Renda fixa

Tesouro Direto: juros dos títulos públicos revertem queda e sobem nesta 3ª; Tesouro IPCA+ 2055 volta a ser negociado

Investidores monitoram piora nas estimativas para a inflação e para o crescimento econômico neste ano e no próximo, além de declarações de dirigente do Fed

Por  Bruna Furlani -

SÃO PAULO – O mercado de títulos públicos negociados no Tesouro Direto opera com alta nas taxas, na atualização das 15h30 desta terça-feira (16), ao contrário do movimento visto no começo da manhã. Investidores monitoram a piora nas projeções para a inflação neste ano e no próximo, em conjunto com as perspectivas de crescimento menor da atividade econômica em 2021 e 2022, segundo dados do Relatório Focus.

Atenção também para a apresentação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central, conhecido como IBC-Br, que apresentou queda de 0,27% em setembro, em linha com o esperado pelo mercado.

Na cena internacional, o mercado repercute ainda a declaração de James Bullard, presidente do banco central americano de St.Louis. Nesta terça-feira, o dirigente afirmou que a autoridade monetária americana deve ir numa direção mais “hawkish” (inclinada ao aperto monetário) nas próximas duas reuniões.

Dentro do Tesouro Direto, na atualização das 15h30, o Tesouro Prefixado 2024 oferecia retorno de 11,89%, acima dos 11,80% ao ano vistos no início do dia. O percentual também é maior do que os 11,82% ao ano registrados na sexta-feira (12).

No mesmo horário, a rentabilidade oferecida pelo Tesouro Prefixado 2031 era de 11,61%, frente aos 11,53% ao ano no começo da manhã – mesmo valor visto na sessão anterior. Com isso, a diferença entre o retorno do título de prazo mais curto (2024) e o de prazo mais longo (2031) chegava a 28 pontos-base durante a tarde, contra 51 pontos-base em dias de maior estresse na semana passada.

Já entre os títulos atrelados à inflação, o retorno real oferecido pelo Tesouro IPCA+ 2035 e 2045 era de 5,21% ao ano, contra 5,15% ao ano registrados na abertura dos negócios. O valor também está acima dos 5,19% vistos na última sexta-feira. Após vários dias sem negociação com a proximidade do pagamento do cupom, que ocorreu no último 12, o Tesouro IPCA+ 2055 com juros semestrais voltou a ser negociado e oferecia juro real de 5,30%, na atualização da tarde. No início da sessão de hoje, a remuneração desse título era de 5,27% ao ano.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde desta terça-feira (16): 

Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Relatórios Focus e IBC-Br

Entre os destaques da agenda econômica estão as projeções apresentadas no Relatório Focus do Banco Central. O mercado financeiro elevou as estimativas para a inflação deste ano pela 32ª semana, desta vez de 9,33% para 9,77%. As expectativas para 2022 também tiveram piora, de 4,63% para alta de 4,79%, na 17ª elevação consecutiva.

As pressões inflacionárias e a piora no cenário fiscal têm pressionado a autoridade monetária a subir os juros mais rapidamente. A expectativa, segundo os economistas consultados pelo BC é de que a Selic encerre o ano a 9,25% e o próximo, a 11% ao ano, sem alterações em relação ao levantamento anterior. Isso implica nova alta de 1,5 ponto percentual na taxa básica de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em dezembro, a última do ano.

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Nesta terça-feira, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, reconheceu que a inflação acelerou e teve piora quantitativa e qualitativa em todos os aspectos e, por isso, destacou que o trabalho da autoridade monetária é difícil.

“É importante ser realista e entender o quão disseminada está a inflação e será difícil trabalho do BC”, disse ele, ao participar de painel no IX Fórum Jurídico de Lisboa, na capital portuguesa.

Com relação ao desempenho da economia brasileira, o Relatório Focus também mostrou que houve uma piora nas expectativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021, de 4,93% para 4,88%, e para 2022, de crescimento de 1% para 0,93%.

Também foram apresentados hoje os dados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que mostraram que o indicador teve queda de 0,27% em setembro na comparação com agosto, segundo dados dessazonalizados.

A projeção segundo pesquisa Refinitiv era de queda de 0,30% na comparação mensal, ante dado anterior mostrando baixa de 0,15% e que foi revisado nesta terça-feira para recuo de 0,29%. Com isso, no terceiro trimestre, a atividade econômica medida pelo BC recuou 0,14%.

Em relatório, José Márcio Camargo, Eduardo Ferman, Yihao Lin, da Genial Investimentos, destacaram que o indicador do Banco Central foi impactado em setembro pelo recuo de todos os indicadores de atividade que seguem bastante impactados, principalmente, por problemas nas cadeias globais de produção e pela inflação elevada.

PEC dos Precatórios, Bolsonaro e o PL

Enquanto isso na cena política, investidores acompanham a discussão de medidas com foco na aproximação do ano eleitoral. Durante entrevista em Dubai na segunda-feira (15), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que a folga no teto de gastos a ser criada pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios poderá ser usada, também, para reajuste dos servidores federais.

Após a declaração do presidente, Fernando Bezerra (MDB-PE), líder do governo no Senado, voltou a falar sobre o tema e disse que o governo pode conceder reajuste a servidores públicos em 2022, mas indicou que as “prioridades” serão discutidas no Orçamento.

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Senadores temem que o governo use o espaço fiscal de R$ 91,6 bilhões, que se abrirá em caso de aprovação da PEC dos precatórios para ampliar os salários do funcionalismo público. O salário dos servidores federais está congelado desde 2019 e concursos públicos estão suspensos, visando conter as despesas públicas este ano.

Outro tema que voltou a gerar certa preocupação entre aliados políticos é a filiação partidária do presidente Jair Bolsonaro. Ontem, Bolsonaro deu um prazo de duas a três semanas para decidir se assina de fato a filiação ao PL ou desiste. Ele também deixou claro que a liberação de filiados em alguns Estados para que façam acordos locais não o agrada.

“Eu tenho um limite. Eu espero em duas três semanas no máximo casar ou desfazer o noivado, mas espero casar e ser feliz”, disse.

Radar externo

No cenário internacional, um dos destaques está na reunião virtual entre Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, e Xi Jinping, presidente da China. Em comunicado após a cúpula, a Casa Branca disse que os líderes “discutiram a natureza complexa das relações entre nossos dois países e a importância de administrar a concorrência com responsabilidade”.

Segundo a nota, Biden destacou questões como direitos humanos em Hong Kong e Xinjiang, “comércio e práticas econômicas injustas” da China e o compromisso dos EUA com Taiwan.

Também nos Estados Unidos, as vendas no varejo americano cresceram 1,7% em outubro ante setembro, para US$ 638,2 bilhões, segundo dados com ajustes sazonais divulgados nesta terça-feira pelo Departamento do Comércio.

O resultado veio acima da previsão dos analistas consultados pelo Wall Street Journal, que era de um avanço de 1,5% no período.

Outro destaque está na fala de James Bullard, presidente do Federal Reserve de St. Louis, que disse que o banco central deve acelerar a redução do estímulo monetário em resposta ao avanço da inflação nos Estados Unidos.

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“Acho que cabe ao comitê ir em uma direção mais ‘hawkish’ nas próximas duas reuniões, para que possamos administrar o risco da inflação de forma adequada”, disse Bullard sobre o aperto da política monetária em entrevista à Bloomberg Television. Em 2022, Bullard votará no Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês).

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