Tesouro IPCA+ longo dá trégua e rende o dobro dos demais títulos em abril

Índice IMA-B 5+, da Anbima, que reúne os papéis de inflação mais longos do Tesouro, cresceu 2,20% no mês enquanto a média dos títulos públicos avançou cerca de 1,10%

Equipe InfoMoney

Foto: Pixabay
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Os títulos públicos atrelados à inflação com vencimentos mais longos foram o destaque de abril entre os investimentos em renda fixa. O IMA-B 5+, índice calculado pela Anbima que acompanha o desempenho dos papéis indexados ao IPCA com prazo acima de cinco anos, cresceu 2,20% no mês, o dobro da média registrada pelo conjunto dos títulos públicos no período.

Para o investidor pessoa física, esses papéis correspondem ao Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais e ao Tesouro IPCA+, disponíveis no Tesouro Direto com vencimentos entre 2032 e 2060. Nesta terça-feira (19), as taxas desses títulos operam entre 7,57% e 7,21% ao ano, acima da inflação, nos vencimentos mais longos.

O bom desempenho de abril reflete o comportamento dos juros ao longo do mês: quando as taxas caem, os preços dos títulos sobem, e os papéis mais longos tendem a se beneficiar mais intensamente desse movimento, pois são mais sensíveis a variações nas taxas de juros.

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O resultado de abril contrasta com o primeiro trimestre do ano, quando o cenário foi diferente. Entre janeiro e março, os índices de renda fixa de menores prazos apresentaram melhores resultados em um cenário marcado por maior aversão ao risco, com os investidores preferindo papéis mais curtos diante das incertezas geopolíticas e dos desafios do mercado doméstico. O principal destaque daquele período foi o IMA-B 5, que acompanha as NTN-Bs com vencimento de até cinco anos e acumulou alta de 3,87% até março.

A inversão do padrão em abril, com os longos na liderança, indica que parte dos investidores voltou a alongar posições em títulos de inflação, aproveitando as taxas elevadas que os papéis ofereciam. No Tesouro Direto, o IPCA+ 2050 chegou a operar abaixo de 6,72% ao ano em meados de abril, menor patamar desde julho de 2025, antes de voltar a subir nas últimas semanas com a reabertura do risco político doméstico.

Em maio, no entanto, a história vem sendo outra: até o dia 18 de maio, os papéis de inflação longos rastreados pelo IMA-B 5+ acumulam queda de 0,81%, pressionados pela maior aversão a risco que penalizou emergentes no período. Em contrapartida, os demais títulos do Tesouro avançam 0,19% na mesma janela.

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