Renda fixa

Tesouro Direto: taxas recuam com câmbio, alívio fiscal e cenário externo

Prefixados oferecem até 13,17% ao ano; retorno dos papéis de inflação chega a 6,13%

Por  Bruna Furlani, Katherine Rivas -

Após alguns papéis terem alcançado nova marca histórica no período da manhã, as taxas dos títulos públicos operam mistas na tarde desta quinta-feira (7).

Nos prefixados, as taxas desaceleram, enquanto nos títulos atrelados à inflação algumas taxas apresentam leve alta e outras permanecem estáveis.

Segundo Flávio Serrano, economista-chefe da Greenbay Investimentos, o movimento de queda foi puxado por três motivos: o primeiro é um certo alívio em relação as preocupações sobre a desaceleração econômica global.

Contribuiu também o cenário fiscal com uma probabilidade menor de novos gastos serem inclusos na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Auxílios, destaca o economista.

Os integrantes da comissão especial destinada a discutir a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Auxílios na Câmara dos Deputados aprovaram, nesta quinta-feira (7), o substitutivo apresentado pelo relator da matéria, deputado Danilo Forte (PSB-CE). Foram 36 votos a favor e 1 contra. Agora, o texto-base segue para análise do plenário.

O texto, apensado a outra proposta que trata de estímulos tributários aos biocombustíveis, cria programas sociais e amplia benefícios já existentes, por meio da abertura de R$ 41,25 bilhões em créditos extraordinários, e institui um estado de emergência até o final do ano.

Além disso, Serrano cita o câmbio que também desacelerou com alívio externo. Por volta das 16h11, o dólar comercial operava em queda de 1,36%, cotado a R$ 5,3474.

Atenção também para os dados de inflação oficial de junho, que serão apresentados amanhã (8).

Dentro do Tesouro Direto, os prefixados ofereciam uma rentabilidade anual de até 13,17%, na última atualização desta quinta-feira (7).

A maior baixa era nos títulos prefixados de curto prazo. O Tesouro Prefixado 2025 oferecia um retorno anual de 12,85% às 15h23, inferior aos 12,92% vistos ontem.

Já o Tesouro Prefixado 2029 e o Tesouro Prefixado 2033, com juros semestrais, registravam uma rentabilidade anual de 13,02% e 13,17%, respectivamente, abaixo dos 13,06% e 13,20% oferecidos na sessão anterior.

Nos títulos atrelados à inflação, o ganho real dos papéis chegava a 6,13%. As taxas dos papéis com vencimento em 2026, 2035, 2040 e 2045 permaneciam estáveis. Já os outros títulos apresentavam alta nas taxas de entre 2 e 3 pontos-base.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na tarde desta quinta-feira (7): 

Fonte: Tesouro Direto

PEC dos Auxílios

Os integrantes da comissão especial destinada a discutir a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Auxílios na Câmara dos Deputados aprovaram, nesta quinta-feira (7), o substitutivo apresentado pelo relator da matéria, deputado Danilo Forte (PSB-CE). Foram 36 votos a favor e 1 contra. Agora, o texto-base segue para análise do plenário.

O texto, apensado a outra proposta que trata de estímulos tributários aos biocombustíveis, cria programas sociais e amplia benefícios já existentes, por meio da abertura de R$ 41,25 bilhões em créditos extraordinários, e institui um estado de emergência até o final do ano.

Apelidada de “PEC Kamikaze” pelo ministro Paulo Guedes (Economia) quando foi protocolada no Senado Federal, em fevereiro, pelo senador Carlos Fávaro (PSD-MT), em razão do impacto sobre as contas públicas, a proposta se tornou, quatro meses depois, a principal aposta do presidente Jair Bolsonaro (PL) para melhorar seus índices de aprovação e ganhar competitividade na disputa por mais um mandato à frente do Palácio do Planalto.

A menos de três meses do primeiro turno, o governo Bolsonaro corre contra o tempo para concluir a tramitação da matéria no Congresso Nacional antes do recesso parlamentar (que começa em 17 de julho) e operacionalizar os benefícios, na tentativa de fazer com que seus efeitos sejam percebidos pelos eleitores a tempo do pleito.

