Renda fixa

Tesouro Direto: taxas dos títulos públicos têm 4º dia seguido de alta; Tesouro IPCA 2055 volta se aproximar de patamar recorde

Avanço nos retornos, especialmente de papéis de inflação, chega a 16 pontos-base (0,16 ponto percentual), na segunda atualização da tarde desta sexta-feira

Por  Bruna Furlani -

Em dia de agenda econômica local mais fraca, a sessão desta sexta-feira (7) tem como foco o relatório geral de emprego nos Estados Unidos (payroll). De acordo com dados do Departamento de Trabalho americano, o País criou 199 mil vagas de trabalho, número bem abaixo do esperado.

As estimativas, segundo analistas da Refinitiv, apontavam para a abertura de 400 mil empregos. Embora o dado de criação de vagas tenha decepcionado, especialistas destacaram que outros números apresentados hoje, como a queda na taxa de desemprego e o crescimento dos salários reforçaram que a alta de juros deve ocorrer em breve nos Estados Unidos – com a economia americana voltando ao pleno emprego.

Com isso, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano continuam em alta. Nesta sexta-feira, a taxa oferecida pelo papel com vencimento em 10 anos chegou a alcançar os 1,794% na máxima intradiária.

Já na cena local, o mercado segue atento aos impactos econômicos provocados pelos pedidos de exoneração de servidores públicos na defesa por reajustes neste ano.

Nesse contexto, os títulos públicos negociados no Tesouro Direto operam em alta na tarde desta sexta-feira, pelo quarto dia seguido. O avanço nas taxas chega até 16 pontos-base (0,16 ponto percentual) entre alguns papéis de inflação.

Às 15h20, os juros reais pagos pelos papéis com vencimento em 2035 e 2045 chegavam a 5,53%, acima dos 5,50% vistos no começo da manhã e dos 5,37% registrados ontem. O Tesouro IPCA+ 2055 e juros semestrais, por sua vez, oferecia retorno real de 5,60%, contra 5,57% ao ano, na abertura dos negócios hoje. O percentual também é maior do que os 5,50% vistos ontem.

Com isso, a taxa paga pelo Tesouro IPCA + 2055 voltou a se aproximar do patamar recorde oferecido por esse título que é de 5,68% e que foi alcançado em 29 de outubro de 2021. Esse papel começou a ser negociado em fevereiro de 2020.

Já entre os prefixados, os juros oferecidos pelo Tesouro Prefixado 2024 eram de 11,62% ao ano, às 15h20, frente aos 11,55% ao ano, do início do dia. Na sessão anterior, no entanto, a taxa era de 11,49%.

No mesmo horário, o papel prefixado com vencimento em 2031 e pagamento de juros semestrais oferecia um retorno de 11,34%, percentual maior do que os 11,28% do começo da manhã e do que os 11,26% vistos ontem.

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Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde desta sexta-feira (7): 

Taxa Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Radar internacional

O destaque na cena externa está nos dados de emprego vindos dos Estados Unidos. De acordo com o Departamento de Trabalho americano, a taxa de desemprego caiu de 4,2% para 3,9%. A projeção de analistas consultados pela Refinitiv era de 4,1%, menor nível em 22 meses.

Ainda segundo o Departamento de Trabalho americano, a média paga por hora de trabalho aumentou 19 centavos de dólar na passagem de novembro para dezembro e ficou em US$ 31,31 (alta de 0,6%).

Já na zona do euro, a taxa anual de inflação ao consumidor (CPI, pela sigla em inglês) da zona do euro atingiu a máxima histórica de 5% em dezembro, acelerando levemente em relação à alta de 4,9% observada em novembro, segundo dados preliminares divulgados hoje pela agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat.

O resultado do mês passado surpreendeu analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam arrefecimento da taxa a 4,7%.

Dados da Anfavea

Enquanto isso, na agenda econômica local, o mercado repercute a divulgação dos números da produção de veículos em dezembro apresentados hoje pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

De acordo com os números divulgados, a indústria fechou 2021 com 2,24 milhões de veículos produzidos, um aumento de 11,6% na comparação com o ano anterior. Já em dezembro foram produzidas 210,9 mil unidades, um incremento de 0,8% na comparação com o mesmo mês de 2020.

A associação, no entanto, afirmou que o aumento da produção em dezembro não trouxe uma melhora significativa na situação dos estoques de veículos, que abriram 2022 com volume suficiente para apenas 16 dias de venda, levando em conta 114,3 mil unidades nos pátios de montadoras e concessionárias.

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No fim de novembro, os estoques, de 103,8 mil unidades, cobriam 15 dias de venda.

Mobilizações e corte de verbas

Na agenda política, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) decidiu suspender ontem (6) as sessões de julgamento de algumas turmas por falta de quórum regimental.

A razão é que vários servidores da Receita Federal pediram exoneração na defesa por reajustes neste ano, após a previsão de incremento no salário de policiais federais no Orçamento de 2022. A categoria afirma que o governo de Jair Bolsonaro (PL) descumpriu acordo para pagamento de bônus.

Também na frente política, reportagem da Folha de S.Paulo traz que a equipe do Ministério da Economia avalia que o corte de R$ 2,5 bilhões na pasta, previsto na tramitação do Orçamento de 2022, pode comprometer atividades a partir de maio.

O corte representa pouco mais de 50% da verba e atinge todas as áreas, com exceção da verba destinada ao Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o jornal, ministérios controlados por aliados dos congressistas, como Cidadania, Desenvolvimento Regional e Infraestrutura, tiveram alta de receitas ou cortes marginais.

Ainda na seara política, o presidente Jair Bolsonaro (PL) vetou integralmente o projeto aprovado no Congresso no fim do ano passado que permite o refinanciamento (Refis) de dívidas para empresas que se enquadram no Simples e como microempreendedores individuais (MEIs).

A decisão foi publicada na edição do Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira. A medida está de acordo com a recomendação do Ministério da Economia.

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O veto do Programa de Reparcelamento do Pagamento de Débitos no âmbito do Simples Nacional (Relp) ocorreu porque o projeto possibilitaria a renegociação de até R$ 50 bilhões com o Fisco, mas não indicava fonte para compensar a perda de arrecadação.

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