Tesouro Direto: rentabilidade de títulos de inflação sobe para até 5,64% com contas do governo em foco

Taxas de prefixados abrem para até 10,99% com desconfiança sobre a capacidade do governo de zerar déficit em 2024

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Em dia agitado no noticiário econômico, as taxas dos títulos do Tesouro Direto têm alta nesta quinta-feira (31). O mercado está de olho no déficit primário de julho, anunciado pelo governo na tarde de ontem. Hoje, foram divulgados dados de emprego no Brasil e inflação nos Estados Unidos.

As contas do Governo Central registraram déficit primário em julho, quando a diferença entre as receitas e as despesas ficou negativa em R$ 35,933 bilhões. O resultado sucedeu o déficit de R$ 45,223 bilhões em junho.

O saldo – que reúne as contas do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central – foi o pior desempenho para o mês desde 2020 – o que faz do resultado do mês passado o segundo maior déficit primário de julho da série histórica, iniciada em 1997, em termos reais. Em 2020, em pleno auge da pandemia de covid-19, o recorde negativo foi de R$ 109,646 bilhões no mês.

Alexandre Yamamoto, analista da Levante, explica que a abertura nas taxas dos títulos públicos se dá pela reação dos investidores ao déficit em julho. “O mercado está duvidando da capacidade do governo de zerar o déficit no ano que vem”, diz o especialista.

“Esse déficit maior é ruim e, com certeza, o mercado seguirá atento aos novos números para acompanhar se o governo está no caminho certo para cumprir suas metas ou se a coisa vai sair do trilho”, comenta Ricardo Jorge, especialista em renda fixa e sócio da Quantzed.

Ainda no cenário local, a taxa média de desemprego no Brasil caiu para 7,9% no trimestre encerrado em julho, conforme divulgou hoje o IBGE. O indicador ficou 0,6 ponto percentual abaixo do observado no trimestre entre fevereiro e abril. O resultado veio em linha com a projeção de analistas.

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Essa foi a menor taxa de desocupação desde o trimestre móvel terminado em fevereiro de 2015. Também foi a menor taxa para um trimestre encerrado em julho desde 2014, quando atingiu 6,7%.

Nos Estados Unidos, o Departamento de Comércio anunciou que o núcleo de preços de gastos com consumo subiu 0,2% em julho ante junho e 4,2% na comparação com o mesmo mês no ano passado. O resultado veio como o projetado pelo consenso de analistas.

No Tesouro Direto, a alta das taxas mostrava desconfiança do mercado em relação às contas públicas. A rentabilidade do Tesouro IPCA+ 2029 subia de 5,03% na sessão de ontem para 5,12% na primeira atualização de hoje, às 9h24. A taxa do título de inflação com vencimento em 2040 subia de 5,33% para 5,40%, enquanto a do papel para 2055 avançava de 5,47% para 5,54%.

Nos prefixados, o papel mais longo, com vencimento em 2033, tinha taxa de 10,99% ante 10,89% ontem. A rentabilidade anual do Tesouro Prefixado 2029 subia de 10,67% para 10,77%, enquanto a do Tesouro Prefixado 2026 avançava de 10,04% para 10,08%.

Confira os preços e as taxas dos títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na manhã desta quinta-feira (31):

Senado aprova projeto que restabelece voto de desempate pró-governo no Carf

O plenário do Senado Federal aprovou, ontem, o projeto de lei que retorna o “voto de qualidade” a favor do governo em caso de empate nos julgamentos do Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf).

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O texto, que ganhou importância para cumprir a meta de zerar o déficit primário em 2024, agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Pedidos de auxílio-desemprego caem nos Estados Unidos

O número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos caiu 4 mil na semana encerrada em 26 de agosto, para 228 mil, ante um dado revisado para 232 mil na semana anterior, segundo pesquisa divulgada hoje pelo Departamento do Trabalho americano.

O dado da semana veio abaixo da previsão do consenso de analistas, que estimavam 235 mil solicitações.