Tesouro Direto: taxas disparam até 12 pontos com guerra no Irã e temor de inflação

Juros prefixados e atrelados à inflação avançam após petróleo disparar e mercado rever cortes do Fed e balizar expectativas para o próximo Copom no Brasil

Paulo Barros

Bomba de extração de petróleo na Bacia Permiana, no condado de Loving, Texas, EUA -  22/11/2019 (Foto: REUTERS/Angus Mordant)
Bomba de extração de petróleo na Bacia Permiana, no condado de Loving, Texas, EUA - 22/11/2019 (Foto: REUTERS/Angus Mordant)

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As taxas do Tesouro Direto abriram o mês de março em forte alta nesta segunda-feira (2), apagando as quedas vistas nas últimas sessões de fevereiro, diante da pressão dos Treasuries avançam em meio à escalada das tensões no Oriente Médio e à disparada do petróleo, reacendendo temores inflacionários.

Na comparação com sexta-feira (27), a abertura foi disseminada ao longo da curva. O Tesouro Prefixado 2029 subiu de 12,68% para 12,79%, enquanto o Prefixado 2032 avançou de 13,27% para 13,39%. No vencimento mais longo dessa família, o prefixado com juros semestrais 2037 passou de 13,50% para 13,61%.

Entre os papéis atrelados à inflação, o movimento também foi de alta. O juro real do IPCA+ 2032 foi de 7,39% para 7,45%, o do IPCA+ 2040 subiu de 6,96% para 7,04% e o do IPCA+ 2045 avançou de 6,96% para 7,05%. Já o mais longo IPCA+ 2050 saiu de 6,73% para 6,82%, devolvendo parte da mínima do ano atingida na sexta. O papel mais longo, o IPCA+ 2060, foi de 6,91% para 6,99%.

Nos Estados Unidos, os Treasuries caem com investidores reduzindo apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve. A taxa de 10 anos subiu para 3,97%, enquanto o rendimento de dois anos avançou para 3,42%. O mercado passou a precificar o próximo corte apenas em setembro, após a disparada do petróleo e o fechamento do Estreito de Ormuz elevarem o risco de nova pressão inflacionária global.

Diferentemente de episódios tradicionais de aversão a risco, em que os títulos americanos funcionam como porto seguro, o foco agora está no impacto da alta do petróleo sobre a inflação. Esse movimento global se reflete na curva brasileira, que vinha de um período de compressão relevante de prêmios, especialmente na ponta longa real.

No câmbio, o dólar também reage ao ambiente externo e opera em alta frente ao real nesta manhã, a R$ 5,20, contribuindo para o ajuste das taxas locais.

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No plano doméstico, soma-se a isso também o temor de pressão inflacionária promovida pelos preços do petróleo. “A política de suavização de preços da Petrobras tende a retardar o repasse da alta internacional para combustíveis, com o diesel devendo subir antes da gasolina, dado o maior peso das importações e a defasagem acumulada”, avalia Leonardo Costa, economista do ASA.

Segundo o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, a economia deve suportar uma alta do petróleo até US$ 85 sem risco de maior inflação duradoura, mas admitiu que a guerra pode influenciar o trabalho do Banco Central.

Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h31 desta segunda-feira (2):

TítuloRendimento AnualVencimento
Tesouro Selic 2031SELIC + 0,0996%01/03/2031
Tesouro Prefixado 202912,79%01/01/2029
Tesouro Prefixado 203213,39%01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203713,61%01/01/2037
Tesouro IPCA+ 2032IPCA + 7,45%15/08/2032
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037IPCA + 7,32%15/05/2037
Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,04%15/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,05%15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 6,82%15/08/2050
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060IPCA + 6,99%15/08/2060

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)