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Política fiscal em xeque? Veja onde investir na renda fixa

O ministro da Fazenda justificou as medidas adotadas pelo governo para tentar acabar com a greve dos caminhoneiros, mas não convenceu e a luz amarela está acesa no mercado financeiro

SÃO PAULO - As medidas anunciadas pelo governo no domingo (27) em resposta às reivindicações do caminhoneiros, em greve desde o dia 21, têm impacto direto na política fiscal do país. Para tentar um acordo para que o abastecimento do país volte ao normal, foi aprovado o subsídio para reduzir o preço do diesel em R$ 0,46.

A perda de arrecadação federal, com a redução de R$ 0,16 centavos de PIS/Cofins e da Cide, será compensada com a aprovação do projeto de reoneração da folha de pagamentos, segundo o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia. Os outros R$ 0,30 serão concedidos por meio do programa temporário de subvenção do preço do diesel, que atenderá Petrobras, importadores e outros fornecedores.

Segundo Guardia, o programa vai custar até R$ 9,5 bilhões até o fim deste ano. "Do ponto de vista da meta fiscal, tudo está compensado. A parcela de redução de impostos é neutra, pois virá de outras fontes de arrecadação", disse ele.

O ministro justificou, mas não convenceu e a luz amarela está acesa no mercado financeiro. O Ibovespa cai quase 4% e as ações da Petrobras (PETR4) afundam diante da incerteza sobre novas intervenções governamentais nos preços dos combustíveis. Vale lembrar que os acionistas receberam com entusiasmo a mudança na precificação do combustível implantada em julho do ano passado pelo presidente da estatal, Pedro Parente. A recente pressão do mundo politico sobre o executivo preocupa o mercado financeiro. 

Do outro lado, a renda fixa volta a mostrar atratividade para o investidor. O professor do InfoMoney, Alan Ghani, destaca a alta no rendimento dos títulos do Tesouro Direto nesta segunda-feira (28) e avisa: "as taxas de juros vão subir ainda mais por conta da deterioração fiscal". 

"A renda fixa se torna novamente um atrativo, mas eu não colocaria meu dinheiro em título prefixado", alerta. Ghani acredita que essa medida trará à tona um velho conhecido dos brasileiros, o imposto inflacionário. A meta deste ano é um déficit primário de R$ 159 bilhões e seu cumprimento fica ainda mais pressionado com as medidas anunciadas. 

"A forma de financiar esse déficit será com inflação. Neste cenário eu colocaria meu dinheiro em um título atrelado à inflação, porque vai subir o prêmio pelo risco", conta Ghani. 

A rentabilidade oferecida pelo Tesouro Direto é uma combinação de expectativas para a taxa básica de juros, a Selic, e um adicional pelo risco esperado que o ativo possa correr até o seu vencimento. "Por mais que a Selic esteja baixa, as taxas dos títulos não vão conseguir se sustentar no patamar atual por muito tempo", diz Ghani.

O reflexo dessa maior aversão ao risco já é notada nos títulos do Tesouro nesta segunda-feira (28). O Tesouro IPCA+ 2024, por exemplo, paga a inflação do período mais 5,26% de juros ao ano. No sexta-feira (25), o mesmo ativo pagava 5,11%. Esse título é um dos favoritos do professor, que indica ainda o IPCA+2035, que pagava 5,48% ao ano na sexta-feira e hoje paga 5,61% ao ano, além da inflação acumulada. 

A perspectiva de Ghani para os juros futuros é de continuidade na alta. "Não vejo ambiente para um ajuste fiscal. Estou pessimista quanto aos impactos diretos dessas medidas. A população não quer não quer arcar com o ônus fiscal e nenhum candidato à presidência tem força para ser capaz de dialogar com a sociedade e explicar a necessidade de ajuste fiscal", conta Ghani, explicando suas razões para acreditar que a aprovação de uma reforma fiscal está ainda mais distante. A expectativa era de que a reforma fosse colocada em votação pelo próximo presidente da República.

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