Tesouro suspende leilões e recompra de R$ 12,1 bi em títulos para conter taxas

Governo cancelou as vendas de títulos prefixados e de papéis corrigidos pelo IPCA previstas para esta semana, e passará a comprar papéis para combater a volatilidade

Paulo Barros

O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron (Foto: Diogo Zacarias/MF)
O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron (Foto: Diogo Zacarias/MF)

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O Tesouro Nacional anunciou nesta segunda-feira (16) que cancelou dois leilões de títulos públicos que estavam previstos para esta semana, e que passará a fazer recompras de papéis. A primeira compra já aconteceu nesta manhã, e resultou na aquisição de 7,25 milhões de títulos, em um volume financeiro de cerca de R$ 12,1 bilhões.

A medida vem após forte disparada nos juros futuros na última semana, em meio à incerteza sobre o fim da guerra do Irã que provocou a alta do petróleo e renovou temores inflacionários pelo mundo.

O leilão de títulos indexados à inflação (Tesouro IPCA+) estava marcado para terça-feira, e o de prefixados seria realizado na quinta (19).

O Tesouro informou que vai manter apenas o leilão das LFTs, também previsto para terça. As LFTs são os títulos ligados à taxa básica de juros, a Selic, e equivalem ao Tesouro Selic para o investidor pessoa física.

Em reação, os juros do Tesouro Direto amanheceram em baixa na maioria das modalidades, com destaque para os prefixados.

No comunicado, o órgão afirmou que o objetivo da medida é “oferecer suporte ao mercado de títulos públicos, assegurando seu bom funcionamento e o de mercados correlatos”.

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Recompras de prefixados

Mais tarde, o Tesouro concluiu essa atuação extraordinária com uma recompra relevante de títulos prefixados, sem vender nenhum papel ao mercado. No total, o governo aceitou recomprar 17,25 milhões de títulos, em um volume financeiro de cerca de R$ 12,1 bilhões.

Entre as LTNs (Tesouro Prefixado), o Tesouro comprou papéis com vencimento em 1º de janeiro de 2028 e 1º de janeiro de 2029, de 5 milhões de títulos cada. No papel de 2028, a taxa de corte ficou em 13,58%, com valor de R$ 3,98 bilhões. No de 2029, a taxa foi de 13,655%, com volume financeiro de R$ 3,51 bilhões.

Nos vencimentos mais longos, a recompra foi parcial. O Tesouro aceitou 1,15 milhão de LTNs (Tesouro Prefixado), com vencimento em 1º de janeiro de 2030, a uma taxa de corte de 13,8172%, somando R$ 707,1 milhões. Já no papel com vencimento em 1º de janeiro de 2032, também uma LTN, foram aceitos 3,65 milhões de títulos, a 14,005%, com financeiro de R$ 1,72 bilhão.

Também houve recompra de NTN-F (Tesouro Prefixado com juros semestrais) com vencimento em 1º de janeiro de 2031. Nesse caso, o Tesouro aceitou 2,45 milhões de papéis, a uma taxa de corte de 13,97%, em um volume financeiro de R$ 2,19 bilhões.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)