Renda fixa

Tesouro Direto: taxas de títulos públicos têm alta nesta segunda-feira

Investidores repercutiram revisões nas projeções para PIB e inflação no Brasil pelo relatório Focus, além de inflação nos EUA e balança comercial da China

(Unsplash)

SÃO PAULO – Os prêmios pagos pelos títulos públicos negociados via Tesouro Direto apresentavam alta na tarde desta segunda-feira (7), em dia de revisões para cima nas estimativas para inflação e PIB no relatório Focus, do Banco Central.

O título com retorno prefixado e vencimento em 2024 pagava uma taxa anual de 7,89%, ante 7,75% na tarde de sexta-feira (4). Da mesma forma, o Tesouro Prefixado 2026 oferecia um prêmio de 8,34% ao ano, acima dos 8,21% pagos anteriormente.

Entre os títulos indexados à inflação, o prêmio do Tesouro IPCA+ para 2026 avançava para 3,38% nesta tarde, contra 3,33% no pregão anterior, enquanto a taxa do papel para 2035 era de 4,07%, ante 4,03% na sessão passada.

Confira os preços e as taxas atualizadas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto nesta segunda-feira (7):

Fonte: Tesouro Direto

Projeções em alta

Divulgado nesta manhã, o relatório Focus, do BC, mostrou novas revisões para cima nas expectativas para a inflação e para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2021 e 2022.

As projeções para a inflação este ano foram elevadas pela nona semana consecutiva, desta vez de 5,31% para 5,44%. A alta nas estimativas também foi vista nas projeções para 2022, cuja mediana das apostas subiu de 3,68% para 3,70%, no quarto aumento seguido.

Os economistas consultados pela autoridade monetária também esperam um melhor desempenho da economia brasileira neste e no próximo ano. As projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021 subiram, pela sétima semana, de 3,96% para 4,36%.

Para 2022, as estimativas apontam para uma expansão de 2,31% da atividade econômica, ante crescimento de 2,25% no levantamento anterior.

Com relação à taxa básica de juros, as apostas seguem em um aumento de 0,75 ponto percentual da Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no dia 16 de junho, para 4,25% ao ano. A expectativa refletida no Focus é de que os juros encerrem este ano em 5,75% e, o próximo, em 6,50% ao ano – sem alterações em relação à semana anterior.

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Ainda na cena doméstica, as atenções recaíram sobre o noticiário de coronavírus no país e sobre as preocupações com a crise hídrica.

Na sexta-feira (4), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a importação de quantidades menores dos imunizantes Sputnik V (Rússia) e Covaxin (Índia) do que aquelas compradas pelos governos estaduais e pelo governo federal, sob uma série de condicionantes.

Além disso, a equipe técnica da CPI da Covid-19 no Senado Federal afirmou em carta à Comissão Técnica da Seleção Brasileira e aos atletas do país que a realização da Copa América no Brasil seria um “mau exemplo”, diante da iminência de uma terceira onda da pandemia, e defende o seu adiamento.

Também no radar, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) enviou uma nota técnica à Agência Nacional de Águas (ANA) afirmando que ao menos oito grandes usinas hidrelétricas instaladas na região Sudeste devem ficar com os reservatórios perto do colapso total até 30 de novembro, fim do período de estiagem

Os diretores recomendam uma série de flexibilizações visando impedir o esvaziamento completo dos reservatórios e minimizar o risco de falta de energia

Quadro externo

No ambiente internacional, após o Relatório de Emprego dos Estados Unidos divulgado na sexta-feira frustrar e mostrar a criação de 559 mil empregos no país em maio, investidores ficam atentos nesta semana aos dados de inflação, com a divulgação do CPI (sigla em inglês para Índice de Preços ao Consumidor) relativo a maio, na quinta-feira (10).

Em abril, o índice subiu 4,2% em comparação com o patamar do ano anterior, a maior alta desde 2008. Caso os preços continuem subindo neste patamar, investidores acreditam que o Federal Reserve (o banco central americano) possa alterar sua política monetária e começar a subir os juros.

No noticiário corporativo, investidores monitoraram como ações de gigantes de tecnologia vão reagir ao novo imposto corporativo global mínimo aprovado pelos países do G7.

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A secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, afirmou nesta segunda-feira, 7, que a atividade econômica americana está em um período de “transição” em direção aos níveis anteriores à pandemia, em meio ao avanço da vacinação contra o coronavírus.

“No próximo ano, espero que nossa economia esteja de volta ao pleno emprego, em grande parte porque fornecemos uma quantidade histórica de alívio para famílias e empresas”, disse, durante a cúpula SelectUSA Investment, nesta segunda-feira.

Segundo Yellen, o governo tem uma visão de longo prazo para o país, que inclui investimentos em infraestrutura, educação e outros áreas. A secretária comentou as propostas de pacotes negociadas pela gestão do presidente Joe Biden, entre eles o de US$ 1,7 trilhões em obras públicas, redes de internet, entre outros.

Os investidores também repercutiram hoje os dados da balança comercial na China. As importações do país cresceram em maio no ritmo mais forte em dez anos, alimentadas pelo aumento da demanda por matérias-primas. Já a alta das exportações desacelerou mais do que o esperado em meio a problemas causados por casos de Covid-19 nos portos do sul do país.

As exportações chinesas registraram salto anual de 27,9% em maio, abaixo do avanço de 32,2% esperado pelos economistas consultados pelo The Wall Street Journal. Já as importações tiveram disparada anual de 51,% no mesmo intervalo, também aquém da expectativa do WSJ, que era de 53%.

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