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Além do mau humor provocado pelo cenário político, os agentes financeiros estão voltados para o exterior nesta sexta-feira (16) por conta do temor global de recessão no ano que vem.
A maior aversão a risco acontece com os mercados digerindo a semana de decisões de política monetária, com destaque para a do Federal Reserve (Fed, banco central americano) e a do Banco Central Europeu (BCE).
Às 15h20, Ibovespa operava em queda, para a faixa dos 102 mil pontos, assim como o dólar comercial, que recuava para o patamar dos R$ 5,27.
Oportunidade com segurança!
Na cena política local, investidores repercutiam a notícia de que Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, adiou para a próxima terça-feira (20) a análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição pelo plenário da casa. Ainda há impasses em torno do texto.
O novo adiamento está intimamente ligado ao fato de que o Supremo Tribunal Federal (STF) também decidiu postergar a decisão sobre as emendas de relator. Também há uma expectativa de que o Senado deixe para votar a Lei das Estatais apenas em 2023, porque não há consenso em torno da proposta.
De olho no cenário externo e nos imbróglios da cena local, o mercado de títulos públicos opera com alta nas taxas nesta tarde. Movimento visto desde o começo da manhã.
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Às 15h24, papéis prefixados ofereciam retornos de até 13,62% ao ano, caso do título com vencimento em 2025. Na véspera (15), o mesmo papel entregava um juro de 13,51% ao ano. Da mesma forma, entre os papéis atrelados à inflação, a remuneração mais elevada era oferecida pelo Tesouro IPCA+2026, que chegava a 6,46%, em igual horário, acima dos 6,37% vistos um dia antes.
“Não houve grandes novidades no desenrolar do dia. O destaque é o DI de janeiro de 2027, que apresenta alta. Os mais curtos estão fechando [caindo] e a parte mais longa, abrindo [juros subindo]”, afirma Fernanda Bandeira, especialista em renda fixa da Blue3.
Confira os preços e as taxas dos títulos públicos disponíveis para a compra no Tesouro Direto na tarde desta sexta-feira (16):

Indicações dos bancos centrais
Os principais índices americanos operam em baixa na tarde desta sexta, caminhando para o terceiro dia de perdas consecutivas, com investidores repercutindo dados econômicos que aumentaram as preocupações com uma recessão iminente e antecipando uma série de falas de dirigentes do Federal Reserve agendadas para hoje, como de John Williams, Michelle Bowman e Mary Daly.
O fraco desempenho das vendas no varejo publicado na quinta-feira (15) sugere que a inflação está afetando os consumidores mais do que o esperado. Isso tem preocupado os investidores com a desaceleração dos gastos do consumidor, um sinal de que a economia está enfraquecendo.
O anúncio do Fed de que continuará subindo as taxas até 2023 para 5,1%, um número maior do que o esperado anteriormente, também pesa sobre os mercados americanos.
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Ao avaliar as indicações dadas por bancos centrais nesta semana, Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, destaca que a diminuição no ritmo de alta dos juros por parte das autoridades não significa necessariamente o fim do processo de aperto monetário e que as autoridades têm reforçado que a vigilância continua necessária.
“Para parte do mercado, a expectativa era exatamente da indicação do fim dos programas de aperto e não foi isso necessariamente o que aconteceu, deixando em aberto e a depender do futuro da inflação, o momento disso acontecer”, diz o economista.
O profissional também chama atenção para um tema em comum citado por praticamente todos os bancos centrais em seus documentos nesta semana e que diz respeito a uma expectativa de recessão. Isso também acaba pesando sobre os mercados nesta sexta-feira.
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Lei das Estatais e Orçamento secreto
Já na cena política, o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), sinalizou ontem (15), que a votação da mudança na Lei das Estatais aprovada na Câmara dos Deputados pode ficar para o ano que vem. De acordo com Pacheco, o texto pode passar antes pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. A prioridade, segundo o senador, é o Orçamento de 2023 e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da transição.
“Há necessidade de uma melhor reflexão a respeito. Eu não quero afirmar que ficará para o ano que vem, mas não necessariamente será agora nesta semana e pode não ser na próxima também”, disse Pacheco, a jornalistas. “Estamos com poucos dias até o recesso parlamentar para poder deliberar sobre tudo. Mas evidentemente que as questões prioritárias serão tratadas ainda este ano”, emendou o senador, ao citar a PEC e a Lei Orçamentária Anual (LOA).
Também na cena política, o Congresso Nacional aprovou, nesta sexta-feira (16), um projeto de resolução para redistribuir os recursos das emendas de relator conforme o tamanho das bancadas partidárias da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
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A iniciativa ocorre em meio ao julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que discute a legalidade das emendas de relator, o chamado “orçamento secreto”, diante de questionamentos sobre a sua transparência e falta de critérios sobre a distribuição da verba.
O julgamento tem cinco votos a favor para barrar o orçamento secreto e quatro para mantê-lo, mas fazendo alterações para aumentar a transparência e adotar critérios de distribuição.
O Supremo deve concluir a apreciação do caso na segunda-feira (19), com o voto dos ministros Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes.
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