Renda fixa

Tesouro Direto: retorno de Prefixado 2033 atinge patamar recorde

Taxas avançam com bloqueio de petróleo russo e possível choque de inflação

Por  Bruna Furlani, Katherine Rivas -

As taxas dos títulos públicos avançam na tarde desta quinta-feira (2). Taxas dos prefixados sobem até 16 pontos-base enquanto títulos atrelados à inflação apresentam um ganho real maior.

Segundo Igor Cavaca, gestor da Warren Asset Management, o movimento de alta nos ativos prefixados decorre do bloqueio de compra de petróleo russo pela União Europeia, situação que deve gerar um impacto nos preços de energia e em consequência o aumento da inflação no Brasil.

Para o gestor, mesmo com uma possível aprovação do PLP 18/22 – que estabelece um teto de 17% para as alíquotas de ICMS sobre itens como gasolina, diesel, energia elétrica, telecomunicações e transporte coletivo – o mercado precifica que o impacto seria menor do que esperado.

Já nos ativos indexados à inflação longos, há um aumento de ganho real. Cavaca atribui o movimento a expectativa de que o Banco Central faça uma política monetária mais contracionista do que era esperado anteriormente, por conta da possibilidade de mais um choque de inflação.

Mais cedo, investidores monitoravam dados da atividade econômica. Hoje foi apresentado o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, que avançou 1% na comparação com o trimestre anterior – desempenho que veio abaixo das estimativas do mercado.

Números de criação de emprego no setor privado (ADP) americano também ficaram no centro das atenções. Segundo o Departamento de Trabalho, foram criadas 128 mil vagas – percentual que ficou abaixo das projeções dos analistas.

Dentro do Tesouro Direto, o Tesouro Prefixado 2033, com juros semestrais, atingiu patamar recorde. O título registrava às 15h35 um retorno anual de 12,81%, rentabilidade acima da máxima de 12,78% vista no dia 9 de maio. O papel começou a ser negociado neste ano.

Já o Tesouro Prefixado 2029 oferecia um retorno anual de 12,65%, superior aos 12,49% vistos ontem. Enquanto o Tesouro Prefixado 2025 entregava 12,63% ao ano nesta quinta-feira (2), acima dos 12,48% da sessão anterior.

Nos papéis atrelados à inflação, as taxas subiam entre 2 e 4 pontos-base. A maior alta era nos títulos com vencimentos longos.

O Tesouro IPCA+ 2040 e o Tesouro IPCA+ 2055, ambos com juros semestrais, ofereciam um retorno real de 5,73% e 5,85%, respectivamente. A rentabilidade era maior do que a registrada ontem de 5,69% e 5,81%.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na tarde desta quinta-feira (2): 

Petróleo

O Goldman Sachs acredita que decisão da OPEP+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados) é insuficiente para equilibrar mercado de petróleo.

“A OPEP+ decidiu hoje acelerar seu aumento de produção, mantendo a Rússia dentro de sua estrutura de cotas. Acreditamos que esse aumento continua sendo insuficiente para equilibrar o mercado global de petróleo, que já está voltando ao déficit após a recuperação da demanda da China”, ressalta o Goldman Sachs.

“De fato, continuamos a ver riscos de oferta da OPEP+ para o segundo semestre, dada a proibição europeia recém-anunciada às importações de petróleo russo e a falta de progresso nas negociações com o Irã”, diz, projetando preço do Brent em US$ 125 para o 2S22.

PIB

O destaque da cena local está nos números do PIB. A alta de 1,0% no primeiro trimestre representa o terceiro resultado positivo para o indicador, desde o recuo de 0.2% no segundo trimestre de 2021.

Na comparação anual, com o primeiro trimestre do ano passado, o PIB cresceu 1,7% e ficou levemente abaixo das expectativas (1,8%).

Nas últimas semanas, economistas passaram a revisar o PIB do primeiro trimestre e de 2022 para cima, devido à atividade econômica acima do esperado no começo do ano, mas ao mesmo tempo cortaram as previsões para 2023, em meio ao ciclo de aperto monetário do Banco Central.

Sob a ótica da produção, a alta foi puxada pelo setor de serviços, que representa 70% do PIB do Brasil e cresceu 1,0%. Na indústria houve estabilidade (alta de 0,1%) e na agropecuária houve recuo de 0,9%, por causa da estiagem na região Sul.

Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias cresceu 0,7% e o do governo ficou estável (alta de 0,1%). Os investimentos, por sua vez, caíram 3,5%. No setor externo, as importações de bens e serviços regrediram 4,6% e as exportações subiram 5,0%.

Na avaliação de Danilo Passos, economista da gestora WHG, o número veio em linha com a projeção da casa e não trouxe grande surpresa. Segundo ele, a expectativa era que o PIB de agora seria muito determinado por comércio e consumo, diante de pesquisas anteriores que saíram do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Um pouco disso ainda está ligado à reabertura e retomada da economia. Há um resquício desse fim de pandemia ajudando a atividade”, destaca o economista.

O número também não altera muito as projeções da casa para o ano, diz Passos. Ele afirma que a gestora está com estimativa de alta de 1,9% para o indicador em 2022.

Na análise, o economista afirma que o crescimento econômico deve seguir positivo no segundo trimestre deste ano e desacelerar no segundo semestre. A razão, explica, é que na segunda metade do ano teria passado o sentimento positivo gerado com a reabertura das atividades e os efeitos da política monetária seriam mais perceptíveis.

Conta de luz e tributação PIS e Cofins

Na cena política, investidores monitoram a aprovação ontem (1) pelo Senado de um projeto de lei (PL) que prevê a devolução de valores de tributos excedentes recolhidos pelas empresas de distribuição de energia elétrica. Na prática, a medida pode reduzir o valor da conta de luz para o consumidor. Projeto segue para a Câmara.

De acordo com o texto aprovado, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) implementará a destinação dos créditos referentes ao Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e à Contribuição sobre o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) que as empresas cobraram a mais de seus usuários. Essa destinação, segundo o projeto ocorrerá na forma de redução de tarifas.

Já a Câmara aprovou ontem (1) medida provisória (MP) que reformula a tributação de Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre álcool combustível vendido por cooperativas diretamente ao setor varejista. O texto segue para análise do Senado.

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