Traders de títulos já não veem chance de corte de juros pelo Fed em 2026

Com guerra no Oriente Médio, petróleo em alta e Banco da Inglaterra soando o alerta para a inflação, mercado americano passa a precificar até nova alta de juros, em vez de corte pelo Fed

Bloomberg

Uma emissora de TV transmite o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, após reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), no pregão da Bolsa de Valores de Nova York, em 18 de março. Fotógrafo: Michael Nagle/Bloomberg
Uma emissora de TV transmite o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, após reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), no pregão da Bolsa de Valores de Nova York, em 18 de março. Fotógrafo: Michael Nagle/Bloomberg

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Os traders de títulos deixaram de enxergar qualquer chance de o Federal Reserve cortar os juros neste ano, depois de o Banco da Inglaterra reforçar o temor de que os BCs globais possam ter de agir em breve contra a inflação.

Os juros dos bonds na Europa e nos EUA subiram em toda a curva, com os rendimentos dos Treasuries de dois anos — que costumam reagir mais rápido às expectativas sobre o Fed — avançando 11 pontos-base, para 3,89%.

Operadores de renda fixa zeraram as apostas em corte de juros nos EUA em 2026 e alguns já começam a se proteger até contra uma possível alta nos próximos meses, num momento em que o petróleo volta a disparar com a guerra no Oriente Médio em andamento.

“Tudo isso está sendo guiado pela decisão do Banco da Inglaterra, já que o mercado agora precifica 50 pontos-base de alta em 2026”, disse Tom di Galoma, diretor‑geral da Mischler Financial Group. “Os mercados de títulos na Europa estão em queda livre, e isso está puxando os yields nos EUA para cima também.”

Segundo ele, os fluxos são marcados pela falta de comprador “e basicamente só venda”, com o humor contaminado pela expectativa de um conflito mais longo. “A visão agora é de uma guerra com o Irã que pode durar meses, e não semanas.”

O movimento dos juros ganhou força, com forte volume em futuros de Treasuries, depois que o número semanal de pedidos iniciais de auxílio-desemprego, divulgado pelo Departamento do Trabalho, caiu de forma inesperada. Os dados reforçam a leitura de um mercado de trabalho ainda aquecido, o que tende a minar a confiança do Fed de que a economia americana precise de juros mais baixos para sustentar o emprego.

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Na quinta-feira, o Banco da Inglaterra decidiu por unanimidade manter a taxa básica estável e afirmou que “está pronto para agir” para conter qualquer nova onda de inflação provocada pela guerra no Oriente Médio.

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