Tesouro Direto: juros de longo prazo sobem com mercado digerindo dados dos EUA

Movimento ocorre na contramão dos rendimentos dos Treasuries, que apresentam recuo nas taxas de 10 e 30 anos nesta quarta

Paulo Barros

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Os juros de médio e longo prazos do Tesouro Direto operam com viés de alta na manhã desta quarta-feira (7), apesar do recuo dos rendimentos dos Treasuries no exterior, com quedas nas taxas dos papeis de 10 e 30 anos. O movimento ocorre após uma sessão marcada por taxas praticamente de lado.

Segundo operadores, a liquidez segue reduzida e pode ficar ainda menor ao longo do dia, em função de uma agenda econômica fraca no mercado doméstico. No radar, permanecem os dados de emprego dos Estados Unidos.

Entre os prefixados, destaque para o papel com juros semestrais e vencimento em 2035, que avança para 13,69%, ante 13,63% no fechamento da véspera. Entre os indexados à inflação, o IPCA+ 2040 avançou de 7,20% para 7,31% na parte prefixada, enquanto o título com vencimento em 2050 passou de 6,96% para 7,05%.

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A ADP divulgou a criação de 41 mil vagas de emprego privado nos EUA, um pouco abaixo do esperado. Já às 12h, o Departamento do Trabalho dos EUA informará ‌os dados sobre vagas abertas no país. Também às 12h saem números sobre a ​indústria e o setor de serviços dos EUA.

As divulgações têm potencial para mexer com as apostas sobre a decisão do Federal Reserve no fim de janeiro sobre a taxa de juros, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%.

Nesta manhã os títulos americanos precificavam 83,9% de probabilidade de manutenção da taxa ​em janeiro, ⁠contra 16,1% de ⁠chance de corte de 25 pontos-base, conforme a ferramenta CME FedWatch.

No ‌Brasil, as apostas pela manutenção da taxa básica no fim deste mês também seguem majoritárias. Na B3, as opções de Copom precificavam na ‍segunda-feira (5) 69,50% de probabilidade de manutenção da Selic em 15%, contra ​23,50% de chance ‌de corte de 25 pontos-base.

Os títulos de renda fixa atrelados à inflação seguem como apostas de gestores para 2026, apesar do cenário de volatilidade. No caso de casas como UBS e Itaú, a aposta segue até mesmo nos papeis de inflação mais longos. “Seguimos com posições otimistas em renda fixa, motivadas pelo nosso cenário para a inflação e para o ciclo de queda da Selic, alternando entre alocações direcionais em juros nominais, venda de inflações implícitas ou NTN-Bs de prazo mais longo”, diz a primeira carta do ano do fundo Itaú Janeiro.

Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h30 desta quarta-feira (7):

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TítuloRendimento AnualVencimento
Tesouro Selic 2028SELIC + 0,0472%01/03/2028
Tesouro Selic 2031SELIC + 0,1005%01/03/2031
Tesouro Prefixado 202812,95%01/01/2028
Tesouro Prefixado 203213,60%01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203513,69%01/01/2035
Tesouro IPCA+ 2029IPCA + 7,78%15/05/2029
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035IPCA + 7,50%15/05/2035
Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,31%15/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,28%15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 7,05%15/08/2050
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060IPCA + 7,21%15/08/2060

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)