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Tesouro Direto: taxas de títulos públicos têm alta com aumento da aversão ao risco

Sessão foi marcada por preocupações com o avanço da Covid-19 no mundo e expectativa por pacote de estímulos econômicos nos EUA

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(Getty Images)

SÃO PAULO – As taxas oferecidas pelos títulos públicos negociados via Tesouro Direto apresentaram alta na tarde desta terça-feira (28), com o mercado de olho no avanço do coronavírus.

Com 16,4 milhões de pessoas contaminadas pela Covid-19 ao redor do mundo e mais de 654 mil mortes, investidores temem novas medidas de isolamento social que podem impactar a retomada econômica.

Também na cena externa, expectativas seguiram fortes para a aprovação do novo pacote de estímulos econômicos, no valor de US$ 1 trilhão, nos Estados Unidos, para combater a pandemia. O projeto foi revelado ontem pelo líder da maioria no Senado dos EUA, o Republicano Mitch McConnell.

Segundo ele, o texto envolve mais medidas de apoio a americanos desempregados, proteção ao financiamento de pequenos negócios, e prevê outro pagamento de US$ 1,2 mil para toda a população.

Apesar do suporte prestado pelo governo, Fabiana Fedeli, chefe global de ações do Grupo Robeco, afirmou ter dúvidas se novos estímulos podem levar a mais ganhos no mercado acionário. “O que vamos precisar para a próxima etapa é uma melhor perspectiva macroeconômica”, disse, à Bloomberg, Fidelis.

Ainda no radar, investidores monitoram o primeiro dia de reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), que irá definir amanhã o caminho para as taxas de juros dos EUA.

Com um aumento de aversão ao risco no exterior, as cotações do ouro superaram ontem o recorde de 2011 e alguns especialistas do mercado sugerem que o ativo, considerado um porto seguro, pode subir além desse nível.

Mercado hoje

No Tesouro Direto, o título prefixado com vencimento em 2023 pagava uma taxa de 3,93% ao ano, frente 3,83% a.a. na tarde de segunda-feira (27). O juro do mesmo papel com vencimento em 2026, por sua vez, avançava de 5,94% para 6,01% ao ano.

Entre os títulos indexados à inflação, o papel com prazo em 2026 pagava um prêmio anual de 2,11% a.a. – o mesmo apresentado na véspera –, enquanto o Tesouro IPCA+ com juros semestrais e vencimento em 2055 pagava uma taxa de 3,79% ao ano, ante 3,76% a.a. anteriormente.

Confira os preços e as taxas dos títulos públicos nesta terça-feira (28):

Fonte: Tesouro Direto

Cena doméstica

Enquanto isso, no Brasil, o foco recaiu sobre a tentativa da equipe econômica do governo de antecipar o envio das próximas etapas da Reforma Tributária ao Congresso até o dia 15 de agosto. Os pontos que ainda faltam são a desoneração da folha de pagamentos e a criação de um imposto sobre pagamentos eletrônicos.

Os investidores também monitoraram os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que registrou o fechamento de 10.984 vagas formais de trabalho em junho. O resultado veio bem melhor do que o esperado pelo consenso Bloomberg, de perda de 220 mil vagas de trabalho.

Com relação a abril, pior mês em termos das admissões, houve um incremento de 43% e queda de 41% nas demissões.

Com dados melhores do que o esperado na economia doméstica e uma incerteza em relação ao lado fiscal, a expectativa do Bank of America é de que a taxa básica de juros seja mantida em 2,25% ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em 5 de agosto.

“Além disso, um corte de 0,25 ponto percentual não teria grandes impactos, uma vez que os juros já estão baixos e estimulativos e nossa percepção é de que as taxas permanecerão baixas por um longo período”, escreveu David Beker, chefe de economia e estratégia do BofA, em relatório divulgado nesta terça-feira.

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