Títulos de inflação longos lideram alta no Tesouro Direto às vésperas do Copom

Tesouro IPCA+ 2050 avança novamente para perto de 7% de juro real ao ano, com petróleo em alta diante do impasse entre EUA e Irã sobre Ormuz

Paulo Barros

O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galipolo, participa de uma entrevista coletiva na sede do Banco Central do Brasil em Brasília, Brasil, em 27 de março de 2025. REUTERS/Adriano Machado
O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galipolo, participa de uma entrevista coletiva na sede do Banco Central do Brasil em Brasília, Brasil, em 27 de março de 2025. REUTERS/Adriano Machado

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O Tesouro IPCA+ 2050 lidera as altas no Tesouro Direto nesta segunda-feira (27), avançando 7 pontos-base para 6,96% ao ano, de 6,89% no fechamento de sexta-feira, num pregão combina vetores domésticos, com o Boletim Focus elevando a projeção de inflação para 2026, e a ausência de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, com o tráfego no Estreito de Ormuz seguindo praticamente parado.

Os demais vencimentos longos de inflação operaram com variação mais contida. O IPCA+ 2060 com juros semestrais subiu para 7,06%, de 7,05%, e o IPCA+ 2045 com juros semestrais avançou para 7,10%, de 7,09%. O IPCA+ 2040 recuou levemente para 7,03%, de 7,04%. No trecho intermediário, o IPCA+ 2032 subiu para 7,57%, de 7,54%, e o IPCA+ 2037 com juros semestrais se manteve estável em 7,33%.

Nos prefixados, o Tesouro Prefixado 2029 também registrou alta de 7 pontos-base, para 13,58%, de 13,51%. O Prefixado 2032 avançou para 13,70%, de 13,67%, e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 se manteve em 13,78%.

Oportunidade com segurança!

O Focus trouxe piora nas expectativas inflacionárias para 2026, enquanto a mediana para a Selic ao final do ano permaneceu em 13%, em linha com a precificação já embutida na curva. O resultado reforça a leitura de que o mercado não antecipa aceleração adicional do afrouxamento monetário na reunião do Copom desta semana, marcada para amanhã e quarta-feira, o que contribui para manter os prêmios nos vencimentos mais longos.

O Estreito de Ormuz segue como variável de risco de fundo. Apesar do anúncio iraniano de abertura da semana passada, os dados de movimentação marítima mostram que o fluxo ainda não se normalizou, sustentando o prêmio de incerteza sobre o petróleo e, por consequência, sobre as expectativas de inflação globais.

Veja as taxas do Tesouro Direto às 15h27 desta segunda-feira (27):

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TítuloRendimento AnualVencimento
Tesouro Selic 2031SELIC + 0,0833%01/03/2031
Tesouro Prefixado 202913,58%01/01/2029
Tesouro Prefixado 203213,70%01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203713,78%01/01/2037
Tesouro IPCA+ 2032IPCA + 7,57%15/08/2032
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037IPCA + 7,33%15/05/2037
Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,03%15/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,10%15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 6,96%15/08/2050
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060IPCA + 7,06%15/08/2060

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)