Tesouro Reserva não veio para concorrer com bancos, diz secretário

Daniel Leal diz que produto busca atrair quem ainda não investe e que bancos já demonstraram interesse em aderir ao novo título

Angelo Pavini

Daniel Leal, secretário do Tesouro Nacional (Foto: Divulgação/Tesouro)
Daniel Leal, secretário do Tesouro Nacional (Foto: Divulgação/Tesouro)

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O Tesouro Reserva não veio para disputar clientes com bancos nem pressionar o custo de captação do sistema financeiro, afirmou o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, após a cerimônia de lançamento do novo título, realizada nesta segunda-feira (11) na B3, em São Paulo. “A ideia não é pressionar ninguém, é só trazer eficiência e uma oportunidade de democratização para o público menos favorecido, as mesmas condições do grande investidor”, afirmou Leal.

O secretário reconheceu que o Tesouro Reserva tem características semelhantes às das caixinhas e cofrinhos oferecidos por bancos digitais, como liquidez imediata e rendimento de 100% da Selic, mas defendeu que os produtos são complementares. “O Tesouro Reserva tem semelhança com os cofrinhos, paga 100% da taxa Selic, o que é uma oportunidade de igualdade com a condição que o investidor institucional tem”, disse.

O mesmo raciocínio vale para a caderneta de poupança. “A caderneta tem seu papel, mas o Tesouro Reserva é uma evolução do que foi a poupança no passado e talvez traga alguns benefícios”, ponderou. “Não vejo o Tesouro Reserva atrapalhando alguma coisa na questão da poupança, mas é mais um produto para ajudar o poupador.”

Oportunidade com segurança!

Na prática, o Tesouro Reserva chega ao mercado com características muito próximas às dos produtos de liquidez imediata já oferecidos pelos bancos. Assim como as caixinhas e os cofrinhos digitais, permite aplicar e resgatar a qualquer hora, inclusive em fins de semana e feriados, com liquidação via Pix. O rendimento de 100% da Selic também é equivalente ao que os melhores CDBs de liquidez diária pagam.

A diferença mais concreta está na garantia: enquanto os produtos bancários têm cobertura limitada a R$ 250 mil pelo Fundo Garantidor de Créditos, o Tesouro Reserva conta com a garantia do governo federal. Para o pequeno investidor, que raramente ultrapassa esse teto, a distinção prática fica na isenção da taxa de custódia para aportes de até R$ 10 mil e na ausência do come-cotas, imposto antecipado que incide sobre fundos DI duas vezes por ano e corrói parte do rendimento ao longo do tempo.

Para Leal, o público-alvo do Tesouro Reserva é justamente quem ainda não participa do mercado de investimentos, e não o cliente que já aplica em CDBs ou fundos. “Esse cliente do Tesouro Reserva está fora do sistema de investimentos e a aplicação pode trazer esse poupador para o mundo dos investimentos”, afirmou. Os bancos, segundo ele, já enxergam o produto com interesse. “Alguns dos principais bancos já demonstraram interesse, mas têm de fazer a parte de desenvolvimento, isso demora um pouco.”

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O foco na inclusão financeira também aparece na meta de crescimento da base de investidores do Tesouro Direto. Leal disse que o programa tem hoje pouco mais de 2 milhões de investidores ativos e que o objetivo é superar a marca de 5 milhões a 10 milhões nos próximos dois a quatro anos. “O Tesouro Reserva vai ser o pontapé inicial para chegarmos a esse objetivo, ao atingir uma população que achava que não podia investir”, disse.

O secretário citou ainda o potencial educativo do produto para famílias de baixa renda. “Para a classe mais baixa, é possível guardar R$ 5, R$ 10, e isso vai somando e quando ele vir o que tem na reserva de emergência isso vai mostrar que ele também pode investir.”

O Tesouro Reserva estreia com 320 mil investidores do Banco do Brasil, que participaram da fase de testes. O produto permite aportes a partir de R$ 1, opera 24 horas por dia, sete dias por semana, e rende 100% da taxa Selic, atualmente em 14,50% ao ano. O teto de aplicação é de R$ 500 mil por mês, abaixo do limite de R$ 2 milhões vigente nas demais modalidades do Tesouro Direto, com isenção de taxa de custódia para aportes de até R$ 10 mil.