Renda fixa

Tesouro Direto: taxas dos títulos públicos operam sem tendência definida nesta sexta-feira

Investidores repercutiam nova meta de inflação definida pelo CMN; no exterior, foco recaiu sobre novas preocupações com o avanço da Covid-19

Brazilian currency. Money on the wooden table in one hundred and fifty reais banknotes.
(Rmcarvalho/Getty Images)

SÃO PAULO – As taxas dos títulos públicos indexados à inflação e negociados via Tesouro Direto amenizaram as quedas nesta sexta-feira (26), com papéis chegando a apresentar alta nos prêmios em meio a um aumento de aversão ao risco no exterior.

Entre os destaques do dia, o Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou ontem, em reunião ordinária, a meta de inflação em 3,25% a ser perseguida pelo Banco Central em 2023. Também foi definida uma margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual para o seu cumprimento.

Na prática, isso significa que a inflação de 2023 deverá ficar entre 1,75% e 4,75%. Para os anos de 2021 e 2022, as metas são de 3,75% e 3,50%, respectivamente.

O anúncio ocorre em um contexto de preocupações em relação à capacidade do BC de entregar, de fato, a inflação nos parâmetros estabelecidos.

Isso porque, com as medidas de isolamento social para conter a pandemia de coronavírus, a atividade econômica despencou no Brasil, bem como os preços de produtos e serviços.

Mercado hoje

No Tesouro Direto, o título indexado à inflação com vencimento em 2026 pagava uma taxa de 2,70% ao ano, ante 2,71% a.a. na tarde de quinta-feira (25). O papel com juros semestrais e prazo em 2055, por sua vez, pagava um prêmio de 4,28% ao ano, frente aos 4,25% a.a. pagos anteriormente.

Entre os papéis com retorno prefixado, o juro pago pelo papel com prazo em 2023 se mantinha em 4,17% ao ano, enquanto a taxa do mesmo papel com vencimento em 2026 tinha leve alta de 6,40% para 6,41% ao ano.

Confira os preços e as taxas dos títulos públicos nesta sexta-feira (26):

Fonte: Tesouro Direto

Auxílio-emergencial

Como forma de minimizar os impactos da pandemia sobre a atividade brasileira, o presidente Jair Bolsonaro informou ontem, em transmissão nas redes sociais, que o auxílio-emergencial deve ser prorrogado por mais três meses, mas será reduzido gradualmente para parcelas de R$ 500, R$ 400 e R$ 300.

Com a prorrogação dos pagamentos, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o governo completa R$ 1 trilhão de recursos que mantiveram “os sinais vitais” da economia.

Além da extensão do auxílio, o Congresso discute propostas de renda mínima e até a criação de uma frente parlamentar para discutir a ideia.

Cena externa

No ambiente global, mercados repercutiam a preocupação com o avanço do coronavírus em diversas regiões ao redor do mundo.

O sentimento de maior aversão ao risco ia na contramão do otimismo apresentado pelos investidores durante a manhã, quando a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou que o pior da crise já passou. “Provavelmente já ultrapassamos o ponto mais baixo e digo que com alguma apreensão, porque é claro que podemos ter uma segunda onda”, disse Largarde em conferência virtual do “Northern Light Summit”.

Ela afirmou ainda que o mundo não será o mesmo após a pandemia e que é necessário ficar “extremamente atento aos que são mais vulneráveis”.

Nos Estados Unidos, apesar de governadores de alguns estados reverterem os planos de reabrir as atividades, após novo salto no número de casos de coronavírus, a cidade de Nova York ruma para acionar mais uma etapa de reabertura, em 6 de julho. Esta incluirá aval para refeições dentro de restaurantes, esportes em equipe e serviços de beleza.

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