Renda fixa

Tesouro Direto: com maiores temores sobre a inflação nos EUA e preocupações fiscais no Brasil, títulos públicos operam sem direção definida nesta 6ª

Investidores monitoram inflação nos Estados Unidos e declarações do presidente do BC brasileiro e do ministro da Economia

Por  Bruna Furlani -

SÃO PAULO – Em dia de agenda econômica esvaziada no mercado local, as atenções dos investidores estão nos dados de inflação nos Estados Unidos, em meio a redução de estímulos pelos bancos centrais, gargalos nas cadeias produtivas e desaceleração econômica.

Aqui no Brasil, destaque também para a fala de Paulo Guedes, ministro da Economia, sobre a necessidade de criação do Auxílio Brasil.

Nesse contexto, o mercado de títulos públicos segue operando sem direção definida na tarde desta sexta-feira (1). Isso ocorre porque os papéis prefixados apresentam leve queda, enquanto os títulos atrelados à inflação têm leve alta.

Na atualização das 15h30, a remuneração do título prefixado com vencimento em 2026 recuava de 10,52% para 10,46% ao ano, percentual abaixo dos 10,53% ao ano vistos na sessão anterior.

O juro pago pelo título prefixado com vencimento em 2031, por sua vez, caía de 11,10% para 11,05% na atualização da tarde. Um dia antes, o papel oferecia retorno de 11,13% ao ano.

Entre os papéis atrelados à inflação, o juro real oferecido pelo Tesouro IPCA+ com vencimento em 2040 e pagamento de juros semestrais era de 4,96% ao ano, acima dos 4,93% registrados na sessão anterior. Já o retorno real do Tesouro IPCA com vencimento em 2055 e pagamento de juros semestrais era de 5,01% ao ano, contra 4,99% na tarde de quinta-feira (30).

Confira os preços e as taxas atualizadas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na tarde desta sexta-feira (1):

Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Radar externo

Na cena internacional, o mercado repercute os dados de inflação vindos dos Estados Unidos. O índice PCE (Despesas de Consumo Pessoal, na sigla em inglês) dos Estados Unidos cresceu a 0,4% em agosto na comparação com julho. Em 12 meses, a expansão foi de 4,3%.

Esse indicador de inflação é um dos que são acompanhados com mais atenção pelos membros do Federal Reserve, que é o banco central americano, e é um importante balizador para prever mudanças na política monetária da maior economia do mundo.

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Já o núcleo do PCE, que exclui alimentação e combustíveis, ficou em 0,3%, um pouco acima do nível esperado de 0,2%, segundo a mediana das projeções dos economistas compilada pela Refinitiv. Na comparação anual essa expansão foi de 3,6%, em linha com as expectativas.

Também nos Estados Unidos, a possibilidade de paralisação de uma parte do governo foi afastada ao menos pelos próximos dois meses. Isso porque tanto o Senado quanto a Câmara americana passaram uma lei de curto prazo que deve manter o governo em funcionamento até 3 de dezembro. O texto foi assinado ontem à noite (30) pelo presidente americano Joe Biden.

Já na Ásia, as bolsas chinesas vão ficar fechadas por uma semana a partir desta sexta-feira (1) por causa de um feriado. Mas, as preocupações com a crise energética na China e com a incorporadora Evergrande devem seguir pautando os mercados.

BC, combustíveis e PEC dos precatórios

Aqui no Brasil, investidores acompanham a palestra de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, em evento do banco Morgan Stanley nesta sexta-feira (1).

Na ocasião, Campos Neto reforçou que a credibilidade da política monetária é chave no Brasil para atingir a meta de inflação.

Destaque também para a fala de Paulo Guedes. Em evento mais cedo no Planalto, o ministro tinha dito que o ministro João Roma, ministro da Cidadania, iria estender o auxílio emergencial, que termina em outubro.

Ao ser procurado pelo jornal Valor Econômico, Guedes, no entanto, afirmou que a sua fala se referia à ampliação do Bolsa Família e não ao auxílio emergencial.

Segundo o jornal, o ministro afirmou que era preciso estender a camada de proteção aos mais vulneráveis com a aprovação da PEC dos precatórios, mas que a iniciativa em questão tratava-se do Auxílio Brasil e não do auxílio emergencial.

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O mercado também segue monitorando as discussões entre o Legislativo e o Executivo em torno do preço dos combustíveis. Ontem (30), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a defender a votação de projeto que fixa o ICMS cobrado sobre os combustíveis nos Estados e falou sobre a possibilidade da criação de um fundo que possa amortecer a flutuação do preço dos combustíveis.

“Criar um fundo regulador. Ver o lucro da Petrobras, aquele que vem para o governo federal, para nós, ninguém vai meter a mão em nada. Será que esse dinheiro da Petrobras que vem para nós será, eu estou perguntando, será, eu não estou afirmando que é um lucro bilionário, nós não podemos converter e ir para esse fundo regulador?”, questionou Bolsonaro.

A declaração foi feita ontem (30) durante a transmissão semanal do presidente em suas redes sociais.

Na ocasião, o mandatário do país disse também já ter recebido a sinalização de Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, de que está trabalhando para votar o projeto de lei complementar que trata do ICMS e prevê uma alíquota fixa para o imposto.

Também na linha dos aumentos de preços, reportagem de capa do jornal O Globo diz que governo avalia criar um vale-gás para famílias de baixa renda, em especial beneficiários do Bolsa Família. O movimento ocorre após a Petrobras aprovar programa de R$ 300 milhões para subsidiar o GLP a famílias pobres.

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