Renda fixa

Tesouro Direto: taxas recuam forte com Fed e PIB dos EUA; piso de prefixados cai para abaixo de 13%

Prefixados oferecem até 13,18% ao ano; ganho real dos papéis de inflação chega a 6,24%

Por  Bruna Furlani, Katherine Rivas -

As taxas dos títulos públicos operam em queda na tarde desta quinta-feira (28). Nos prefixados, as taxas recuam até 30 pontos-base, enquanto nos títulos atrelados à inflação a baixa é de até 19 pontos-base.

Segundo Igor Cavaca, gestor da Warren Asset Management, a redução nas taxas de juros está relacionada à ação de política monetária do Federal Reserve – Fed, banco central americano- e ao indicador do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, que recuou 0,9% no segundo trimestre em termos anualizados, segundo a primeira estimativa do Bureau of Economic Analysis (BEA), divulgada hoje.

Os dados apresentados indicam que a economia americana entrou em recessão técnica – quando há dois trimestres consecutivos de queda. No primeiro trimestre deste ano, o PIB do país recuou 1,6% em termos anualizados.

Na leitura de alguns agentes financeiros, isso pode levar o Fed a adotar uma postura menos agressiva sobre os juros nas próximas reuniões. “O comunicado realizado por Jerome Powell, presidente do Fed, foi interpretado como mais brando do que o mercado vinha esperando, com precificação de altas menores nas taxas de juros americanos do que eram esperadas no começo da semana”, comenta Cavaca.

De acordo com o gestor da Warren Asset Management, a recessão técnica limita a necessidade de uma política monetária contracionista, o que reduz o prêmio de risco dos títulos brasileiros. “O mercado entende que o Banco Central pode terminar seu ciclo de alta de juros em um patamar mais baixo do que vinha sendo precificado até então”, destaca.

O mercado local também repercute a desaceleração de mais um dado de inflação. Hoje, foi apresentado o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que avançou 0,21% em julho na comparação mensal. No mês anterior, a alta tinha sido de 0,59%. O percentual também ficou abaixo do esperado pelo mercado.

Dentro do Tesouro Direto, a maior baixa era na taxa do título prefixado de curto prazo. O Tesouro Prefixado 2025 oferecia um retorno anual de 12,91%, abaixo dos 13,21%, vistos ontem.

Já o Tesouro Prefixado 2029 e o Tesouro Prefixado 2033, com juros semestrais, apresentavam uma rentabilidade anual de 13,05% e 13,18%, respectivamente, inferior aos 13,33% e 13,44% registrados na sessão anterior.

Nos títulos atrelados à inflação, a queda das taxas era de entre 6 e 19 pontos-base.

O maior ganho real chegava a 6,24%.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na tarde desta quinta-feira (28): 

Fonte: Tesouro Direto

PIB dos EUA

O destaque da cena internacional está nos números do PIB. O resultado divulgado hoje veio muito abaixo do consenso Refinitiv, que era de alta de 0,5%. No trimestre anterior, o resultado também havia decepcionado o mercado, que projetava uma alta de 1,1%.

Segundo o BEA, a queda menor no segundo trimestre “reflete principalmente um aumento nas exportações e uma redução menor nos gastos do governo federal”.

O órgão disse ainda que o recuo no PIB trimestral “refletiu quedas no investimento privado em estoque, no investimento fixo residencial, nos gastos do governo federal, nos gastos dos governos estaduais e municipais e no investimento fixo não residencial”.

Do lado positivo, as retrações foram parcialmente compensadas ​pelo crescimentos nas exportações e nas despesas de consumo pessoal (PCE). Já as importações, que são uma subtração no cálculo do PIB, aumentaram.

Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, os números apresentados hoje apresentaram sinais ambíguos sobre a economia americana.

Ao mesmo tempo em que trouxeram uma diminuição nos investimentos, principalmente residenciais e não-residenciais, mostraram também que houve crescimento de 1% do consumo pessoal, notou o especialista.

“Mesmo com a queda no PIB, a forte criação de empregos, o desemprego próximo do pleno emprego e o aumento do consumo pelas famílias demonstram que a economia dos EUA não estaria numa espiral recessiva, mas sim numa correção de rota após a crise da Covid-19”, observou Sung.

Embora os sinais não sejam muito claros, ele reforça que não é possível negar que os dados já indicam que alguns setores da economia estão desacelerando, o que pode oferecer certo alívio para a inflação e fazer com que o Fed diminua o ritmo de aperto monetário.

IGP-M

O dia é de agenda econômica cheia na cena local. Pela manhã, os investidores acompanharam a apresentação do IGP-M de julho. Já à tarde, o mercado repercute os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), com projeção de criação de 250 mil vagas, segundo projeção Refinitiv.

Sobre o IGP-M, a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou que, com os resultados de hoje, o índice acumula alta de 8,39% e de 10,08% em 12 meses.

Na avaliação de André Braz, coordenador dos índices de preços, parte da desaceleração é reflexo da queda nos preços de commodities importantes, como minério de ferro, milho e soja. O recuo, diz, é reflexo dos riscos de um cenário macroeconômico pouco animador.

Já no âmbito do consumidor, a redução do ICMS sobre a energia elétrica e a gasolina puxaram o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) para o campo negativo, com queda de 0,28%. “Se não fosse a redução do ICMS, o IPC não teria registrado taxa negativa”, afirmou Braz.

Sistema eleitoral no foco

Já na cena política, o Manifesto em Defesa da Democracia criado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) já possui mais de 165 mil assinaturas. A carta reúne assinaturas de juristas e também conta com a adesão de banqueiros e empresários.

Ontem (27), o presidente Jair Bolsonaro ironizou o documento após repetidos ataques ao sistema de votação brasileiro.

Momentos antes, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), disse confiar no sistema eleitoral brasileiro.

As falas ocorreram durante a convenção nacional do PP, em que a legenda formalizou o apoio à reeleição do presidente da República.

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