Tesouro Direto: taxas sobem e IPCA+ volta a pagar 8% com pressão de EUA e Japão

Juros locais têm alta generalizada pressionados por um movimento nos Treasuries e nos títulos japoneses, que sugam liquidez global

Paulo Barros

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As taxas dos títulos do Tesouro Direto operam em alta na manhã desta terça-feira (20), pressionadas por um movimento global de venda de títulos públicos, após a forte elevação dos rendimentos dos Treasuries e uma liquidação nos bonds japoneses, que contaminou os mercados internacionais de dívida.

Entre os títulos prefixados, a alta é generalizada. O Tesouro Prefixado 2028 passou a pagar 13,12% ao ano, ante 13,08% na segunda-feira. Já o Tesouro Prefixado 2032 subiu de 13,71% para 13,79%, enquanto o Prefixado com Juros Semestrais 2035 avançou de 13,82% para 13,89%.

Nos papéis atrelados à inflação, o avanço também é disseminado. O Tesouro IPCA+ 2029 passou de 7,96% para 8,00% de juro real, enquanto o Tesouro IPCA+ 2040 subiu de 7,33% para 7,42%. No longo prazo, o Tesouro IPCA+ 2050 avançou de 7,06% para 7,12% ao ano além da inflação, e o IPCA+ com Juros Semestrais 2045 passou de 7,33% para 7,40%.

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A curva de juros local sofre pressão da alta dos rendimentos dos Treasuries, após a reabertura do mercado americano depois do feriado de segunda-feira. O yield do título de dez anos avançava cerca de 7 pontos-base, para a faixa de 4,30%, enquanto os papéis de 30 anos subiam cerca de 10 pontos-base, alcançando níveis não vistos em mais de quatro meses.

A pressão ganhou força após uma liquidação intensa nos títulos do governo do Japão, com os rendimentos dos papéis de vencimento mais longo atingindo máximas históricas, o que afetou mercados de dívida ao redor do mundo. O movimento levantou preocupações sobre a realocação de capital de investidores japoneses, tradicionalmente relevantes no mercado global de títulos.

Além disso, o cenário externo segue marcado pelo aumento das tensões comerciais entre os Estados Unidos e países europeus, após novas ameaças tarifárias do presidente Donald Trump envolvendo negociações sobre a Groenlândia. O aumento da incerteza reforçou o ajuste nos prêmios de risco globais, pressionando as curvas de juros, inclusive no Brasil.

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O movimento ocorre antes de um novo leilão semanal de LFT (Tesouro Selic) e NTN-B (Tesouro IPCA+), às 11h30. A expectativa é que, dada a elevação das taxas, o Tesouro Nacional seja obrigado a reduzir sua oferta de NTN-B.

Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h23 desta terça-feira (20):

TítuloRendimento AnualVencimento
Tesouro Selic 2028SELIC + 0,0445%01/03/2028
Tesouro Selic 2031SELIC + 0,099%01/03/2031
Tesouro Prefixado 202813,12%01/01/2028
Tesouro Prefixado 203213,79%01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203513,89%01/01/2035
Tesouro IPCA+ 2029IPCA + 8,00%15/05/2029
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035IPCA + 7,76%15/05/2035
Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,42%15/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,40%15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 7,12%15/08/2050
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060IPCA + 7,32%15/08/2060

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)