Renda fixa

Tesouro Direto: após Focus, apenas taxas dos prefixados 2025 e 2029 avançam

Maioria dos títulos públicos apresentam estabilidade nas taxas na tarde desta segunda-feira (6)

Por  Bruna Furlani, Katherine Rivas -

As taxas dos títulos públicos operam em movimento misto na tarde desta segunda-feira (6). Apenas os prefixados de curto e médio prazo apresentam alta nas rentabilidades, enquanto as taxas dos outros títulos permanecem estáveis.

Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura, explica que os juros locais tiveram um movimento altista nesta segunda-feira, puxados por temores sobre o cenário político e revisões de alta para as projeções do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) no relatório Focus.

Após mais de um mês da última publicação, o Banco Central divulgou hoje a revisão parcial do relatório Focus. Nele, Borsoi destaca a projeção do IPCA em 2022, que avançou de 7,79% para 8,89%. E a expectativa do IPCA de 2023 que saltou de 4,10% para 4,39%.

A Selic também continua em uma trajetória de alta, com os economistas antecipando que pode ficar em dois dígitos durante todo o ano de 2023. “No passado, se projetava que o Banco Central iniciaria um ciclo de cortes fazendo a Selic terminar 2023 abaixo de 10%”, comenta Borsoi.

Segundo o economista-chefe da Nova Futura, o Focus reforçou a percepção de uma inflação elevada e de que o Banco Central não deve ser capaz de trazer esta para a meta. “Há chances do IPCA de maio, que será divulgado nesta quinta-feira, surpreender e vir acima das expectativas”, destaca. Ele cita que estes fatores levam os investidores a exigir um prêmio maior na curva de juros.

Borsoi também aponta os atritos domésticos em relação ao preço dos combustíveis, com gasolina apresentando alta defasagem e diesel com riscos de desabastecimento, além de um novo choque de preços que provocaria mais gastos ao governo para subsidiar os preços atuais. Estes aspectos acabam contribuindo com o aumento de cautela nos investidores.

Já no cenário externo, Borsoi afirma que a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) na quarta-feira e o Índice de preços ao consumidor nos Estados Unidos (CPI) na quinta-feira podem impactar na curva de juros.  “Estes indicadores podem levar os investidores a adotarem uma postura mais cautelosa nos mercados de juros internacionais, o que impõe uma influência alista para os juros locais”, afirma.

Dentro do Tesouro Direto, a maior alta era nas taxas do título prefixado de médio prazo. O Tesouro Prefixado 2029 entregava, na última atualização desta segunda-feira (6), uma rentabilidade anual de 12,56%, acima dos 12,52% vistos na sessão anterior.

Já o Tesouro Prefixado 2025 apresentava às 15h22 um retorno anual de 12,57%, superior aos 12,55%, registrados na sexta-feira (3).

As taxas do Tesouro Prefixado 2033, com juros semestrais, operavam estáveis.

Nos títulos atrelados à inflação, o movimento também era de estabilidade nas taxas.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na tarde desta segunda-feira (6): 

Fonte: Tesouro Direto

Boletim Focus: divulgação parcial

O destaque da cena local está na apresentação do Boletim Focus. A divulgação parcial também informou que o mercado agora projeta um crescimento de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2022 e de 0,76% para 2023 (uma alta de 0,5 ponto percentual neste ano, mas uma queda de 0,24 para o próximo).

As mais de 100 instituições financeiras consultadas também estimam uma Selic de 13,25% ao ano no fim de 2022 (estabilidade em relação à última pesquisa completa) e de 9,75% no fim de 2023 (uma alta de 0,5 ponto percentual).

Para o câmbio, a projeção é de que o dólar deve encerrar este ano e o ano que vem em R$ 5,05. No último levantamento feito em maio, as estimativas apontavam que a moeda americana terminaria 2022 em R$ 5 e 2023 em R$ 5,04.

PEC dos combustíveis

Segundo a coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, citando o Ministério da Economia, o governo está trabalhando para fechar até terça-feira (7) uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que terá como objetivo baixar o preço dos combustíveis por meio de uma redução drástica ou até mesmo a eliminação de tributos federais e estaduais.

Tal redução valeria apenas por seis meses. A instabilidade causada pela guerra na Ucrânia será dada como a razão da excepcionalidade, diz o colunista.

O governo pretende enviar a PEC ao Congresso na quarta-feira (8).

Eletrobras: oferta segue

Furnas obteve aval da maioria dos credores debenturistas para conduzir um aporte de R$ 1,58 bilhão em Madeira Energia (Mesa), evitando a suspensão do processo de privatização da Eletrobras (ELET3;ELET6), cuja precificação está marcada para a quinta-feira, 9.

A oferta de ações da Eletrobras pode chegar a R$ 35 bilhões e a aprovação do aporte era esperada. Mesa é a empresa que controla a Usina Hidrelétrica Santo Antônio, que tem a concessão para operação da hidrelétrica. Com o aporte, feito por meio de subscrição de aumento de capital de Mesa, Furnas passará a deter 72,4% de participação na companhia, dos até então 43,06%.

Conforme apurou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), a assembleia foi instalada em segunda chamada com um quórum de 50,75% e a permissão para que Furnas realize o aporte por 46,73%. No final de semana, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, acatou tutela provisória de urgência pedindo à suspensão da assembleia dos debenturistas.

O pedido foi feito pela Associação dos Empregados de Furnas (Asef), em ação que apontava uma série de supostas irregularidades cometidas pela companhia. Entre elas, estariam a quebra de contrato de debêntures e a violação de regras sobre prazos. Nesta manhã, no entanto, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro cassou a liminar que impedia a Assembleia Geral de Debenturistas de Furnas.

A ação era prevista já que na sexta-feira, a Eletrobras comunicou que Furnas havia exercido o direito de preferência na subscrição de ações de Mesa, envolvendo R$ 681 milhões, antes de aprovado pelos debenturistas.

Na primeira chamada, não houve quórum para a instalação da assembleia, quando era necessário um quórum de 50% mais 1 dos debenturistas, e pouco mais de 33% estiveram presentes. Na segunda convocação, a assembleia pode ser instalada com quórum menor, de 30%. Essas debêntures foram emitidas em 2019, num montante total de R$ 1,250 bilhão, em duas séries, a primeira de R$ 450 milhões e a segunda de R$ 800 milhões.

O Bradesco é detentor de 100% da primeira série das debêntures e de pouco mais de 20% da segunda série, que foi emitida com base na Lei 12.431, de debêntures de infraestrutura, com isenção fiscal. Os recursos foram direcionados para projetos da Hidrelétrica de Santo Antônio.

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