Renda fixa

Tesouro Direto: taxas recuam com rumo na política contracionista

Prefixados oferecem até 12,39% nesta sexta-feira; apenas dois títulos têm estabilidade nas taxas

Por  Bruna Furlani, Katherine Rivas -

As taxas dos títulos públicos operam em movimento de leve queda na tarde desta sexta-feira (27). Apenas dois títulos apresentavam estabilidade nas taxas.

Segundo Igor Cavaca, gestor da Warren Asset Management, a leve redução nos juros ocorre após uma semana de forte volatilidade. Ele avalia que a queda foi puxada pela expectativa dos investidores de que uma política monetária ainda mais contracionista (de controle da inflação) não deve ocorrer na intensidade esperada.

“Boa parte desse movimento decorre da aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 18/2022 – que reduz o imposto ICMS sobre energia e combustíveis”, destaca Cavaca. Na visão do gestor, isso fez com que o mercado associe as taxas de juros reais com uma maior probabilidade no corte de impostos.

Na contramão, ele cita que notícias vindas dos Estados Unidos, que possam implicar em uma política menos contracionista do Federal Reserve, podem acabar pressionado os juros brasileiros.

Dentro do Tesouro Direto, o título prefixado com vencimento em 2029 apresentava a maior queda nas taxas entre os pares. O Tesouro Prefixado 2029 entregava uma rentabilidade anual de 12,16%, inferior aos 12,19% vistos ontem.

Já o Tesouro Prefixado 2033, com juros semestrais, oferecia um retorno anual de 12,39%, abaixo dos 12,41% da sessão anterior.

A taxa do Tesouro Prefixado 2025 permanecia estável.

Nos títulos atrelados à inflação, a maior queda era dos papéis com vencimento em 2035 e 2045.

O Tesouro IPCA+ 2035 e o Tesouro IPCA+ 2045 ofereciam um retorno real de 5,65%, inferior aos 5,69% da quinta-feira (26).

As taxas dos outros papéis recuavam 2 pontos-base. Já no Tesouro IPCA+ 2055 o movimento era de estabilidade.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde desta sexta-feira (27):

ICMS, reajuste e diesel

Na cena política, o presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou ontem (26), o teor do texto aprovado um dia antes pela Câmara. O projeto estabelece um teto de 17% na alíquota do ICMS cobrado por Estados sobre os combustíveis pelo mecanismo de compensação.

Para diminuir resistências, a Câmara inseriu no projeto um gatilho temporário para compensar Estados e municípios quando a perda de arrecadação do ICMS for superior a 5%. Insatisfeito, Bolsonaro disse que pode vetar a medida.

O mercado também acompanha de perto o risco de falta de diesel. Na última terça-feira (24), a Federação Única dos Petroleiros (FUP) emitiu nota alertando para o risco de desabastecimento no início do segundo semestre.

Ao mesmo tempo, Sérgio Araújo, presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), afirmou que o Brasil não deve passar imune à escassez global do produto, principalmente, se a Petrobras (PETR3;PETR4) não alinhar seus preços aos do exterior.

Pesquisas eleitorais também estão no foco dos investidores. Segundo levantamento divulgado ontem (26) pelo Datafolha, o segundo pelotão na disputa pelo primeiro turno, teria o pré-candidato do PDT, Ciro Gomes, com 7%, seguido por André Janones (Avante) e Simone Tebet (MDB), ambos com 2%.

A pesquisa Datafolha entrevistou 2.556 pessoas em 181 cidades do país e a margem de erro é de 2 pontos percentuais.

Atenção ainda para a pauta de reajustes salariais. Depois de várias sinalizações de que iria privilegiar policiais, o presidente Jair Bolsonaro (PL) indicou ontem (26) que irá recuar da ideia e afirmou que a tendência é conceder aumento de 5% a todas as categorias do funcionalismo público.

PCE e commodities

Números de inflação nos Estados Unidos estão no foco do mercado nesta sexta-feira. De acordo com o Departamento de Comércio, o núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) nos Estados Unidos subiu 0,3% em abril na base de comparação mensal. Na comparação anual, a alta do núcleo foi de 4,9%.

O consenso Refinitiv era de elevação de 0,3% para o núcleo da inflação na base mensal e de 4,9% na comparação anual. O indicador é uma das principais referências para a definição das políticas do Fed.

Os agentes financeiros costumam olhar o núcleo com mais atenção porque ele exclui o setor de alimentos e energia, considerado mais volátil.

O índice cheio, por sua vez, avançou 0,2%% na base mensal, enquanto subiu 6,3% na comparação com igual período de 2021.

Havia certo temor de que uma leitura acima do esperado reacendesse o receio inflacionário e aumentasse as apostas de um Federal Reserve mais agressivo no ciclo de alta da taxa de juros.

A ata da reunião de política monetária do BC americano, divulgada na quarta-feira (25), confirmou mais dois aumentos de 50 pontos-base (0,50 ponto percentual) em junho e julho, mas também sugeriu uma pausa nos ajustes até o fim do ano.

Biden

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse que a desaceleração do índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) em abril é um “sinal de progresso” na redução da inflação, “ainda que haja mais trabalho” pela frente.

O mandatário voltou a atribuir a alta de preços ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, e disse que arrefecê-la é sua “prioridade econômica”, em comunicado divulgado nesta sexta-feira pela Casa Branca. “Meu plano é dar ao Federal Reserve (Fed) a independência necessária para fazer seu trabalho, reduzir os custos das famílias e diminuir o déficit federal”, destacou Biden.

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