Renda fixa

Tesouro Direto: taxas recuam com postura dovish do Fed e possível fim do ciclo de alta dos juros

Título de inflação para 2055 paga juros na segunda-feira; prefixados oferecem até 12,60%

Por  Bruna Furlani, Katherine Rivas -

As taxas dos títulos públicos apresentaram um movimento misto na tarde desta terça-feira (10). Enquanto a maioria dos prefixados entregavam uma rentabilidade menor, alguns títulos atrelados à inflação tiveram alta nas taxas.

Segundo Luciano Costa, economista e sócio da Monte Bravo Investimentos, o movimento de queda na curva de juros foi influenciado pelo comportamento dos Treasuries, títulos do Tesouro americano – que repercutiram discursos de membros do Federal Reserve em relação a uma alta menos provável de 75 pontos-base nos juros americanos. “Uma postura mais dovish (favorável a taxas de juros mais baixas e menor preocupação com a inflação)”, destaca.

No cenário local, Costa avalia que o movimento da curva de juros brasileira acompanhou a ata do Copom (Comitê de Política Monetária), que deixou a percepção de que o fim do ciclo de alta dos juros pode ocorrer na próxima reunião com a Selic em 13,25%.
“O mercado está cedendo e tirando os prêmios da curva de juros”, aponta o economista da Monte Bravo Investimentos.

Costa destaca que o motivo de algumas taxas dos títulos atrelados à inflação subirem é por conta da inflação implícita e a retirada de prêmios para este tipo de papéis.
No radar dos investidores e que pode impactar outras sessões, o economista destaca a divulgação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de abril nesta quarta-feira (11). “O número deve vir ainda muito pressionado, com alta nos combustíveis, reajustes de remédios e taxas de bens”, avalia Costa.

Atenção também para a divulgação dos dados do CPI – Índice de preços ao consumidor nos Estados Unidos.

Dentro do Tesouro Direto, as taxas dos títulos prefixados recuavam. A maior queda era do título prefixado de curto prazo.

O Tesouro Prefixado 2025 entregava uma rentabilidade anual de 12,43%, inferior aos 12,51% vistos na segunda-feira (9).
Já o Tesouro Prefixado 2029 apresentava um retorno anual de 12,48%, abaixo dos 12,53% registrados ontem.

As taxas do Tesouro Prefixado 2033, com juros semestrais, operavam com estabilidade.

Nos títulos atrelados à inflação, as taxas dos papéis com vencimento em 2026, 2035, 2025 e 2040 avançavam entre 3 e 5 pontos-base.
Já o Tesouro IPCA+ 2032, com juros semestrais, apresentava queda nas taxas.

A maior alta era do Tesouro IPCA+ 2035 e do Tesouro IPCA+ 2045. Ambos os papéis ofereciam um retorno real de 5,79%, superior aos 5,72% da sessão anterior.

Nesta terça-feira (10), as negociações do Tesouro IPCA +2055, com cupom semestral, foram suspensas devido ao pagamento do cupom, que ocorre no dia 16 deste mês.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde desta terça-feira (10): 

Varejo e ata do Copom

Depois de elevar a Selic para 12,75% ao ano na última reunião, o Copom divulgou a ata do encontro nesta terça-feira (10). No documento, o colegiado disse que um aumento ainda maior da Selic criaria um risco de desaceleração mais intensa da atividade econômica à frente.

“O comitê ressaltou que o crescimento econômico veio em linha com o que era esperado, mas o aperto das condições financeiras cria um risco de desaceleração mais forte que o antecipado nos trimestres à frente, quando seus impactos tendem a ficar mais evidentes”, observaram os dirigentes.

Na hora de avaliar o cenário atual, os dirigentes não negaram que a “conjuntura particularmente incerta e volátil requer serenidade na avaliação dos riscos”. O Comitê também pontuou que a extensão do ciclo, com um ajuste de menor magnitude, reforça a “postura de cautela da política monetária e ressalta a incerteza do cenário”.

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Números da atividade varejista também estão no foco do mercado, especialmente após várias casas terem revisado para cima as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas no varejo cresceram 1,0% em março na comparação mensal e 4% em relação ao mesmo período de 2021. Os números vieram bem acima do esperado pelo mercado pelo segundo mês consecutivo.

A expectativa, segundo consenso Refinitiv, era de que as vendas no varejo subissem 0,4% frente a fevereiro e 2,05% na comparação anual. Em fevereiro as vendas no varejo já haviam subido 1,1% (contra uma expectativa de alta de 0,1%).

Com a alta de março, o volume de vendas no comércio agora acumula alta de 1,3% no ano e 1,9% nos últimos 12 meses.

Importados, taxação e alívio a caminhoneiros

Para tentar frear a inflação, o governo vai reduzir a zero o imposto sobre importação de 11 produtos. Entre os itens, fazem parte alimentos da cesta básica e produtos siderúrgicos usados pela construção civil. Além disso, será reduzida, em 10%, a Tarifa Externa Comum (TEC) vigente no Mercosul.

Também na cena política, Paulo Guedes, ministro da Economia, disse ontem (9) que o governo pode apresentar uma versão “mais enxuta” do projeto da reforma tributária com a proposta de aumento do Imposto de Renda sobre os super-ricos e a redução dos impostos cobrados sobre as empresas.

De olho no reajuste anunciado ontem sobre o diesel, o governo quer uma reaproximação com os caminhoneiros e estuda novas medidas para dar um alívio no bolso desses profissionais, de olho nas eleições, informa O Globo.

Entre as propostas em estudo está a correção mais frequente da tabela do frete, para acompanhar a correção dos combustíveis. Estão em estudo também ações para reduzir a burocracia e o custo para a categoria, como registro na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), emplacamento de caminhões e emissão da carteira de habilitação, além da contribuição previdenciária sobre o frete.

 

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