Tesouro Direto: taxas recuam com mercado digerindo sinais da ata do Copom

Prefixados lideram o alívio após ata indicar cortes graduais e dependentes de dados

Paulo Barros

Sede do Banco Central, em Brasília - 
11/06/2024 (Foto:
REUTERS/Adriano Machado)
Sede do Banco Central, em Brasília - 11/06/2024 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

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As taxas do Tesouro Direto operam em queda na manhã desta terça-feira (3), devolvendo parte da pressão observada no pregão anterior, em um movimento que reflete a leitura do mercado após a divulgação da ata do Copom. A sinalização de que o Banco Central ainda depende de mais informações para definir o ritmo do ciclo de cortes ajudou a reduzir os prêmios embutidos nos papéis, especialmente nos títulos prefixados.

Na comparação com a segunda, o ajuste é mais visível justamente nos papéis nominais. O Tesouro Prefixado 2029 recuou de 12,80% para 12,73%, enquanto o Prefixado 2032 caiu de 13,39% para 13,32%. No trecho mais longo da curva, o título com juros semestrais e vencimento em 2037 passou de 13,60% para 13,53%, mostrando um fechamento relativamente uniforme das taxas por prazo.

Os títulos atrelados à inflação também acompanharam o movimento, embora de forma mais moderada. O Tesouro IPCA+ 2032 cedeu de 7,56% para 7,54% de juro real, enquanto o IPCA+ 2040 recuou de 7,29% para 7,24%. Na ponta mais longa, o IPCA+ 2060 caiu de 7,08% para 7,04%, mantendo as taxas reais em patamar elevado, mas com leve alívio nesta manhã.

O movimento desta terça contrasta com o cenário da véspera, quando as taxas longas haviam subido em meio à apreensão do mercado com a indicação de Guilherme Mello para a diretoria do BC, confirmada por Fernando Haddad nesta terça. Naquele pregão, investidores pediram prêmio adicional para carregar papéis de prazo mais longo, o que pressionou principalmente os títulos atrelados ao IPCA e os prefixados mais distantes.

Hoje, a ata do Copom trouxe um tom mais prudente, ao reforçar que o BC depende de novos dados para definir o tamanho do ciclo de cortes. O documento voltou a citar a resistência do mercado de trabalho e as expectativas de inflação ainda acima da meta como fatores que recomendam cautela, ao mesmo tempo em que reconheceu sinais mais favoráveis, como o arrefecimento recente da inflação e a redução das incertezas de curto prazo.

“Seguimos a aposta de corte de 25 pontos-base na reunião de março, com risco de corte de 50 pontos-base. Em prol de uma postura mais cautelosa, o BC segue citando, principalmente, a resistência do mercado de trabalho e as expectativas de inflação ainda distantes da meta”, explica Leonardo Costa, economista do ASA. Segundo ele, a projeção é de uma Selic terminal em 12,5% em 2026, compatível com um ciclo de cortes mais comedido.

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Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h27 desta terça-feira (3):

TítuloRendimento AnualVencimento
Tesouro Selic 2031SELIC + 0,099%01/03/2031
Tesouro Prefixado 202912,73%01/01/2029
Tesouro Prefixado 203213,32%01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203713,53%01/01/2037
Tesouro IPCA+ 2032IPCA + 7,54%15/08/2032
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037IPCA + 7,41%15/05/2037
Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,24%15/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,17%15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 6,84%15/08/2050
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060IPCA + 7,04%15/08/2060

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)