Tesouro Direto reduz alívio e taxas longas sobem após virada negativa no exterior

Taxas mais curtas apagaram parte das perdas e as mais longas empinaram assim que o mercado brasileiro foi contaminado pela queda em Wall Street

Paulo Barros

(Foto: REUTERS/Jeenah Moon)
(Foto: REUTERS/Jeenah Moon)

Publicidade

As taxas dos títulos do Tesouro Direto reduziram o ritmo de queda e passaram a mostrar leve alta nos vencimentos mais longos ao longo desta quinta-feira (29), após uma mudança no humor dos mercados internacionais, que pressionou ativos de risco e alterou a dinâmica observada na abertura.

Pela manhã, os títulos haviam reagido de forma mais favorável à decisão do Copom, que manteve a Selic em 15% ao ano e sinalizou a possibilidade de início do ciclo de cortes já em março. No entanto, a abertura negativa das bolsas em Nova York mudou o cenário no fim da manhã, levando investidores a ajustar posições.

Nos títulos prefixados, o Tesouro Prefixado 2028 passou a pagar 12,66% ao ano, praticamente estável em relação ao início do dia. Já o Tesouro Prefixado 2032 voltou a subir, de 13,25% pela manhã para 13,31%, enquanto o Prefixado com Juros Semestrais 2035 retornou a 13,41%, apagando parte do alívio inicial.

Entre os papéis atrelados à inflação, o movimento foi semelhante. O Tesouro IPCA+ 2029 manteve leve recuo, para 7,62%, mas os vencimentos mais longos perderam tração. O Tesouro IPCA+ 2040 permaneceu com 7,24% de juro real, enquanto o IPCA+ 2050 voltou a 6,87%, após ter mostrado queda mais cedo.

A reversão ocorreu após Wall Street desabar e pressionar os mercados globais. A queda acentuada de ações de grandes empresas de tecnologia, em especial da Microsoft, levou a uma deterioração do apetite por risco, com reflexos também no Brasil.

Com isso, o Ibovespa virou para perda, o dólar passou a subir frente ao real, e os juros passaram a ganhar força nos vencimentos mais longos, movimento que se refletiu nos títulos públicos negociados no Tesouro Direto.

Continua depois da publicidade

Apesar da mudança de humor ao longo do dia, a decisão do Banco Central segue como pano de fundo dos negócios. O mercado continua avaliando o sinal dado pelo Copom sobre o início do ciclo de flexibilização monetária, com a principal incerteza concentrada no tamanho do primeiro corte, se de 0,25 ponto percentual ou 0,50 ponto percentual, na reunião de março.

Veja as taxas do Tesouro Direto às 13h02 desta quinta-feira (29):

TítuloRendimento AnualVencimento
Tesouro Selic 2028SELIC + 0,0453%01/03/2028
Tesouro Selic 2031SELIC + 0,0988%01/03/2031
Tesouro Prefixado 202812,66%01/01/2028
Tesouro Prefixado 203213,31%01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203513,41%01/01/2035
Tesouro IPCA+ 2029IPCA + 7,62%15/05/2029
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035IPCA + 7,45%15/05/2035
Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,24%15/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,17%15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 6,87%15/08/2050
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060IPCA + 7,08%15/08/2060

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)