Renda fixa

Tesouro Direto: taxas operam mistas com aversão global ao risco e petróleo

Prefixados oferecem até 12,71%; taxas dos atrelados à inflação recuam

Por  Bruna Furlani, Katherine Rivas -

As taxas dos títulos públicos operam em movimento misto na tarde desta quinta-feira (12). Os prefixados apresentam rentabilidades maiores, enquanto as taxas dos atrelados à inflação recuam.

Segundo Flavio Serrano, economista-chefe da Greenbay Investimentos, o dia foi marcado por um movimento altista nas taxas de juros, puxado pela aversão ao risco dos investidores. Ele explica que há um medo maior em relação a uma desaceleração mais forte da economia global.

Ele cita que essa aversão acabou pressionando as taxas de juros, que subiram boa parte do dia. Outro motivo que puxou a curva foi a alta do petróleo.

“A defasagem dos preços da gasolina com o mercado internacional já está acima de 20%”, aponta Serrano. Para o economista isso também impacta nos juros, por causa de uma expectativa de reajuste da gasolina no curto prazo que contribui com a inflação.

No radar dos investidores e que pode impactar as próximas sessões, Serrano destaca o preço das commodities.

Dentro do Tesouro Direto, a maior alta era do título prefixado de longo prazo. O Tesouro Prefixado 2033, com juros semestrais, oferecia uma rentabilidade anual de 12,71%, superior aos 12,66% vistos ontem.

Já o Tesouro Prefixado 2025 e o Tesouro Prefixado 2029 apresentavam ambos um retorno anual de 12,56%, acima dos 12,52% e 12,54% registrados na quarta-feira (11).

Na contramão, nos títulos atrelados à inflação o movimento era de queda nas taxas.

A maioria dos títulos públicos registrava uma queda de 4 pontos-base nas taxas. Apenas a taxa do Tesouro IPCA+ 2040, com juros semestrais, recuava 3 pontos-base.

O título público oferecia às 15h28 uma rentabilidade real de 5,77%, inferior aos 5,80% vistos ontem.

O Tesouro IPCA+ 2055 segue com as negociações suspensas porque pagará juros semestrais na próxima segunda-feira (16).

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde desta quinta-feira (12): 

Serviços

Dados de serviços estão no foco do mercado nesta quinta-feira. O volume do setor subiu 1,7% em março, na comparação mensal. Em relação a março do ano passado, os serviços avançaram 11,4%. No ano, a alta é de 9,4%

Os números superaram as estimativas do consenso Refinitiv, que eram de subida mensal de 0,7% e de avanço anual de 8,5%.

Com os resultados de hoje, o setor recuperou a perda de 1,8% de janeiro e agora está 7,2% acima do patamar pré-pandemia.

Na base mensal, o resultado positivo foi disseminado por todas as cinco atividades investigadas pela pesquisa, com destaque para os transportes (2,7%), que avançaram pelo quinto mês consecutivo.

“Dentre os setores que mais influenciaram a alta dessa atividade está o rodoviário de cargas, especialmente o vinculado ao comércio eletrônico e ao agronegócio. É a principal modalidade de transporte de carga pelas cidades brasileiras e seu uso ficou ainda mais acentuado após os meses mais cruciais da pandemia”, explica Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa.

Importação de alimentos, novo ministro e reforma tributária

Enquanto isso, na cena política, o governo federal anunciou ontem (11) que vai zerar a alíquota do imposto de importação de sete categorias de produtos alimentícios. A decisão foi tomada pelo Comitê-executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex), do Ministério da Economia.

Carnes, trigo e farinha de trigo, milho em grão, biscoitos e outros produtos de pastelaria estão entre os itens afetados pela decisão. Em coletiva de imprensa para detalhar as medidas, Marcelo Guaranys, secretário-executivo da pasta, disse que o objetivo da medida é conter o avanço da inflação no país e fazer com que empresários pensem duas vezes antes de elevar os preços.

Destaque também para a aprovação ontem (11) pela Câmara do pagamento de um adicional por sobreaviso aos policiais federais. A medida provisória (MP) segue agora para análise do Senado Federal, que precisa aprová-la até 25 de maio.

O texto permite usar os recursos do Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-fim da Polícia Federal (Funapol) para financiar plano de saúde e o pagamento de uma indenização por tempo de disponibilidade.

Após uma semana de discussões sobre a reforma tributária nos bastidores, apurações da Reuters apontam que a matéria não dá sinais de que vá caminhar, por ora, no Senado, ainda que o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), tenha a intenção de votá-la neste semestre.

Fontes consultadas pela agência disseram que os dois principais senadores envolvidos no andamento da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do assunto –o relator, Roberto Rocha (PTB-MA), e Davi Alcolumbre (União-AP), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde a medida tramita no momento – não devem retomar a discussão por enquanto.

Em seu primeiro pronunciamento como ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida afirmou na quarta que solicitou estudos ao governo federal para privatização da Petrobras (PETR3;PETR4) e da Pré-Sal Petróleo (PPSA), responsável pelos contratos da União do pré-sal. Aliado do ministro da Economia, Paulo Guedes, o economista também defendeu o prosseguimento da venda da Eletrobras, que depende de aval do Tribunal de Contas da União (TCU).

Atenção também para mais algumas sinalizações de paralisações. Caminhoneiros autônomos do Espírito Santo anunciaram, ontem (11), que vão entrar em greve — o movimento deve começar a partir da meia-noite de hoje, segundo comunicado da categoria.

Cenário externo

Na cena externa, o destaque está no índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, que subiu 0,5% em abril ante março, segundo dados com ajustes sazonais publicados nesta quinta-feira pelo Departamento do Trabalho do país.

O resultado veio em linha com a expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal. O núcleo do PPI, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, avançou 0,6% na comparação mensal de abril, também seguindo a previsão do mercado.

No confronto anual, o PPI deu um salto de 11,0% em abril, desacelerando ante a alta anual de 11,5% no mês anterior, e o núcleo do índice teve alta de 6,9%. O Departamento do Trabalho também revisou para cima o PPI mensal de março, de ganho de 1,4% para aumento de 1,6%.

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