatores, então preferimos os títulos de até dois anos“, diz.

Daniel Miraglia, economista da Integral Investimentos, também recomenda cautela na escolha dos prazos. A instituição acompanha a expectativa de três cortes até o final do ano, com a economia americana em um processo de pouso suave – vai desacelerar, mas sem recessão consistente.

Para ele, a escolha do investimento deve ser feita de acordo com o perfil e objetivo do investidor. No caso de títulos americanos, quase sempre pré-fixados, o investidor precisa lidar com mais volatilidade à medida que o prazo de vencimento sobe.

“No nosso cenário, a curva longa vai fechar mais (queda de juros), então vale a pena comprar agora. Mas é uma aposta de risco. Tem uma volatilidade muito grande se o investidor for sair antes do papel”, diz.

Guilherme Morais, analista da VG Research, também vê a volatilidade como um fator para limitar os aportes nos papéis de médio prazo, com vencimento de até cinco anos.

“A janela ainda é favorável para a renda fixa americana, sendo que títulos de médio prazo, com média de 5 anos, podem ser uma boa opção, pois estão com juros próximos ao de 10 anos, com menor volatilidade”, explica.

Para o investidor que quer aproveitar esse movimento e, ao mesmo, tempo, ter liquidez, Morais recomenda os ETFs iShares Treasury Floating Rate Bond (TFLO) e o SPDR Bloomberg 1-3 Month T-Bill (BIL).

“Eles possuem os títulos mais próximos do que temos do Tesouro SELIC que temos no Brasil. É uma alternativa para criar uma reserva em dólar”, sugere.

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Ana Paula Ribeiro

Jornalista colaboradora do InfoMoney