Tesouro Direto: em dia forte volatilidade e suspensão dos negócios, juro de prefixado de curto prazo avança para 11,38%

Sessão foi marcada pela divulgação do IPCA, que mostrou um avanço do índice de difusão e reforçou uma preocupação maior com os núcleos

Bruna Furlani

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Após uma suspensão por cerca de 40 minutos ao longo desta sexta-feira (12) logo na abertura dos negócios, as negociações de títulos públicos normalizaram no decorrer do dia.

A sexta-feira foi de apresentação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, que voltou a desacelerar, para 0,61% em abril, após subir 0,71% em março e 0,84% em fevereiro. Nos últimos 12 meses, o indicador acumula alta de 4,18%. No ano, a inflação acumulada é de 2,72%.

Os dados divulgados hoje ficaram acima do consenso Refinitiv, que previa inflação de 0,54% no mês e de 4,10% na comparação anual.

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Chamou atenção também o fato de que o índice de difusão – que mede o percentual de itens com aumento de preços – voltou a avançar em abril, ao passar de 60% para 66%.

Cálculos da XP mostraram ainda certa pressão nos núcleos, com a média dos núcleos de três meses até abril anualizada saindo de 6% para 6,15% no mês passado.

No Tesouro Direto, os juros oferecidos pelos títulos públicos operavam em queda na última atualização do dia. Apenas um papel apresentava alta na taxa: o Tesouro Prefixado 2026, que via o retorno passar de 11,34%, na véspera, para 11,38% hoje. No início do dia, antes da suspensão, o título chegou a oferecer uma rentabilidade de 11,41%.

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Já entre os títulos atrelados à inflação, três papéis apresentavam um recuo de 10 pontos-base (0,10 ponto percentual) nas taxas reais, caso do Tesouro IPCA+2029, 2035 e do 2032 com cupom semestral.

O movimento registrado no Tesouro Direto ao longo do dia foi um pouco diferente do visto na curva de juros. O especialista em renda fixa e sócio da Quantzed, Ricardo Jorge, conta que o início da manhã foi marcado por uma abertura maior dos juros na curva com base em dois fatores.

O primeiro envolveu investidores que montaram uma posição aplicada no DI (apostando na queda dos juros) após falas mais animadoras sobre a inflação feitas pela ministra Simone Tebet dias antes da divulgação dos dados, explica Jorge. Após o resultado, diz, eles tiveram que recomprar as posições e estabelecer ordens de parada.

Já o segundo fator envolveu a montagem de posições que se beneficiam de um cenário em que os juros seguirão mais altos por mais tempo, afirma o especialista.

No meio da tarde, Jorge conta que uma pesquisa que mede o sentimento do consumidor nos Estados Unidos, calculado pela Universidade de Michigan, deu o tom. Pelo fato de o dado ter vindo abaixo do esperado, isso ajudou a fazer com que a alta das taxas de títulos mais curtos cedesse um pouco e que as taxas de prazo mais longo recuassem.

Confira os preços e as taxas dos títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na tarde desta sexta-feira (12): 

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Fonte: Tesouro Direto

IPCA

O destaque da agenda local está nos números do IPCA. Todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo apresentaram alta em abril, com destaque para Saúde e cuidados pessoais, que teve o maior impacto (0,19 ponto percentual) e a maior variação (1,49%).

Segundo André Almeida, analista da pesquisa, o resultado nesse grupo foi influenciado pela alta nos produtos farmacêuticos, justificada pela autorização do reajuste de até 5,60% no preços nos medicamentos, a partir de 31 de março. A contribuição desse item foi 0,12 p.p. e a variação alcançou 3,55%.

Outro grupo que contribuiu para o resultado do mês (com 0,15 p.p.) foi o de Alimentação e bebidas, com aceleração de 0,05% em março para 0,71% em abril.

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A principal colaboração foi da alimentação no domicílio, que passou havia apresentado deflação no mês anterior (-0,14%) e teve alta de 0,73% em abril. Impactaram os preços do tomate (10,64%), do leite longa vida (4,96%) e do queijo (1,97%). Entre os alimentos em queda, destaque para a cebola (-7,01%) e o óleo de soja (-4,44%).

Para a economista-chefe da Galapagos Capital, Tatiana Pinheiro, os números reforçam a indicação de manutenção de um juro alto por mais algum tempo no Brasil.

Na visão da economista, a má notícia do IPCA é que houve uma alta de preços um pouco além do esperado para alimentos e vestuário, que já costumam ser impactados pela sazonalidade neste mês.

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Por outro lado, a especialista da Galapagos Capital afirma que a boa notícia é que o desalinhamento de preços entre serviços e produtos negociáveis no comércio internacional vem caindo. “Mantemos nossa expectativa que a deflação de tradables [produtos negociáveis no comércio internacional] no atacado somada à finalização do realinhamento de preços no varejo irá resultar em uma inflação bastante baixa em julho e agosto”, afirma.

Ao InfoMoney, o economista da Rio Bravo, Luca Mercadante, também chamou atenção para a persistência da inflação de serviços e dos núcleos em patamar mais elevado.

Segundo ele, ambos não mostram “alívio e não condizem com a convergência da inflação para a meta”. “Assim, a divulgação de hoje reforça a mensagem do BC, de que eles ainda precisam manter os juros elevados e só devem cortar a partir de setembro”.