A PEC dos Auxílios amplia de R$ 400,00 para R$ 600,00 o valor das parcelas mensais pagas pelo Auxílio Brasil e zera a fila de beneficiários do programa, hoje estimada pelo Ministério da Cidadania em 1,6 milhão de famílias.

Ela também aumenta o valor pago com o auxílio-gás, de modo a garantir a compra de um botijão a cada dois meses para um público de 5,86 milhões de famílias. E institui o “voucher caminhoneiro” para transportadores autônomos, no valor de R$ 1.000,00 mensais.

O texto prevê, ainda, o pagamento de um auxílio emergencial para taxistas devidamente registrados até 31 de maio, até o limite de R$ 2 bilhões, e traz dispositivo para assegurar suplementação orçamentária de R$ 500 milhões ao programa Alimenta Brasil. Todas as medidas valem apenas até o final de 2022.

Retorno das publicações do BC

Com o encerramento da greve dos servidores do Banco Central após cerca de três meses de paralisações, a autoridade monetária disse ontem (6) que irá retomar o calendário de publicação de indicadores atrasados. 

Ao ser divulgado hoje pela manhã, o questionário feito antes da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, mostrou que a maior parcela dos economistas acredita que há mais chances de que a inflação seja maior em 2023. Ao mesmo tempo, boa parte dos agentes consultados disse que a alta de preços neste ano deve ser menor do que as projeções atuais.

No documento, 43% dos economistas acham que há risco de baixa em seus cenários para a inflação deste ano, contra 29% de risco de alta. Para 2023, o risco de baixa ficou em 5%, enquanto o de alta, ficou em 76%. Na visão de 27% dos analistas, os riscos devem permanecer equilibrados em 2022, já no ano que vem, o risco é de 19%.

Ainda hoje, serão apresentados o Relatório de Poupança de maio e junho, às 15h, seguido, às 16h30, pela atualização parcial dos Indicadores Selecionados, mas sem o fluxo cambial ou o resultado das operações cambiais da autoridade monetária.

Serão divulgados, contudo, o Indicador de Commodities do BC (IC-Br), de abril a junho, e o Indicador de Atividade Econômica do BC (IBC-Br), de março e abril.

Já amanhã (8), haverá a atualização do Boletim Focus, às 8h30, com os relatórios semanais de 6 de maio a 1º de julho (9 arquivos). Na sequência, às 9h, o BC vai divulgar a distribuição de frequências referente a maio e junho. Já 12h, será a vez do Top 5 de junho (Curto Prazo IPCA e Selic), 2º trimestre (Médio Prazo IPCA, Cesta e Administrados, Câmbio) e ranking acumulado de 12 meses iniciado em maio de 2021 (IPCA).

Já, na segunda-feira (11), o órgão vai voltar a publicar normalmente o Boletim Focus, às 8h30, com a atualização da série toda das expectativas de mercado às 9h.

Renúncia de Boris Johnson e ata do BCE

Outro destaque da cena internacional está no anúncio de que Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, deixará o cargo, depois de ser abandonado por ministros e pela maioria de seus parlamentares conservadores diante de uma série de escândalos.

“O processo de escolha do novo líder deve começar agora”, disse Johnson à porta do número 10 da Downing Street. “E hoje eu nomeei um gabinete, como farei, até que um novo líder esteja no cargo.”

Ele permanecerá na função de forma interina enquanto o Partido Conservador escolhe seu sucessor. Johson ainda informou que as nomeações feitas nas últimas 24 horas vão ajudar a fazer esse processo de transição.

Também na agenda econômica, investidores acompanham a divulgação da ata do Banco Central Europeu (BCE). No documento, os dirigentes avaliaram que um aumento inicial mais agressivo de seus juros básicos poderá desencadear uma reação excessiva nos mercados de juros, diante das atuais projeções macroeconômicas e elevado grau de incertezas. O documento é referente ao encontro de 9 de junho.

Na reunião do mês passado, o BCE já tinha revelado planos de elevar seus juros em 25 pontos-base (0,25 ponto percentual) na reunião do próximo dia 21, mas há especulação sobre um aumento maior, possivelmente de 50 pontos-base, à medida que a inflação na zona do euro renova sucessivos recordes em meio aos efeitos da guerra na Ucrânia.

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