Renda fixa

Tesouro Direto: a 5,71% ao ano, taxa do Tesouro IPCA+2055 bate recorde; resultado do IPCA pressiona juros

Investidores monitoram avanço acima do esperado pelo mercado para a inflação em 2021 e na variação mensal de dezembro

Por  Bruna Furlani -

Agentes financeiros estão atentos aos números consolidados da inflação oficial divulgados nesta terça-feira (11). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 10,06% no ano passado, na maior taxa acumulada em um ano desde 2015.

O percentual extrapolou e muito a meta de 3,75% ao ano definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), em que o teto era de 5,25%. Com isso, o Banco Central deve divulgar em seguida carta explicando os motivos do estouro.

Já a inflação em dezembro variou positivamente 0,73% frente novembro. No entanto, ambos os indicadores vieram acima do esperado pelo mercado, que aguardava um avanço mensal de 0,65% e de 9,97% na variação anual.

Enquanto isso, no radar externo, investidores repercutem declaração de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), que é o banco central americano. Hoje, ele disse que é provável que a redução do balanço patrimonial seja mais rápida do que da última vez.

Nesse contexto, o mercado de títulos públicos segue com alta nas taxas na tarde desta terça-feira (11). Alguns papéis chegam a subir até 13 pontos-base (0,13 ponto percentual), como é o caso do Tesouro Prefixado 2026, que oferece juros de 11,50%, na atualização das 15h20. O percentual está acima dos 11,48% vistos no começo da manhã e dos 11,43% registrados ontem (10).

No mesmo horário, o papel prefixado com vencimento em 2031 e pagamento de juros semestrais oferecia um retorno de 11,52%, superior aos 11,45% ao ano do início dos negócios e dos 11,40% ao ano da sessão anterior.

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Entre os papéis atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+ 2055 e juros semestrais oferecia uma remuneração real de 5,71% ao ano, mesmo valor visto no começo das negociações. O percentual, no entanto, é superior aos 5,65%, de ontem à tarde.

Com isso, a taxa paga pelo Tesouro IPCA + 2055 ultrapassou o patamar recorde oferecido por esse título, que até então era de 5,68% ao ano e que tinha sido alcançado em 29 de outubro de 2021. Esse papel começou a ser negociado em fevereiro de 2020.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde desta terça-feira (11): 

Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

IPCA

Na agenda econômica local, investidores repercutem os dados da inflação oficial no acumulado de 2021. Segundo o IBGE, o resultado do ano passado foi influenciado principalmente pelo grupo transportes, que apresentou a maior variação (21,03%) e o maior impacto (4,19 p.p.) no acumulado do ano.

Já na passagem de novembro para dezembro, o maior impacto veio do grupo alimentação e bebidas, que subiu 0,84% no mês.

Além da alta acima do esperado para o resultado mensal da inflação oficial, economistas apontaram que houve piora no percentual de itens com aumentos de preços entre novembro e dezembro de 2021, o que mostra que a inflação foi mais disseminada no último mês do ano.

Na ocasião, o índice de difusão do IPCA avançou de 63% em novembro para 75% em dezembro.

Marcelo Fonseca, economista-chefe do Opportunity Total, afirmou que o resultado de hoje sugere que o Banco Central ainda tem “um trabalho enorme à frente para garantir a convergência da inflação de volta às metas”.

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“Acreditamos que o BC deverá elevar a taxa Selic em 1,25 pp na reunião de fevereiro, encerrando o ano por volta de 12%. Não vislumbramos cortes de juros em 2022”, disse o economista-chefe.

Economistas, no entanto, não têm aposta unânime para aumento da Selic em fevereiro, com expectativas de alta de 1 a 1,5 ponto percentual na taxa básica de juros.

Refis e reajustes

Já na agenda política, o governo deve avalizar a prorrogação até abril para adesão ao Simples como solução temporária enquanto o Congresso não derruba o veto do presidente Jair Bolsonaro ao Refis (parcelamento de débitos tributários) de micro e pequenas empresas.

Ontem, o governo consultou lideranças empresariais e do Congresso sobre o prazo ser suficiente para negociar uma solução para o impasse criado com o veto.

Segundo apuração do jornal O Estado de S. Paulo, Bolsonaro está sendo aconselhado por Onyx Lorenzoni, ministro do Trabalho, e por Pedro Guimarães, presidente da Caixa Econômica Federal, a dar sinal verde ao uso de R$ 3 bilhões do FGTS para um fundo garantidor de empréstimos aos Microempreendedores Individuais (MEIs).

Outro tema que segue no radar dos agentes financeiros está ligado aos reajustes salariais. Em entrevista à Folha de S.Paulo e ao Estado de S.Paulo, Dovercino Neto, presidente da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (Fenaprf), disse que o presidente Jair Bolsonaro (PL) trairá novamente a categoria, caso recue e não dê o reajuste aos policiais.

A declaração foi feita após Bolsonaro ter afirmado no fim de semana que “não está garantido reajuste para ninguém”.

Internacional

Na cena externa, o foco segue em falas de autoridades do Federal Reserve (Fed), que é o banco central americano, e no avanço da variante ômicron ao redor do mundo.

Nos Estados Unidos, o grande destaque do dia está na declaração de Jerome Powell, presidente do Fed, que participou de audiência de nomeação para o novo mandato.

No evento, Powell destacou que as autoridades do Fed provavelmente agirão mais cedo e mais rápido ao reduzir o balanço patrimonial de quase 9 trilhões de dólares do BC americano em relação a ciclos de aperto anteriores. No entanto, ele disse que nenhuma decisão final foi tomada.

Ele também afirmou que a autoridade monetária usará todas as “ferramentas para apoiar a economia e um mercado de trabalho forte e evitar que uma inflação mais alta se instale”.

Os investidores seguem ainda à espera dos dados de inflação ao consumidor dos EUA a serem divulgados amanhã (12).

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