Renda fixa

Tesouro Direto: retorno dos títulos públicos reverte queda e volta a subir; Tesouro IPCA+2055 avança e está mais perto de recorde

Investidores monitoram revisões nas projeções para a inflação em 2021, além de alterações nas expectativas para a Selic e o PIB neste ano

Por  Bruna Furlani -

A tarde desta segunda-feira (10) é marcada por uma reversão no movimento de queda visto no mercado de títulos públicos no início do dia. Às 15h20, os papéis do Tesouro Direto apresentam avanço nas taxas.

No radar local, agentes financeiros aguardam a divulgação dos números consolidados da inflação oficial, que será apresentado amanhã (11). O mercado também avalia a leve revisão para baixo nas expectativas de avanço da inflação oficial em 2021, de 10,01%, no levantamento anterior, para 9,99%, nesta semana. Os dados constam no Relatório Focus apresentado hoje pelo Banco Central.

O documento também trouxe revisões para o avanço da Selic e do crescimento da atividade econômica neste ano. Agora, o mercado financeiro espera que a taxa básica de juros chegue a 11,75% ao ano no fim de 2022, contra 11,50% no levantamento anterior. Já o Produto Interno Bruto (PIB) deve expandir 0,28%, ante 0,36% na projeção de uma semana atrás.

A subida no rendimento dos títulos americanos também ajuda a dar fôlego para a alta dos retornos no Tesouro Direto.

A razão é simples: quanto mais sobem as taxas dos papéis do Tesouro americano, mais atrativa fica a renda fixa do país. Logo, isso afeta negativamente ativos mais conservadores de outros países, especialmente emergentes, como é o caso do Brasil.

Com isso, dentro do Tesouro Direto, às 15h20 os juros oferecidos pelo Tesouro Prefixado 2024 eram de 11,69%, contra 11,59% ao ano, no início do dia. Na sexta-feira, o retorno era de 11,62% ao ano.

No mesmo horário, o papel prefixado com vencimento em 2031 e pagamento de juros semestrais oferecia um retorno de 11,43% ao ano, acima dos 11,30% ao ano, da abertura dos negócios. O percentual também é maior do que os 11,34% registrados na última sexta-feira (7).

Entre os papéis atrelados à inflação, os títulos com vencimento em 2035 e 2045 são os que mais avançam, na segunda atualização da tarde. Nesse horário, o retorno real oferecido era de 5,60% ao ano, frente aos 5,57% vistos na sessão anterior.

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O Tesouro IPCA+ 2055 e juros semestrais, por sua vez, oferecia uma remuneração real de 5,65%, acima dos 5,60%, vistos no início do dia e na sexta-feira à tarde.

Com isso, a taxa paga pelo Tesouro IPCA + 2055 voltou a se aproximar do patamar recorde oferecido por esse título que é de 5,68% e que foi alcançado em 29 de outubro de 2021. Esse papel começou a ser negociado em fevereiro de 2020.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde desta segunda-feira (10): 

Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Relatório Focus

Na cena local, agentes financeiros repercutem os dados do Relatório Focus divulgado hoje pelo Banco Central. As novas projeções vêm na esteira de um ambiente de forte pressão inflacionária.

Os economistas consultados pela autoridade monetária estimam agora uma inflação de 9,99% em 2021, ante expectativa de 10,01% anteriormente.

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Os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referentes ao mês de dezembro serão divulgados amanhã (11). O Bradesco espera alta de 0,63% na base mensal, enquanto o Itaú prevê alta de 0,68%, o que levaria o IPCA de 2021 a 10,01%.

Analistas do mercado lembram que, após a divulgação do IPCA, o Banco Central poderá publicar carta aberta ao Ministro da Economia explicando os motivos da inflação acima da meta em 2021, podendo elencar medidas para garantir o retorno da inflação aos limites estabelecidos agora em 2022.

Já para este ano, as projeções para a inflação se mantiveram em 5,03%, enquanto que para 2023, a mediana das expectativas do mercado aponta para alta de 3,36%, abaixo dos 3,41% projetados anteriormente. O percentual para o ano seguinte está praticamente em linha com a meta de 2023.

Com relação à Selic, os economistas consultados pelo Banco Central mantiveram as estimativas em 8% e 7% ao ano para 2023 e 2024, respectivamente.

Servidores, nomeações em ministérios e Refis

Na frente política, destaque para a declaração feita pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) no fim de semana em que ele disse que não há garantia de reajuste salarial neste ano.

“Não está garantido reajuste para ninguém”, afirmou Bolsonaro ao ser questionado sobre possíveis greves de servidores devido às promessas de reajustes de policiais.

Em sua justificativa, Bolsonaro defendeu que não há espaço no Orçamento para um aumento geral, mas reconheceu que servidores perderam poder aquisitivo nos últimos anos.

Também na cena política, reportagem da Folha de S. Paulo destaca que o presidente Jair Bolsonaro (PL) deseja blindar pastas como Saúde, Infraestrutura e Desenvolvimento Regional do avanço do Centrão.

A razão, segundo o jornal, é que esses ministérios seriam mais sensíveis por causa do volume orçamentário que mobilizam e também pela importância eleitoral. Segundo o presidente, quase a metade dos ministros atuais deve deixar o cargo até março para disputar as eleições deste ano.

Atenção também para a fala de Bolsonaro que disse no fim de semana que uma solução para a renegociação das dívidas de micro e pequenas empresas pode ser anunciada até amanhã (11).

Na sexta passada (7), o presidente vetou integralmente um projeto de renegociação aprovado em dezembro pelo Congresso porque ele não apontava fontes de recursos para compensar a perda com arrecadação, contrariando a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Cena internacional

No radar externo, os índices americanos são negociados em queda por volta das 15h40 (horário de Brasília) desta segunda-feira. Investidores ainda repercutem as minutas divulgadas na semana passada pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc na sigla em inglês) do Federal Reserve, o banco central americano.

Na semana passada, a autoridade monetária americana indicou a intenção de reduzir sua carteira de ativos e o auxílio econômico mais rápido do que o esperado até então, além de indicar a elevação das taxas de juros antes do previsto.

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Enquanto isso, na Europa, o mercado acompanha a divulgação da taxa de desemprego da zona do euro, que caiu de 7,3% em outubro de 2021 para 7,2% em novembro. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira pela agência oficial de estatísticas da União Europeia, a Eurostat, e levam em conta ajustes sazonais.

O resultado veio em linha com a expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal. A Eurostat estima que havia 11,829 milhões de desempregados na zona do euro em novembro. Em relação a outubro, o número de pessoas sem emprego na região teve queda de 222 mil.

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