Tesouro Direto: taxas sobem com IPCA acima do esperado e nova alta do petróleo

Papéis prefixados e de inflação reagem à inflação de fevereiro e ao agravamento da guerra no Oriente Médio

Paulo Barros

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As taxas do Tesouro Direto voltam a subir na manhã desta quinta-feira (12), em um dia marcado pela divulgação do IPCA de fevereiro acima do esperado e por uma nova rodada de aversão ao risco no exterior, após ataques a petroleiros no Golfo Pérsico elevarem o petróleo novamente para perto de US$ 100 o barril.

As maiores variações nesta manhã ficaram concentradas nos títulos prefixados, especialmente nos vencimentos mais curtos e intermediários. O Tesouro Prefixado 2029 subiu de 13,20% para 13,37%, enquanto o Prefixado 2032 avançou de 13,67% para 13,79%. Entre os papéis atrelados à inflação, o destaque foi o Tesouro IPCA+ 2050, que passou de IPCA + 6,82% para IPCA + 6,87%.

O IPCA subiu 0,70% em fevereiro, acima da mediana das projeções de 0,65%, enquanto o acumulado em 12 meses ficou em 3,81%, também acima do esperado. Educação teve a maior contribuição para o índice, com alta de 5,21%, e transportes também pressionaram o resultado.

Mas o dado de inflação pode ser o fator menos preponderante de pressão sobre a curva nesta quinta.

No exterior, o pano de fundo que pesou envolve dois petroleiros afundados em águas iraquianas após serem atingidos por barcos iranianos carregados de explosivos, segundo autoridades de segurança. Os portos de petróleo do país interromperam completamente as operações, fazendo o Brent chegar a saltar 7%, para US$ 98 o barril, enquanto o dólar futuro para abril subia 0,28%, a R$ 5,196.

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“Ainda que o número [do IPCA] tenha ficado acima da mediana, considerei a composição neutra”, avalia Carlos Thadeu, economista de inflação e commodities da BGC Liquidez. Segundo ele, itens não recorrentes ajudaram a inflar os núcleos, mas o mercado agora está mais sensível ao efeito da guerra sobre combustíveis e derivados.

Na mesma linha, João Pedro Moreno, analista de renda variável da Nexgen Capital, avaliou que o índice mostrou pressões pontuais, mas ainda dentro de um quadro de descompressão em 12 meses. “No acumulado de 12 meses, o índice alcança 3,81%, mostrando desaceleração em relação aos períodos anteriores e aproximando-se gradualmente da meta de inflação de 3% estabelecida pelo Banco Central”, disse.

Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h28 desta quinta-feira (12):

TítuloRendimento AnualVencimento
Tesouro Selic 2031SELIC + 0,0976%01/03/2031
Tesouro Prefixado 202913,37%01/01/2029
Tesouro Prefixado 203213,79%01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203713,85%01/01/2037
Tesouro IPCA+ 2032IPCA + 7,76%15/08/2032
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037IPCA + 7,48%15/05/2037
Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,17%15/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,18%15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 6,87%15/08/2050
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060IPCA + 7,09%15/08/2060

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)