Renda fixa

Tesouro Direto: juros dos títulos públicos recuam com câmbio e fala de Arthur Lira

Papéis prefixados oferecem até 11,41%, como é o caso do Tesouro Prefixado 2024. Entre os papéis atrelados à inflação, taxa real máxima é de 5,61% ao ano

Por  Bruna Furlani, Katherine Rivas -

Os títulos públicos negociados no Tesouro Direto operam em queda nesta terça-feira (1), puxados pelo câmbio e novos alertas no cenário fiscal. Na última atualização da tarde, às 15h20, tanto prefixados como alguns títulos atrelados à inflação apresentavam baixa nas taxas.

Segundo Alejandro Ortiz, analista da Guide, a queda das taxas de juros foi provocada em parte pela fala de Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, que descartou mexer na tributação do etanol e gasolina, deixando a PEC dos combustíveis concentrada no diesel.

“O custo fiscal da proposta é menor, em torno de R$ 9 bilhões, essa notícia aparentemente positiva ajuda a retirar o prêmio da curva nominal explicando a queda dos títulos e juros reais”, aponta Ortiz.

De acordo com o analista, títulos prefixados e atrelados ao IPCA registram um movimento semelhante, operando em queda com o juro real menor.

Contribui também para esse cenário a queda do dólar, que opera perto dos menores patamares em quatro meses, retirando o prêmio de risco das taxas de juros. Por volta das 15h23, o dólar comercial recuava 0,48%, cotado a R$ 5,2793.

Os investidores também acompanham a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que vai até quarta-feira (2), embora, segundo Alejandro, o mercado de juros já tenha precificado um aumento da taxa Selic.

Dentro do Tesouro Direto, todos os títulos prefixados apresentavam queda. O Tesouro Prefixado 2024 teve a maior baixa, na última atualização desta terça-feira (1) o título entregava uma rentabilidade anual de 11,41%, inferior aos 11,53% da sessão anterior.

Já o Tesouro Prefixado com vencimento em 2026 recuou para 11,12%, frente aos 11,23% entregues ontem. Enquanto o Tesouro Prefixado 2031, com pagamento de juros semestrais, apresentava uma rentabilidade anual de 11,26%, inferior aos 11,31% de ontem.

Nos títulos atrelados à inflação, o juro real apresentava queda nos títulos de médio e longo prazo. O Tesouro IPCA+ 2030, com juros semestrais, teve a maior baixa com uma rentabilidade real de 5,45%, abaixo dos 5,48% entregues na sessão anterior.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde desta terça-feira (31): 

Outros indicadores

João Beck, economista e sócio da BRA, apresenta outros indicadores que também impactam nos ativos prefixados e indexados à inflação. Entre estes o PMI da indústria no Brasil, o indicador apresentou nova queda em janeiro e sinaliza um trimestre ruim por vir, com nova retração, segundo Beck.

“A inflação de bens industriais pode mostrar alívio e contribuir para uma perspectiva menor de juros e inflação”, explica.

Os dados de emprego do Caged, divulgados ontem, apresentam também sinais de um movimento menor na criação de vagas contribuindo com a desaceleração da economia, segundo o economista, o que justificaria a queda dos títulos públicos nesta sessão.

Dólar em queda

Com a queda de quase 5% do dólar no último mês de janeiro, com o real perdendo apenas do peso chileno entre as divisas que mais se valorizaram frente à moeda americana, a XP fez um estudo para entender o comportamento do câmbio para entender se há espaço para maiores altas.

O estudo aponta que, nos últimos dois anos, a moeda brasileira caiu mais do que deveria.  A análise foi feita pelo economista-chefe, Caio Megale, o economista Rodolfo Margato e o estrategista Alexandre Maluf.

Os autores do relatório lembram que, apesar da boa performance em sessões recentes, o real teve um dos piores desempenhos entre as moedas emergentes em dois anos de pandemia. Caiu 40% entre 2020 e 2021, em termos nominais, perdendo apenas para Argentina e Turquia no ranking de depreciação. O real também caiu 22% a mais que a inflação.

PEC dos combustíveis, possível redução do IPI e eleições

Dentro da agenda local, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou ontem que a PEC dos Combustíveis deverá focar apenas em óleo diesel. “Nessa questão do combustível, vim me inteirar do que se tem e está afastada a possibilidade do fundo e na questão da gasolina e do álcool aparentemente também”, disse. A fala ocorreu após Lira se reunir com o ministro da Economia, Paulo Guedes.

O governo desistiu de enviar uma proposta ao Congresso visando zerar o imposto sobre o diesel. Medidas relativas ao gás deverão ser estudadas posteriormente.

Também na seara política, reportagem de bastidores publicada nesta terça-feira pelo jornal Valor Econômico afirma que o governo volta a discutir a redução a zero do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), exceto para cigarros e bebidas, que é um tema antigo da agenda do ministro Paulo Guedes.

Segundo o jornal, a medida seria um contraponto aos planos de governadores de conceder reajustes ao funcionalismo, e poderia contribuir para conter a inflação. De acordo com um interlocutor de Guedes ouvido pelo Valor, não é clara a posição do presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre a proposta.

Também na cena política, o mercado repercute a entrevista dada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) à TV Record ontem. Na ocasião, Bolsonaro afirmou que decidirá seu vice-presidente “aos 48 do segundo tempo”, mas que o nome não será uma surpresa.

“A gente vai escolher aos 48 do segundo tempo, porque se escolher agora você causa turbulência. Algumas pessoas estão esperando ser convidadas e obviamente a decisão como acertado com o líder do partido, o PL, o Valdemar, eu é que escolherei (…) Então, vamos esperar um pouco mais porque temos algumas coisas a passar no Parlamento ainda e não podemos ter turbulência. Algumas questões e essa PEC nossa que me permite zerar o imposto do óleo diesel no Brasil”, afirmou.

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