Tesouro Direto: taxas sobem com IPCA mais forte e novo alerta do BC

IPCA de julho subiu 0,07%, acima da expectativa de 0,03%; BC afirma que reagirá "com firmeza" a efeitos de segunda ordem de choques de oferta, mesmo após cortar a Selic para 14% na semana passada

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As taxas do Tesouro Direto abrem em alta nesta terça-feira (11), pressionadas pela combinação entre o IPCA de julho, que veio um pouco acima do esperado, e o tom de vigilância da ata do Copom, divulgada na mesma manhã. O índice de preços subiu 0,07% no mês, ante expectativa de 0,03% em pesquisa da Reuters, com a alta em 12 meses acelerando para 4,44%, também acima da projeção de 4,40%.

O Tesouro Prefixado 2029 subiu de 14,11% na segunda-feira para 14,14% nesta manhã. O Prefixado 2032 avançou de 14,50% para 14,53%, e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 foi de 14,58% para 14,61%.

Nos títulos de inflação, o movimento também foi de alta disseminada, com destaque para o IPCA+ 2040 e o IPCA+ com Juros Semestrais 2045, que lideraram a abertura com 5 pontos-base cada, subindo respectivamente de 7,65% para 7,70% e de 7,60% para 7,65%. O IPCA+ 2032 avançou de 8,09% para 8,12%, e o IPCA+ 2050 teve variação mais contida, de 7,40% para 7,42%.

A alta do IPCA foi puxada pelo grupo Habitação, que acelerou de 0,63% em junho para 0,99% em julho, impulsionado pela energia elétrica residencial, que saltou de 1,53% para 3,09% com uma sequência de reajustes tarifários em concessionárias de São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Em sentido contrário, o grupo Alimentação e bebidas recuou 0,67%, com destaque para a queda do tomate, de quase 30% no mês.

André Valério, economista sênior do Inter, avalia que o resultado marca o segundo mês seguido de inflação branda, apesar de ter vindo acima do esperado. “Excluindo 2022, quando houve redução dos impostos de combustíveis, essa é a menor variação para um mês de julho desde 2014”, afirma. Para ele, os últimos dois meses sinalizam retorno à tendência de desinflação observada antes da sazonalidade de fim e início de ano e dos choques de combustíveis e alimentos que vieram na sequência. Com a atividade econômica dando sinais de moderação, o Inter projeta cortes de 25 pontos-base em todas as reuniões restantes do ano, com a Selic encerrando 2026 em 13,25%.

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, também vê qualitativo benigno no resultado de julho. Segundo ele, as médias móveis de três meses com ajuste sazonal anualizado, métrica que melhor capta a tendência subjacente dos preços, desaceleraram nos principais agregados acompanhados pelo Banco Central: os serviços subjacentes cederam de 4,73% para 4,52%, os serviços intensivos em mão de obra de 7,52% para 7,08%, e a média dos núcleos de 4,90% para 4,56%. Apesar disso, Sung pondera que os fatores de pressão ainda superam os de alívio. “Temos no radar os estímulos fiscais e parafiscais que devem sustentar a demanda e retardar o processo de desinflação”, diz, citando ainda a resistência da inflação de serviços, a formação de um El Niño com alta probabilidade de ser superforte entre outubro e dezembro, e o cenário eleitoral como riscos adicionais.

A ata da última reunião do Copom, também divulgada nesta manhã, reforçou o tom de cautela do Banco Central em relação aos riscos inflacionários. O comitê afirmou que não deve reagir aos efeitos primários de choques de oferta, como variações imediatas de preços de combustíveis, mas que vai monitorar com atenção eventuais efeitos de segunda ordem e “reagir com firmeza caso esses efeitos se materializem”. A autarquia também citou as medidas de estímulo à demanda adotadas pelo governo como fator de pressão adicional sobre a inflação.

Para o Bradesco, a ata confirmou um Banco Central dependente de dados, sem compromisso com a trajetória futura de juros diante do cenário de incerteza elevada. O banco mantém a expectativa de mais um corte, para 13,75%, e avalia que, com o câmbio próximo da estabilidade, é provável que os cortes continuem ao longo de 2026. O BC havia cortado a Selic em 0,25 ponto percentual na semana passada, para 14,00% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto.

O Ibovespa futuro operava quase estável nesta manhã, com o IPCA e a ata do Copom no radar dos investidores, enquanto os índices futuros dos Estados Unidos operam mistos, com as negociações sobre o Estreito de Ormuz também sendo acompanhadas de perto.

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Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h29 desta terça-feira (11):

TítuloRendimento AnualVencimento
Tesouro Reserva 2036SELIC01/01/2036
Tesouro Selic 2031SELIC + 0,0739%01/03/2031
Tesouro Prefixado 202914,14%01/01/2029
Tesouro Prefixado 203214,53%01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203714,61%01/01/2037
Tesouro IPCA+ 2032IPCA + 8,12%15/08/2032
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037IPCA + 7,83%15/05/2037
Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,70%15/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,65%15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 7,42%15/08/2050