Publicidade
As taxas dos títulos públicos operam mistas na tarde desta sexta-feira (15). Nos prefixados, algumas taxas apresentam alta de até 4 pontos-base, enquanto nos títulos atrelados à inflação as taxas recuam.
Segundo Igor Cavaca, gestor da Warren Asset Management, o movimento das taxas, principalmente prefixadas, é de leve correção com destaque para os títulos de curto prazo.
Ele explica que, ao longo da semana, o mercado mostrou uma tendência de aumento nos prêmios de risco, que foi perceptível na curva prefixada e de inflação, com aumento nas taxas.
Guia gratuito
Onde Investir no 2º semestre
“Isso foi por conta de uma percepção de piora do ambiente fiscal brasileiro, também impactado pelas incertezas do mercado internacional e da subida esperada dos juros dos Estados Unidos”, destaca Cavaca.
Já nesta sexta-feira (15), acompanhando essa correção, as taxas prefixadas subiram com menos intensidade. Na curva de juros reais, Cavaca cita a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Auxílios e uma gestão fiscal mais frouxa, que se traduz em uma postura mais hawkish (preocupada com a inflação) do Banco Central, como fatores que impactaram nas taxas.
“Esse movimento é reforçado com a sinalização de um Produto Interno Bruto (PIB) mais fraco na China, que deve impactar o preço das commodities nas próximas semanas, e instituições americanas sinalizando um pico de inflação próximo”, afirma Cavaca.
Dentro do Tesouro Direto, a maior alta era do título prefixado de médio prazo. O Tesouro Prefixado 2029 oferecia um retorno anual de 13,24%, superior aos 13,20% vistos na quinta-feira (14).
Já o Tesouro Prefixado 2033, com juros semestrais, apresentava uma rentabilidade anual de 13,33%, acima dos 13,31% registrados ontem.
A taxa do Tesouro Prefixado 2025 operava com estabilidade.
Continua depois da publicidade
Nos títulos atrelados à inflação, o movimento era de queda nas taxas, de entre 4 e 9 pontos-base.
A maior baixa era nos títulos com vencimento em 2035 e 2045. O Tesouro IPCA+ 2035 e o Tesouro IPCA+ 2045 ofereciam ambos um ganho real de 6,08%, inferior aos 6,17% vistos na sessão anterior.
O maior ganho real visto nos papéis de inflação era de 6,17%.
Continua depois da publicidade
Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na tarde desta sexta-feira (15):

China e commodities
O destaque do dia está nos números vindos da China. O crescimento econômico do país desacelerou acentuadamente no segundo trimestre, com alta de 0,4% em relação ao ano anterior.
A previsão apontava para uma expansão de 1,0% no trimestre abril-junho em relação ao ano anterior, de acordo com uma pesquisa da Reuters.
Continua depois da publicidade
Na comparação com os três meses anteriores, o PIB caiu 2,6% no segundo trimestre. Já no primeiro semestre, a economia chinesa cresceu 2,5%.
Pesquisa feita pela Reuters com analistas prevê que o crescimento da China desacelere para 4,0% em 2022, muito abaixo da meta oficial de crescimento estabelecida em 5,5%.
Em relatório enviado a clientes, Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, disse que os dados da China reforçam que a volatilidade deve seguir elevada.
Continua depois da publicidade
“Ali se vê que o passado sofreu mais do que se esperava em meio a tais restrições, enquanto o presente viu de perto o resultado das reaberturas, nas vendas ao varejo, produção industrial e desemprego, ou seja, o problema ainda é Xi Jinping”, destacou o economista.
As cotações do minério de ferro recuavam fortemente, após o resultado do PIB chinês. Além disso, as perspectivas para a demanda do principal setor imobiliário, que responde por mais de 20% da economia chinesa, estão sob nova pressão devido ao boicote generalizado aos pagamentos de hipotecas por compradores de casas, que estão protestando contra o fracasso das incorporadoras em entregar casas que foram vendidas antecipadamente.
PEC dos Auxílios, deflação e perdas com ICMS
Na cena política, o Congresso promulgou, ontem (14), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que decreta estado de emergência no País para permitir ao Planalto conceder e ampliar benefícios sociais às vésperas da eleição. O texto, que já havia passado no Senado, foi aprovado ontem na Câmara após ter a tramitação acelerada por meio de manobras regimentais.
O governo tem pressa para pagar as benesses. Hoje, o chefe do Executivo aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto ao Palácio do Planalto, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ao participar da solenidade de promulgação da PEC dos Auxílios, Bolsonaro elogiou o Congresso por ser “parceiro” do governo e voltou a dizer que a redução do ICMS incidente sobre os combustíveis pode resultar em deflação.
“Teto do ICMS vai levar a uma inflação bem menor no próximo ano. Ouso dizer que podemos ter deflação. É o Brasil voltando à normalidade do período pré-pandemia”, declarou o presidente.
Também na seara política, o Congresso derrubou, ontem (14), o veto do presidente Bolsonaro ao trecho da lei do ICMS que prevê compensação aos Estados por possível perda na arrecadação. A lei estabelece um teto, que varia de 17% a 18%, para a cobrança do ICMS sobre combustíveis, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo.
You must be logged in to post a comment.