Renda fixa

Tesouro Direto: taxas dos títulos públicos sobem com tensão Rússia X Ucrânia, Campos Neto e à espera de IPCA-15

Mercado monitora novos sinais sobre política monetária local; prefixados entregavam até 11,58% de rentabilidade anual

Por  Bruna Furlani, Katherine Rivas -

As taxas dos títulos públicos sobem na tarde desta terça-feira (22), puxadas pelas tensões entre Rússia e Ucrânia no cenário externo e com o mercado acompanhando o discurso de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, que participou de evento. Agentes também aguardam a divulgação da prévia oficial da inflação (IPCA-15), que será apresentada amanhã (23).

Segundo Luciano Costa, economista-chefe da Kilima Asset, a tensão entre Rússia e Ucrânia continua pesando no mercado de juros, principalmente pela possibilidade de novas sanções impostas pelos Estados Unidos.

No começo do discurso, Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, destacou que o País adotará sanções ainda mais severas do que as que foram aplicadas anteriormente.

Além dos americanos, a União Europeia listou sanções para 27 entidades russas, como bancos, agentes do setor de defesa e até o mercado financeiro.

No cenário local, Costa explica que o mercado está bastante sensível a prévia da inflação de fevereiro – com dados do IPCA-15 que serão divulgados na quarta-feira (23). “Se o número vier acima do esperado, as taxas devem subir”, explica ele, que reforça que o indicador pode ter forte impacto dos reajustes anuais no setor de educação.

Além disso, o mercado busca pistas sobre uma sinalização na política monetária no discurso de Roberto Campos Neto, que participa em evento na tarde desta terça-feira.

Dentro do Tesouro Direto, as taxas do título público de curto prazo subiam na última atualização desta terça-feira (22). O Tesouro prefixado 2025 entregava uma rentabilidade anual de 11,43%, acima dos 11,39%, vistos ontem.

Já as taxas do Tesouro Prefixado 2029 e 2033, com juros semestrais, operavam com estabilidade.

Nos títulos atrelados à inflação, a maior alta era nas taxas do Tesouro IPCA+ 2026, que apresentava uma rentabilidade real de 5,38%, superior aos 5,34% registrados ontem. Todos os outros títulos atrelados ao IPCA avançavam 3 pontos base (0,03 ponto percentual).

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde desta terça-feira (22): 

Fonte: Tesouro Direto

Rússia e Ucrânia

Os Estados Unidos entendem que o reconhecimento de independência das repúblicas separatistas é “início de uma invasão russa”.

A declaração é do vice-assistente do presidente para a segurança nacional dos EUA, John Finer, para a CNN norte-americana. A Rússia, por suas ações, reduziu significativamente as possibilidades de uma solução diplomática, enfatizou Joe Biden, presidente dos EUA, que em breve (15h de Brasília) fará um pronunciamento sobre a crise.

“Sim, acreditamos que este é o início de uma invasão e uma invasão é uma invasão, é exatamente isso que está acontecendo”, disse Feiner. “Acho que a Rússia prejudicou significativamente o caminho diplomático, eles fecharam a porta para a diplomacia”, enfatizou, concordando com Biden.

Leia mais: 
Corrida ao dólar com tensão Rússia x Ucrânia, avanço das commodities, seis altas de juros nos EUA: o que a SPX espera para a economia global

A União Europeia listou sanções a 27 entidades russas, como bancos, agentes do setor de defesa e do mercado financeiro, informou a Reuters.

As sanções da União Europeia à Rússia incluem limitação de acesso aos mercados de capitais europeus.

Todos os membros da Duma da Rússia, a câmara baixa do parlamento, estão incluídos, com proibições de viagens e congelamento de bens. O pacote de sanções foi aprovado por unanimidade pelos estados-membros e anunciado há pouco.

 

 

IPCA-15 e Campos Neto

Na agenda semanal de indicadores do Brasil, o destaque fica com a prévia do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), referente a fevereiro. O dado será divulgado nesta quarta-feira (23), às 9h da manhã, antes da abertura do mercado. O consenso aponta para um avanço de 0,7%, mas o Bradesco prevê alta mensal de 0,84% e o Itaú, de 0,87%.

“A inflação fora do núcleo deve pressionar o índice para cima novamente, principalmente gastos com taxas de matrícula, itens alimentícios e veículos usados e novos. O núcleo da inflação também continuará pressionado, tanto pelos preços de bens quanto os de serviços”, diz a análise do banco.

O Itaú acredita que, por outro lado, preços regulados, como energia elétrica, combustíveis e seguro saúde, devem apresentar deflação.

Ao comentar sobre a alta de preços hoje durante evento, Campos Neto, disse que está “olhando a inflação de serviços de perto”. Com a melhora da pandemia, o setor deve acelerar e assim, deve haver uma transferência do consumo de bens para o de serviços.

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