Renda fixa

Tesouro Direto: taxas dos títulos públicos sobem com recrudescimento de tensões entre Rússia-Ucrânia e fala de dirigente do Fed

Prefixados ofereciam até 11,73% na última atualização desta quinta-feira

Por  Bruna Furlani, Katherine Rivas -

As taxas de títulos públicos operam em alta nesta quinta-feira (17), com aumento da tensão entre Rússia e Ucrânia e falas de dirigente do Federal Reserve, que voltou a defender um aperto monetário mais rápido nos Estados Unidos.

Joe Biden, presidente dos EUA, afirmou que o risco de invasão por parte de Moscou “continua muito elevado”. Ele reforçou que acredita que um ataque pode ocorrer nos próximos dias, com os russos preparando uma operação “sob a falsa bandeira” da Ucrânia para ter um pretexto para iniciar uma guerra. Em meio a tensão, o aumento do prêmio de risco foi perceptível na curva de juros.

Já o presidente do Federal Reserve de St. Louis, James Bullard argumentou que é a favor de elevar os juros americanos em 1 ponto porcentual até 1º de julho. A justificativa seria a inflação.

O leilão de títulos prefixados longos, que expandiu a oferta, também ajudou a elevar as taxas de mercado.

Dentro do Tesouro, o título prefixado de curto prazo foi o que mais avançou, chegando a subir 10 pontos-base na última atualização desta quinta-feira (17).

O Tesouro Prefixado 2024 oferecia uma rentabilidade anual de 11,73%, superior aos 11,63% vistos ontem.

Enquanto o Tesouro Prefixado 2026 e o Tesouro Prefixado 2031, com juros semestrais, entregavam 11,36% e 11,48%, de rentabilidade, respectivamente, acima dos 11,24% e 11,41% da quarta-feira (16).

Nos títulos atrelados à inflação, a maior alta foi do Tesouro IPCA+ 2026, que apresentava uma rentabilidade real de 5,30% às 15h18, superior aos 5,24% registrados ontem.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde desta quinta-feira (17): 

Biden fala em risco de invasão à Ucrânia

O presidente dos EUA, Joe Biden, falou com jornalistas na Casa Branca e reafirmou que o risco de invasão por parte de Moscou “continua muito elevado”.

Novamente, o mandatário reforçou que acredita que um ataque pode ocorrer “nos próximos dias” e que os russos podem estar preparando uma operação “sob a falsa bandeira” da Ucrânia para ter um pretexto para iniciar uma guerra.

Biden ainda ressaltou que não prevê conversar novamente com Putin por telefone para debater a crise.

Após dias de posturas que apontavam mais para uma desaceleração da situação, a quinta-feira está sendo marcada pelo aumento na troca de acusações entre norte-americanos e russos.

O vice-embaixador dos Estados Unidos na Rússia, Bart Gorman, foi expulso do país, informou a agência de notícias Tass nesta quinta-feira (17).

Os motivos da expulsão não foram informados, mas Washington confirmou saída. Os norte-americanos teriam sido notificados durante uma visita do embaixador John Sullivan ao prédio do Ministério das Relações Exteriores de Moscou.

Fala de Bullard

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de St. Louis, James Bullard destacou nesta quinta-feira (17), sua preocupação com a trajetória dos preços, o que tem feito com que ele defenda um aperto monetário mais rápido nos Estados Unidos. Durante evento da Universidade Columbia, ele destacou o fato de que os dados mais recentes de inflação continuam a vir acima do esperado e ela inclusive acelera, “não o contrário”. Nesse contexto, o dirigente voltou a argumentar a favor de uma elevação de 1 ponto porcentual dos juros até 1º de julho.

“Atualmente, há inflação demais para os EUA”, afirmou ele, que tem direito a voto nas decisões de política monetária neste ano.

Bullard notou que a meta de inflação do Fed está sendo superada “em mais de 300 pontos-base”, no quadro inflacionário atual, e disse que o mercado pode estar “perdendo a fé” de que os preços irão desacelerar sem medidas do BC.

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