Tesouro Direto: títulos públicos operam com recuo nas taxas nesta 4ª; prefixados oferecem retorno de até 12,1%

Durante a tarde, a diferença entre os prêmios pagos pelo Tesouro Prefixado 2024 e o 2031 era de 28 pontos-base, contra 40 pontos-base no início da manhã

Bruna Furlani

Imagem mostra notas de R$ 50 (Rmcarvalho/Getty Images)
Imagem mostra notas de R$ 50 (Rmcarvalho/Getty Images)

Publicidade

SÃO PAULO – A volta do feriado começou com forte volatilidade no Tesouro Direto. Após suspensão no início da manhã, o mercado de títulos públicos opera com recuo nas taxas na tarde desta quarta-feira (3).

Investidores repercutem a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que foi vista como mais hawkish (inclinada ao aperto monetário) pelo mercado ao indicar que a Selic pode ir a patamares “significativamente mais contracionistas” até 2022.

Ainda na cena local, as atenções estão voltadas para a possível votação da PEC dos precatórios no plenário da Câmara nesta quarta-feira.

Continua depois da publicidade

Dentro do Tesouro Direto, o destaque segue nos retornos oferecidos pelos papéis prefixados – que sofrem maior impacto pela preocupação dos investidores com o menor compromisso fiscal do governo e a pressão que isso pode trazer para os juros.

O retorno oferecido pelo Tesouro Prefixado com vencimento em 2024, por exemplo, recuava de 12,49%, na sessão anterior, para 12,11%, na atualização das 16h. Na abertura das negociações, a rentabilidade oferecida por esse título era bem mais alta: 12,84% ao ano.

Da mesma forma, na atualização das 16h, o juro pago pelo Tesouro Prefixado 2031 e pagamento de juros semestrais caía de 12,19% para 11,83%. No começo da sessão, o retorno do título era de 12,44% ao ano. Com isso, a diferença entre os juros oferecidos pelo papel prefixado 2024 e o 2031 chegava a 28 pontos-base, valor menor do que os 40 pontos-base vistos no início das negociações.

Entre os títulos atrelados à inflação, o retorno real oferecido pelo Tesouro IPCA+ 2026 era de 5,19% ao ano, contra 5,48% na sessão de segunda-feira (1). No mesmo horário, o Tesouro IPCA+ 2055 com pagamento de juros semestrais oferecia rentabilidade real de 5,29%, abaixo dos 5,49% pagos na sessão anterior.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde desta quarta-feira (3): 

Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Ata do Copom

Na agenda econômica, as atenções estão voltadas para a ata do Copom. No documento, o colegiado afirma que avaliou fazer ajustes maiores para a Selic na reunião do último dia 27, mas que optou por seguir com a elevação de 1,50 ponto percentual.

Continua depois da publicidade

“Prevaleceu, no entanto, a visão de que trajetórias de aperto da política monetária com passos de 1,50 ponto percentual, considerando taxas terminais diferentes, são consistentes, neste momento, com a convergência da inflação para a meta em 2022, mesmo considerando a atual assimetria no balanço de riscos”, informaram os dirigentes na ata.

Já ao falar sobre a questão fiscal, o colegiado disse que os desenvolvimentos nessa área implicam elevação do risco altista para as projeções de inflação no seu cenário básico, sendo que esse viés é agora maior do que o anteriormente considerado.

“Como consequência, o Comitê concluiu que o grau apropriado de aperto monetário é significativamente mais contracionista do que o utilizado no cenário básico”, complementou o BC, reiterando disposição de ir mais fundo no processo de colocar a Selic em patamar que desaquece a economia para conseguir debelar a inflação.

Continua depois da publicidade

João Leal, economista da Rio Bravo Investimentos, falou sobre a ata: “O Copom foi mais duro com a situação fiscal afirmando que o grau de aperto monetário ideal é significativamente mais contracionista que no cenário anterior, o que indica que o juro deve voltar para os dois dígitos em 2022. Os muitos choques sobre a inflação também contribuem para esse cenário.”

Na mesma linha, Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, diz que o Banco Central se mostrou mais disposto a elevar a Selic a taxas mais altas para segurar a inflação mais alta no ano que vem e no próximo.

Cruz destacou ainda que a RB deve revisar a projeção para Selic, esperando não só uma alta de juros de 1,5 ponto em dezembro, mas outras duas em 2022, encerrando o ciclo no ano que vem em 12,25%.

Continua depois da publicidade

PEC dos precatórios

Na seara política, o governo segue trabalhando para ter quórum suficiente para votar e aprovar a PEC dos precatórios. Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, está na mesa uma proposta de acordo para fatiar o pagamento dos precatórios da União com estados que estejam relacionados ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef).

De acordo com a publicação, a dívida responde por cerca de R$ 16 bilhões dos R$ 89 bilhões em precatórios inscritos para o ano que vem.

Outra possibilidade estudada pelo governo está ligada ao uso de medida provisória para manter o Auxílio Emergencial. Segundo o jornal, os interlocutores de Bolsonaro receberam a indicação de que o TCU daria sinal verde ao plano, sem necessidade de aprovar novo decreto de calamidade no Congresso.

Continua depois da publicidade

Reportagem de capa do jornal Folha de S. Paulo nesta quarta-feira afirma que aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ameaçam cortar as emendas impositivas – aquelas que obrigatoriamente precisam ser pagas pelo governo – daqueles que não apoiarem a PEC.

Segundo a Folha, em troca de votos, deputados da base aliada e de partidos independentes pedem mais recursos para obras e projetos em suas bases eleitorais.

Radar externo

Na cena internacional, as atenções estão voltadas para a decisão do Federal Open Market Committee (Fomc), do Federal Reserve (Fed), banco central americano.

Na tarde desta quarta-feira, o Fed anunciou que vai reduzir o programa de compra de ativos em US$ 15 bilhões por mês, a partir do fim de novembro. Esse é o primeiro passo para retirar a enorme quantidade de apoio que a autoridade monetária tem fornecido aos mercados e à economia.

Na prática, esse estímulo vem da compra até o momento de US$ 120 bilhões mensais em títulos (US$ 80 bilhões em Treasuries, títulos da dívida americana, e US$ 40 bilhões em bônus atrelados a hipotecas) e das taxas de juros muito próximas a zero, entre 0% e 0,25%, o que foi mantido na decisão desta quarta-feira.

O comitê disse, em comunicado da reunião desta quarta-feira, que a mudança veio à luz do progresso substancial que a economia fez em relação às metas desde dezembro passado. O documento, contudo, ressaltou que o Fed não está em um curso preestabelecido e que fará ajustes no processo, se necessário.

Ao comentar sobre inflação, o banco central americano mudou ligeiramente a visão que vinha defendendo sobre a alta dos preços ao reconhecer que os aumentos têm sido mais rápidos e duradouros do que os bancos centrais haviam previsto. “A inflação está elevada, refletindo em grande parte fatores que se espera que sejam transitórios”, disse o comunicado.

“Os desequilíbrios de oferta e demanda relacionados à pandemia e à reabertura da economia contribuíram para aumentos consideráveis ​​de preços em alguns setores.”