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Os traders de títulos deixaram de enxergar qualquer chance de o Federal Reserve cortar os juros neste ano, depois de o Banco da Inglaterra reforçar o temor de que os BCs globais possam ter de agir em breve contra a inflação.
Os juros dos bonds na Europa e nos EUA subiram em toda a curva, com os rendimentos dos Treasuries de dois anos — que costumam reagir mais rápido às expectativas sobre o Fed — avançando 11 pontos-base, para 3,89%.

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Operadores de renda fixa zeraram as apostas em corte de juros nos EUA em 2026 e alguns já começam a se proteger até contra uma possível alta nos próximos meses, num momento em que o petróleo volta a disparar com a guerra no Oriente Médio em andamento.
“Tudo isso está sendo guiado pela decisão do Banco da Inglaterra, já que o mercado agora precifica 50 pontos-base de alta em 2026”, disse Tom di Galoma, diretor‑geral da Mischler Financial Group. “Os mercados de títulos na Europa estão em queda livre, e isso está puxando os yields nos EUA para cima também.”
Segundo ele, os fluxos são marcados pela falta de comprador “e basicamente só venda”, com o humor contaminado pela expectativa de um conflito mais longo. “A visão agora é de uma guerra com o Irã que pode durar meses, e não semanas.”
O movimento dos juros ganhou força, com forte volume em futuros de Treasuries, depois que o número semanal de pedidos iniciais de auxílio-desemprego, divulgado pelo Departamento do Trabalho, caiu de forma inesperada. Os dados reforçam a leitura de um mercado de trabalho ainda aquecido, o que tende a minar a confiança do Fed de que a economia americana precise de juros mais baixos para sustentar o emprego.
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Na quinta-feira, o Banco da Inglaterra decidiu por unanimidade manter a taxa básica estável e afirmou que “está pronto para agir” para conter qualquer nova onda de inflação provocada pela guerra no Oriente Médio.
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