Publicidade
A crise bancária chegou ao terceiro mundo. Depois do Silicon Valley Bank e do Signature Bank, os problemas no Credit Suisse fazem com que os mercados mundiais priorizem a cautela nesta quarta-feira (15). As ações do Credit Suisse fecharam com queda de mais de 20% hoje, em uma sessão bastante conturbada e marcada por interrupções nas negociações.
No cenário local, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, entregou a proposta de novo arcabouço fiscal ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início desta semana, de acordo com a CNN. A informação é de que Haddad e equipe econômica farão uma apresentação formal do novo projeto a Lula até o final da semana que vem.
O presidente viaja para a China dia 24 de março. Haddad já afirmou anteriormente que pretende divulgar o novo arcabouço antes da viagem de Lula.
Oportunidade com segurança!
Segundo Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, se o novo conjunto de regras fiscais for bem acordado entre os ministros, pode ajudar bastante no seu encaminhamento no Congresso e aceitação pelo mercado. Outro ponto de alento é a reforma tributária, que “está mais transparente” e “sendo bem recebida pelo mercado”. “São dois temas benéficos para o País”, disse.
A crise respinga no Tesouro Direto. Às 15h27, entre os ativos atrelados à inflação, o destaque era o Tesouro IPCA+ 2045, que tinha retorno de 6,53% ao ano, acima dos 6,50% vistos nesta terça-feira (14). Na primeira atualização do dia, o ativo chegou aos 6,58% ao ano, o maior retorno já oferecido pelo papel, que começou a ser negociado em 2017.
O maior retorno entre os prefixados era oferecido pelo Tesouro Prefixado 2033, com 13,21% ao ano, superior aos 13,06% da véspera, uma diferença de 15 pontos-base (0,15 ponto percentual).
É importante ressaltar que, quando os juros dos títulos públicos têm alta, ganham as pessoas que ainda não têm investimentos nesses ativos. O investidor compra o papel a assegura uma rentabilidade com taxa superior. Porém, para quem tem os títulos na carteira, significa que o valor de mercado dos ativos cai. Ou seja, há uma perda, mesmo que temporária, dependendo da oscilação.
Continua depois da publicidade
“A falência do Silicon Valley Bank e a possível mudança na política monetária americana podem ter impactos significativos na economia global. Inclusive nas cotações do Tesouro aqui no Brasil”, diz João Guilherme, especialista em renda fixa da Blue3 Investimentos.
Para ele, a prioridade do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) no momento deverá se voltar para a estabilidade do sistema financeiro. “O Fed deverá adotar uma abordagem mais cautelosa para a sua decisão dos juros. O momento é de bastante incerteza e especulações e as perspectivas deverão se moldar conforme novas informações sobre os dados de inflação, mercado de trabalho e, sobretudo, o sistema bancário.”
Confira os preços e as taxas dos títulos públicos disponíveis para a compra no Tesouro Direto na tarde desta quarta-feira (15):

Juros, inflação e crescimento
O mercado segue esperando a divulgação da nova âncora fiscal. Do lado político, o Senado Federal aprovou, nesta terça-feira, requerimento para a realização de uma sessão de debates com o tema “juros, inflação e crescimento”. Serão convidados para o encontro os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento), o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, além de economistas e presidentes de confederações do setor produtivo nacional.
Credit Suisse
Os ativos do banco suíço foram abaixo de 2 francos suíços (US$ 2,18 ) e o regulador de mercado suspendeu as negociações do papel várias vezes uma vez que o volume disparou e a ação despencou. O movimento de baixa foi impulsionado por comentários do Saudi National Bank, maior investidor da instituição financeira.
O investidor saudita afirmou que não poderia fornecer mais assistência financeira ao banco suíço, segundo informações da Reuters. “Não podemos porque iríamos acima de 10%. É uma questão regulatória”, disse o presidente do Saudi National Bank, Ammar Al Khudairy, à agência.
Continua depois da publicidade
O presidente do Credit Suisse, Axel Lehmann, disse que a ênfase em reduzir o risco do balanço está em andamento. Questionado se descartaria algum tipo de ajuda governamental no futuro, Lehmann respondeu: “Não é esse o assunto”. “Somos regulamentados, temos fortes índices de capital, balanço muito forte. Estamos todos de mãos dadas. Portanto, esse não é o assunto”. A fala do residente do banco ocorreu em um de painel da CNBC, em Riad, na manhã desta quarta-feira.
Bancos europeus
Os bancos europeus estão mais robustos do que antes da crise de 2008, assegurou o primeiro-ministro da Espanha. Pedro Sanchez afirmou que o sistema financeiro europeu pode agora de lidar com o estresse financeiro. A preocupação se ampliou com a queda de mais de 20% nas ações do Credit Suisse, enquanto os swaps de inadimplência de crédito de cinco anos para o banco suíço atingiram um novo recorde, destacando as crescentes preocupações dos investidores.
“Há um sistema de supervisão reforçado que não existia no início daquela crise financeira e que levou os bancos europeus a terem índices de liquidez e solvência muito mais altos”, disse Sánchez, ao lado do primeiro-ministro português Antonio Costa.
“Após a crise financeira de 2008, os supervisores endureceram as regras de capital e o Banco Central Europeu tornou-se o supervisor dos bancos mais importantes da zona euro em 2014”. As informações são da Reuters.
You must be logged in to post a comment.